Há quem diga que celebrar Halloween é coisa de colonizado. Segundo esta matéria da Isto É, escrita por Camilo Vannuchi, Laura Ancona Lopez e Sara Duarte, há um movimento intitulado Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) que defende a adoção de 31 de outubro como o Dia do Saci, no qual pais e professores aproveitariam a data para contar a seus filhos lendas e causos tupiniquins: boitatá, mula-sem-cabeça, negrinho do pastoreio, etc etc. Sobre a escolha do símbolo da organização, vale a pena transcrever a declaração lapidar de Ivan Vilela, um dos fundadores da entidade: "Montamos a associação com a idéia de contribuir para o resgate dos nossos mitos. Elegemos o saci como ícone. Além de ser o mais famoso deles, ele é muito parecido com o Brasil por ter uma perna só: tem tudo para chegar lá, mas não chega".
Quanto a mim, encaro essa iniciativa com os três pés atrás (ops, nada de pessoal contra os sacis). Esse tipo de patrulhamento me remete à fracassada experiência que o Ziraldo teve à frente da Funarte (Fundação Nacional de Arte) na época do governo Sarney, quando o criador do Menino Maluquinho, ao lado do então Ministro da Cultura Aluísio Pimenta, teorizou uma certa "política da broa de milho" baseada na intervenção estatal (ugh) em prol da defesa de "ícones" da cultura tupinambá como bandinhas de coreto, culinária mineira, balões de festa junina (consta que o Ziraldo chegou a consultar técnicos japoneses capazes de criar balões anti-incêndios) e até mesmo a cachaça. Bem, se esse pessoal da Sosaci trocar Coca-Cola por tubaína, Chevrolet por Gurgel e deixar o português de lado para se expressar exclusivamente em tupi-guarani, talvez eles até ganhem meu respeito pela coerência. Por enquanto, deixemos a molecada mendigar seus doces em paz...
Em tempo, gostaria de aproveitar a ocasião para homenagear alguns objetos de terror ao longo dos tempos (cliquem nas imagens para visitar sites co-relacionados):
30.10.03 Literatura na rede: a transição dos bytes para as prateleiras
Muito se fala na tão propalada "revolução" dos blogs: exagero. Blog é, sim, uma tremenda ferramenta de publicação. E se esse tamagotchi dos escribas modernos foi hypado (terrível essa palavra), isso se dá pela extrema facilidade com que qualquer ignaro consegue postar seus textos, fotos ou copys-and-pastes na Internet. Mas, como bem escreveu meu amigo Orlando Tosetto, seria a mesmíssima coisa se começasse a chover dinheiro e todo dublê de escritor subitamente tivesse condiçõe$ de bancar edições pagas de seus versos e prosas.
A verdade é que blogs servem como escoadouro de toda uma produção "literária" represada. O que antes jazia em fundos de gavetas e discos rígidos agora é publicado e posto à disposição de toda a horda de internautas. Ok, os detratores da ferramenta podem afirmar que blogs são veículos de diários de adolescentes e literatices constrangedoramente capengas, e não estarão de todo errados. Mas um fato é inegável: em meio à enxurrada de bosta postada diariamente por milhares de internautas, quem souber (e quiser) fuçar na Web vai se deparar também com muita Literatura genuína e injustamente ignorada pelas editoras.
Fábio Marchioro, escritor, membro do Conselho Editorial da Editora Pós-Escrito e responsável pelo site Parágrafo, esclarece algumas razões da dificuldade que autores iniciantes encontram em publicar seus livros: "Muitos são os motivos que levam as editoras a rejeitar uma obra. O principal deles provavelmente reside no fato de que o povo brasileiro lê muito pouco, o que faz com que as edições de livros sempre sejam muito pequenas. Estas edições sempre ficam em torno de 2.000 a 3.000 exemplares. Mínimas, se comparadas às primeiras edições feitas no mercado americano, sempre em torno de 150.000 a 200.000. Outros problemas como o fato das editoras não terem em seu quadro funcional pessoas qualificadas para avaliar todas as obras que lhes são enviadas, ou por julgarem um original como não pertencente à linha editorial, ou até por já estarem com sua capacidade de publicar novos autores esgotada por determinado período, fazem com que sejam rejeitados os trabalhos de mais de 35.000 escritores por ano".
