Dando uma espiadela nas estatísticas deste endereço, descobri que Pensar Enlouquece aparece entre os 10 primeiros resultados no Google para internautas que buscam pela palavra "blogger" em páginas do Brasil. A vocês, incautos que fizeram essa pesquisa, dedico os textos abaixo.
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Tempo é relativo, que o digam aqueles que estão habituados à leitura constante de blogues. Se um blogueiro fica dois ou três dias sem atualizar a página, sempre surgirá algum internauta a comentar: "cadê você?".
Em geral, posts são marcados por uma linguagem informal, descompromissada, não raro pontuada por erros de grafia que denunciam a urgência com que o internauta escreve seu texto, como rascunhos que já nascem com caráter definitivo. Do comando do cérebro ao ato dos dedos digitando no teclado, palavras borbotam e - clic! - desembocam direto para a tela.
E no entanto, há blogueiros que, sem idéias prodigiosas o suficiente para justificar um novo post, limitam-se a escrever: "estou sem idéias, portanto fiquem com este teste (ou link, ou charge, ou letra de música)". Ou seja, postam como que se sentissem compelidos a publicar pelo menos uma coisa, por mais irrelevante que seja, simplesmente para não permitir que as teias de aranha virtuais ocupem seu blog pelo enorme intervalo de... um dia.
Repare: toda vez que um novo texto é publicado, os anteriores deixam de receber novos comentários. Na blogosfera, mais do que nunca prevalece a cultura do imediato: o post está morto, viva o novo post! Em nome da velocidade no carregamento do site, não mais que dez artigos são publicados na página inicial, enquanto os anteriores são empurrados para o quartinho dos fundos. Pergunto: quantos gatos pingados possuem o hábito recorrente de vasculhar os arquivos de um blog?
É preciso ainda falar de textos longos. Quantas vezes você já não se deparou com algum post mais alongado que, metalinguisticamente, pedia desculpas ao leitor com alguma frase do tipo "se você teve paciência para chegar até aqui...". E isso para não falar dos comentários off topic, ao melhor estilo não-tive-tempo-para-ler-seu-texto-mas-adoro-o-seu-blog-visite-o-meu! O fato é inequívoco: ler textos na tela é cansativo e é difícil resistir à compulsão de "folheá-los" na diagonal.
Por vezes encaro Pensar Enlouquece como uma espécie de antiblog. Não porque eu desgoste de blogues (muito pelo contrário, a considerável quantidade de links do meu menu à esquerda é a prova contumaz de que há muita vida inteligente na blogosfera) ou raramente fale de minha vida pessoal, e sim porque não sou, e provavelmente jamais serei capaz de publicar textos aprazíveis todo santo dia. Enquanto a maior parte de meus colegas publica três, quatro, cinco posts no intervalo de poucas horas, aqui dificilmente você se deparará com mais do que um texto por dia, e isso se houver algum.
Em meio a tanta urgência e fugacidade há que se reiterar, pois, alguns dos melhores aspectos positivos do meio "blog": o fomento de debates em tempo real, o estímulo à comunicação de idéias, a democratização da publicação de conteúdo na Web, e, principalmente, a liberdade de expressão (apesar da boçalidade de certas figuras, como o funcionário da Dow Right que quis intimidar Cris Dias a ponto de tentar persuadi-lo a remover um texto de seu blog).
Não posso deixar de lamentar, contudo, os efeitos colaterais surgidos em meio à urgência de novos posts. Ao contrário de textos impressos em celulose, transportáveis para qualquer local e lidos quando bem entender, o prazo de validade de um post vale pelo tempo em que é exibido na home-page. Depois, torna-se jornal virtual a embrulhar peixes cibernéticos precocemente envelhecidos, folheado por uma massa restrita de leitores.
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Toda vez que eu encontro um amigo, digamos, "off-line", e ele descobre que possuo um blog razoavelmente conhecido, a pergunta que segue é quase inevitável:
- Blog? O que é isso?
Tecnicamente falando, blog é um site regularmente atualizado, cujos posts ("entradas" compostas por textos, fotos, ilustrações e/ou links) são armazenados em ordem cronologicamente inversa, com as atualizações mais recentes no topo da página. Criados a partir de ferramentas de publicação que dispensam seu autor de conhecer obrigatoriamente HTML ou outras linguagens de programação (exemplos: Blogger, Movable Type e B2), blogues são páginas dinâmicas e democráticas: qualquer internauta razoavelmente alfabetizado é capaz de criar o seu. Podem ser espaço para desabafos pessoais, mural de recados, caderno de rascunhos literários, veículo para egolatria destilado em bits e bytes, divã virtual, depósito de links curiosos, diário de viagem, hobby para desocupados ou tudo isso ao mesmo tempo agora.
Falando sob o meu ponto de vista específico, este blog é um recanto virtual no qual exponho minhas idéias, divulgo pessoas, obras e links que julgo que mereçam ser melhor conhecidas, publico algumas experimentações literárias e interajo com outras pessoas. Ou seja, como uma espécie de fanzine eletrônico através do qual filtro o mundo à minha volta de acordo com meus interesses, paixões e imperfeições.
Contudo, não posso dizer que me surpreendo ao constatar que a maior parte dos blogues Web afora limita-se a dar copy-and-paste de crônicas, ilustrações, notas informativas e letras de música de terceiros, limando um blog do que ele poderia oferecer de mais interessante: as opiniões e idéias inequivocadamente únicas da pessoa que o criou. Mesmo assim, esses sites possuem lá o seu valor sociológico, ao delinear o perfil de uma geração que não diz a que veio simplesmente porque é incapaz de formular sentenças de próprio cunho, e que se compraz em rechear seus blogues com piadas recicladas e ilustrações que repetem ad nauseam os mesmos padrões de sátira baseados em trocadilhos e/ou montagens photoshopadas.