Um blogueiro aspirante a escritor profissional entra nessa história como um daqueles comediantes novatos que sobem em um palco na melhor tradição do stand-up comedy. Despido de cenografia, dá a cara pra bater: ao narrar causos verídicos ou piadas de próprio punho, arrisca-se a receber apupos ou a total indiferença de sua platéia, traduzida na ausência de comentários ou na estagnação das estatísticas de seu contador de acessos. De resto, um destino bóbvio a toda uma geração que escreve em quantidade hiperbolicamente desproporcional às leituras que faz, o que me remete à fala irônica do narrador de "Baile Perfumado", conto de João Paulo Cuenca: "E a gente é tão genial que ninguém nunca ouviu falar".
Aterrissam nas livrarias nos próximos dias: "Festa da Mexerica" (compilação de contos publicados na Web entre 1997 e 2003 por Indigo Girl, que não tem blog público, mas possui um excelente site pessoal), "O Filho do Hipnotizador e Outras Histórias de Estranhas Pessoas" (reunindo contos postados por Dennis D. em seu Caderno Mágico), "Mulheres no Ataque" (de Carla Rodrigues & Martha Mendonça, com textos publicados anteriormente no Elas por Elas), "Corpo Presente" (romance de estréia do supracitado João Paulo Cuenca, dos blogs Folhetim Bizarro e Carmen Carmen), "O Cabotino" (estréia na ficção do crítico literário Paulo Polzonoff Jr., que já polemizou com pelo menos três autores citados neste texto) e "Vida Nova & Outras Crônicas" (de Claudio Lampert, colunista do blog Epinion).
É possível afirmar que esses autores já fazem parte de um movimento ou "escola literária", à semelhança de seus antecessores da Geração de 1922? Necas de pitibiriba. Em minha modesta opinião, a única coisa em comum entre eles, fora a época em que escrevem e o uso da Internet, é o fato de todos possuírem cabeça, tronco e membros (bem, ao menos que eu saiba).
- Bate-papo com escritores da nova e da novíssima geração - Enquete do site Paralelos.org com diversos autores brasileiros contemporâneos, que respondem a questões ligadas a temas como criação literária, perspectivas do mercado editorial e relações entre escritores e Internet.
- Caiu na rede, é texto - Artigo de Paulo Roberto Pires, editor da Planeta (editora responsável pela publicação de livros de autores como Joca Terron, João Paulo Cuenca, Cecília Giannetti, Chico Mattoso e Santiago Nazarian), um dos primeiros a falar sobre essa geração que usa a Internet como válvula de escape para a publicação de suas produções literárias.
Antes de mais nada, quero dizer que meus julgamentos estéticos respeitam dois axiomas:
a) nenhuma mulher é mais bela que a minha namorada;
b) nenhuma mulher é tão bonita quanto no momento em que chega ao orgasmo.
Isto posto, vamos ao post. A revista "Vip", que chega às bancas esta semana, exibe em sua capa os resultados de sua enquete anual que elege as 100 mulheres mais sexy do mundo. Cerca de 40 mil votos foram recebidos, e a lista é encabeçada por Daniella Cicarelli (a foto à direita exibe alguns dos motivos da escolha). Em seguida, os leitores da "Vip" elegeram, respectivamente, Fernanda Lima, Jennifer Lopez, Carolina Dieckmann e Daniella Sarahyba do 2º até o 5º lugar.
Contudo, mais do que a sensualidade das elencadas, essa enquete revela quais mulheres estão em maior evidência na mídia. Dieckmann, por exemplo, sequer constava da lista das 100 mais em 2002. Este ano, porém, ganhou papel de destaque na novela das oito ao interpretar uma moçoila virgem (atiçando uma das clássicas fantasias do imaginário masculino). De quebra, separou-se do marido, com ampla repercussão em revistas e programas de fofocas (diria meu amigo Marco Antônio: "ôpa, carne nova no mercado!").
A lista é definitivamente um termômetro de exposição midiática. Beldades que perderam espaço na TV despencaram no ranking da "Vip". Como Giovanna Antonelli, que em 2002 estrelou o teledramalhão O Clone, e caiu do 35º lugar para o 80º. Ou Suzana "Tiazinha" Alves, que desabou do terceiro lugar para o 42º. Enquanto isso, instant celebrities como as ex-participantes do "Big Brother Brasil" Sabrina Sato e Manuela, e atrizes que ganharam papéis de relevo em novelas globais, como Aline Moraes e Carol Castro, debutam na lista das 100 mais sexy.
* * * * *
Há quem considere que Daniella Cicarelli não é lá essas coisas. Perambulando pela Web, encontrei um interessante site intitulado Musas Artificiais. Segundo a "equipe investigativa" da página, ela e outras beldades badaladas como Fernanda Lima e Scheila Carvalho nada mais são do que mulheres de beleza mediana. Segundo a tese defendida pelo site, "sem o brilho das antigas musas, essas garotas comuns apenas tiveram o apoio de empresários e jornalistas para construir uma imagem falsamente sedutora". Nessa mesma página há um artigo intitulado "As 20 mulheres que ganham disparado da Daniella Cicarelli", que é definida como "uma moça comum, bonitinha, mediana, que não é sexy, não tem voz bela nem sedutora e nem tem traços perfeitos ou harmoniosos no rosto". Em tempo: algumas das mulheres elencadas no texto são Angelina Muniz, Natália do Valle, Heloísa Perissé, Marina Person e... Elaine Bast.
Nunca havia reparado nesse nome até que encontrei esse e um outro site singularmente intitulado "Elaine Bast - A mulher mais linda do Brasil". Alexandre Figueiredo, autor dos textos que incensam a moça da foto à esquerda (jornalista da TV Globo), não economiza palavras para louvar sua musa:
"A deusa das deusas. Das celebridades recentes, é a mais bela de todas. Sua beleza clássica e sofisticada, sua voz encantadora e seu corpinho gracioso escondido num blazer mostram que o trono que alguns espertinhos deram para Daniella Cicarelli pertence, na verdade, à repórter de economia da Rede Globo. Espera-se que em 2003, pelo menos, as revistas Cláudia, Nova, Marie Claire e Manequim se rendam a essa maravilhosa diva, um dos rostos mais lindos do mundo. Elaine Bast era, portanto, para ter 99% do espaço que Cicarelli tem na mídia".
Embora discorde de algumas escolhas estéticas do meu xará Figueiredo, compreendo perfeitamente seus argumentos. É uma tremenda covardia querer comparar as mulheres ao nosso redor com essas musas midiáticas que aparecem sempre com o cabelo impecável, maquiagem profissional e fotos retocadas por Photoshop, criando padrões irreais de beleza. Enquanto a Daniella Cicarelli ou a Luana Piovani não acordarem um dia ao meu lado, com remelas nos olhos, rosto amarfanhado e cabelos embaraçados, não posso fazer um julgamento estético justo. É por essas e outras que volto a repetir meu primeiro axioma: não existe mulher mais bonita que a namorada da gente.
Em tempo: não existe ditado popular mais imbecil do que aquele que afirma que "gosto não se discute". Hmm, se bem que "a voz do povo é a voz de Deus" também é de lascar. Enfim, tergiversações...
blog do ®od®iguinhu, terça-feira, 15:38 bixu, c num tem noçaun da tarde qeu tivi hoji: mtus bjinhos na tal di £@u®@, tempu todu... xou di bola, manu!!!!! :) mina mó legau, peitchinhu e tudu, kra, sem noçaun, mtu boun de dar bjos, ela fikou toda saidinha comigu e disse preu ir di novu... qui ispetaculu!!!!!!
blog da £@u®@, terça-feira, 16:12 ai, ai... vxes naum sabeim o qui aconteceu comigu hoji a tardi: u digo veiu aki in ksa. ai, eli eh taum meiguxinhu, taum bunitinhu, taum gatinhu, taum quiridinhu... eu tava suzinha e eli veio pra zenti faze us temas di matemática. ah, num fizemus nada, né, que ningueim mereci issu!!! ficamus di novu na minha kma, deitadinhus, dandu bjinhos, e passandu mãozinhas... ai,ai... eli é taum fofuchinhu... tou gamadinha neli... queru eli todinhu pra minzinha... queru ver eli dinovo jah!!!!! DIGUINHU, BJINHOS PRUCÊ!!!
blog do ®od®iguinhu, quinta-feira, 13:07 manus: a mina gamou ni mim!!!! eu sou PHoda!!!! diz qui quer + bjinhos meus todus dias, véiu!!!mandei mto bem!! e tinha mto kra afins dela, mas o negóciu é comigu. cum o papi aki!!!!!! ela tah querendu me ver no çaiber hoji. podi cair fora todu mundu qui a £@u®@ eh minha!!! hehehehe!!!!
blog da £@u®@, sexta-feira, 17:54 ois zentis!!!!
vxes tem algum aparelinhu pra medir o coraçaum? pq u meu tah batendu MTO MTO MTO MTO MTO pelu diguinhu!!! meu meiguxinhu... hoji eli veiu ai em ksa dinovu e a zenti naum feiz nadica dus temas di biologia dinovo... a zenti nunca faiz nadica qdo tá juntu... eh qui naum dá pra prestar atençaun com eli do meu ladinhu, todu bunitinhu cheirosinhu, fortinhu... ai, ai... soh de lembrar jah me rrepiu todinha... achu que vou na ksa deli no findi... si eu fikar todu findi sem ver eli, vou morrer de saudadinha... e eu naum queru, pq eu queru ver eli sempri!!!!! DDIIIIIIIIIIIIIIIIIGUUUUUUUUU: saudadi, saudadi, saudadi di vc...
blog da £@u®@, domingo, 10:43 TÔ TRISTINHA!!!!!!!! :((((((((((
mtu tristinha... meu diguinhu naum tava em ksa qdo fui visitar. SACU ISSU!!! NINGUEIM MERECI!!!! a mãe deli diz qui foi pra praia cus amigus e voltava hoji a noiti... aaaahhhh mas eu num cunsigo esperar... eu queru ver eli!!! KERU, KERU, KERU!!!! DIGUINHU!!! CHEGA LOGO E LIGA PREU!!! saudadi de vc... vem dah bjinhos na tua £@u... HAHAHA!!!! morraun do inveja!!!
blog do ®od®iguinhu, segunda-feira, 14:21 EU SOU PHODA!!!
PHodinha nadja, meu... PHODAUN!!! fui curti umas ondas no findi, ali em capaun, xou de bola o marzinhu... e inda fumus pra baladinha no sabadun e me dei bein... MTU BEIN!!!!! dei bjUs na martinha!!! nem parece aquela chatinha do anu passadu... tá taun bunitinha... bundjinha lindja!!!! CÔSA LÔCA!!!! MANUS: TÔ ME DANDU MTU BEINS COM A MULHERADA!!! TÔ NEM AÍ!!! TÔ NEM AÍ!!! quem mi quiser é só vim aqui!!! HUAHUAHUA...
blog da £@u®@, segunda-feira, 21:13 discubri o blogui do rodrigo... odeiu eli... mi odeiu...
blog da MaRtInHa, segunda-feira, 23:00 evolução
os dias passam, a idade chega e mesmo assim as pessoas não evoluem, não crescem, não viram adultos... a maioria das meninas é assim: acredita em tudo que os meninos dizem pra ela... e olha que sou novinha pra prestar atenção nestas coisas, mas é verdade... eu tô mais descolada que muita garota por aí, mas não vou deixar de tirar minha casquinha... facilitou comigo, tô beijando, não importa se tem alguém ou não... sou novinha, não bobinha, né??
Entendo perfeitamente o motivo pelo qual a associação de dieta e ginástica é infalível pra ficarmos com o corpinho bão: é remorso. Remorso puro.
Convenhamos, fazer exercício dói. Tá certo, melhora com o tempo e fica até gostoso, vicia e coisa e tal, mas no começo dói. Pra burro. Muito. Chega a tremer. E não, não estou fazendo drama, essa é a vida como ela é. Depois de nos matarmos na academia, é sacanagem escorregar na alimentação.
Ontem, depois da aulinha que me exauriu (estou recomeçando, baby steps), duvidei que podia descer a escada. Minhas coxas olhavam pra mim, perguntando "tem certeza? Não dá pra ficar aqui em cima mesmo?". Expliquei que não, que a gente tinha que ir pra casa, que a Tati iria dar banho nelas e passar creminho, que ia valer a pena. Juro que elas miaram de volta.
Lembra quando assistimos aquele filme do Charles Bronson juntos e você ficou me falando que aquilo é que era filme enquanto eu achava um horror?
Lembra quando eu aprendi a estourar pipoca na casa de sua tia e a gente comemorou com uma garrafa de Sidra que estava jogada desde o último Natal?
Lembra quando eu te conheci, ensinando o seu sobrinho a empinar pipa e jogar bola na rua da minha ex-casa?
Lembra da gente se ligando de madrugada, eu me escondendo dos meus pais pra atender o telefone lá na sala sem ninguém ouvir?
Lembra daquela vez em que a gente foi lá no Astor e de tanto se beijar nem percebemos que o couro rasgado da poltrona tinha desfiado a minha meia?
Lembra dos nossos concursos pra ver quem fazia a maior bola de chiclete?
Lembra que você tentou me ensinar o que era futebol e ficava repetindo a escalação do seu time quinze, vinte vezes seguidas pra mim?
Lembra da vez em que você me fez a sua primeira declaração de amor, naquela tempestade com a gente na rua sem um guarda-chuva?
Lembra que a gente resolveu se beijar ali mesmo, sentados na calçada, e passou o resto da chuva se beijando?
Lembra da nossa primeira vez, escondidos naquele banheirinho minúsculo da sua casa, onde só cabia uma pessoa sentada ou duas de pé?
Lembra?
Não lembra?
Ah, vá se foder seu insensível do caralho, cretino, cafajeste! Eu nunca mais quero saber de você, seu idiota, cachorro de uma figa! Morra!
A expressão "estar feliz por alguém" em qualquer das suas conjugações é, talvez, das expressões mais gastas que conheço. Perdeu-se, assim, muito do seu sentido profundo.
Estar feliz por alguém hoje significa, quase sempre, que reconhecemos a felicidade do outro, o mais das vezes, de uma perspectiva formal - sabemos que é caso para estar feliz - do que de uma perspectiva material - compreendemos porque se está feliz.
No entanto, estar feliz por alguém não é nada disso. É um estado de empatia emocional raro. Diria mesmo uma simbiose emocional, em que a felicidade de alguém é de tal modo compreendida e assimilada que se torna a nossa felicidade.
Este estado tem algo de maravilhoso e místico, pois convoca uma ideia de partilha com algo maior do que nós. As razões da nossa felicidade não são as nossas razões senão na medida em que são as razões de alguém que amamos. Desculpem a suposta foleirice mas neste âmbito love is the way. Apenas podemos estar feliz por alguém que verdadeiramente amemos.
Eu não estou triste, diria, aliás, que estou num período de euforia na minha vida, controlada durante mais alguns dias, em que muito de estrutural está a mudar, como grandes embates tectónicos que dão nova forma aos continentes. Não se trata pois de um período em que o léxico se povoe de palavras como tristeza ou felicidade, mágoa ou alegria. Não fazem sentido estas palavras pois vive-se num plano simultaneamente mais intelectual e, sobretudo espiritual.
Apesar disto, deste meu embotar dos sentidos, desta letargia emocional, que espera os próximos meses para a sua imanência, hoje senti por alguém. Senti a felicidade por alguém. E aí encontrei a dupla sensação. A primeira, da felicidade ela mesma e a segunda, de uma constatação imediata que nunca aquela felicidade poderia advir de mim, unicamente. Eu, além de estar feliz por alguém, estava feliz devido a esse alguém. Sentia a sua felicidade e ela era, subitamente a minha. Um caso de concordância literal. Eu....estou.....feliz.... por/ através/ por meio de alguém. De alguém em que vejo um passado comum, por alguém em que compreendo as cores primárias das emoções: alegria, tristeza, melancolia. Por alguém em que sei os percursos possíveis. E onde por eles se pode encaminhar a mim a felicidade.
Vim para casa feliz. Como não o poderia estar neste momento, sem acontecimentos na minha vida que o permitam. Quanto muito um entusiasmo passageiro de fraca intensidade. Aliás, só contava estar feliz lá para o final do próximo mês... ok...ok...deixemos as brincadeiras.
Estou feliz por ti. Sinto a tua felicidade e ela é a minha. Como a minha é a tua, indistintamente. Sinto a tua esperança e ela é a minha esperança. O teu desejo, o meu desejo.
Estou feliz por ti. Através de ti estou feliz. Estou feliz em mim. Eis a sequência do amor partilhado. E uma das suas mais magníficas capacidades.
Last, but jamais least, agradeço a Suzi Hong. Assim como a todos os leitores que não se manifestaram através de e-mails ou comments (ou que esqueci de citar - deixem seu puxão de orelhas no espaço dos comentários!), e que por isso não foram citados neste trabalhoso post.
Jamais esquecerei da história de Milene Modesto, 28, estudante de pós-graduação da USP.
Às 23h40 do dia 22 de outubro de 1999, Milene acabara de sair do trabalho, na Avenida Paulista, quando foi atingida por um carrinho de transporte de cargas que despencou do 25º andar de um edifício em obras. Um acidente infame, inaceitável, absurdo.
Se Milene tivesse parado em uma banca de jornais para comprar um Hall's, teria escapado do acidente. Se sua mãe tivesse telefonado e pedido para a filha comprar pães antes de voltar para casa, teria escapado do acidente. Se os passos de Milene fossem mais apressados, ou mais pausados, ela poderia estar viva hoje, quiçá escrevendo um blog.
Tudo na vida pode ser uma questão de timing. Do alimento um dia fora de prazo de validade ao reencontro de velhos amigos em um elevador que quase fecha suas portas; do milésimo de segundo que decide um campeonato de atletismo ao roqueiro avant la lettre cujas músicas foram esquecidas; do site que seria um sucesso financeiro caso tivesse surgido antes do estouro da bolha aos quadros que Van Gogh não vendeu em vida.
Acordei hoje, às seis e quinze da madruga, com o rádio-relógio berrando em meus ouvidos. Enquanto tomava café, tive uma idéia genial para um post. Contudo, precisava sair para o trabalho. Seis horas de expediente no banco depois, com os neurônios devidamente anestesiados, sobre o que mesmo iria escrever?
A primeira coisa que noto no garoto postado à frente dos carros é a ausência de sapatos em seus pés. Depois, as indefectíveis bolas de tênis em suas mãos. Pergunto-me: quem terá sido o primeiro pedinte a fazer malabarismos com bolas em uma esquina? Ah, se ele pudesse cobrar royalties pela idéia que criou. Mas enfim, tergiverso.
Percebe-se de cara que o garoto ainda peca pela inexperiência. De tão concentrado em jogar as bolas no espaço, esquece de coletar suas moedas. O som de uma buzina o arremete de volta ao planeta Terra: sinal verde, nenhuma esmola recebida. É o custo do aprendizado.
Quando vi Monica Vitti entrando em cena no filme A Noite, de Michelangelo Antonioni, meu coração passou a bater em ritmo de Olodum. Que mulher! Sua presença magnética mesmerizou meus sentidos.
Mas o filme é de 1961, e eu sou apenas um pobre cinéfilo latino-americano. Que pena, Ms. Vitti! Ok, talvez nós tivéssemos alguns problemas de comunicação. Afinal de contas, do italiano só sei balbuciar algumas parcas frases como "tutti buona gente", "porca puttana" e "dá-me um Cornetto". Enfim, nada que a boa e velha linguagem corporal não resolvesse. Pena, no entanto, que acabamos nos desencontrando de gerações. Pelo mesmo motivo meus promissores relacionamentos com Louise Brooks e Hilda Hilst não deram certo...
Simples assim: André se apaixonou por Dulce, e vice-versa. Mas Dulce era noiva de Marcos, e relutou em abandonar uma relação segura por conta de um impulso que poderia ser passageiro. Ficaram juntos duas, três vezes. Depois, pararam de se encontrar a pedido de Dulce, que não se sentia bem em trair seu noivo. André amargou alguns meses ouvindo Billie Holiday na penumbra de seu quarto, mas superou o baque.
Um ano depois, Dulce telefonou para André. O noivado havia sido rompido, ela não conseguiu esquecê-lo durante esse tempo todo, etc etc. André também não esquecera de Dulce, mas aprendera a conviver com sua ausência. Tanto que encontrou uma namorada, Bárbara, com quem vivia uma relação estável e feliz. Dulce quis marcar um encontro no Conjunto Nacional, lugar onde trocaram tantas palavras de paixão não-consumada. Por um instante André hesitou, perambulando na corda bamba da nostalgia. Mas acabou declinando do convite: não valia a pena buscar o pássaro voando.
Após passar 44 dias preso em uma caixa suspensa sobre o Rio Tâmisa, em Londres, o ilusionista David Blaine finalmente saiu de seu confinamento voluntário. Consta que durante esse período Blaine não se alimentou e consumiu apenas água. Sua saída da caixa, ocorrida na tarde de ontem, atraiu cerca de 250 mil curiosos que se acotovelaram para testemunhar o singelo fato. Curiosamente, esses incautos mal ligam para os milhares de africanos e latino-americanos que passam fome ao redor do mundo. Época fascinante essa que vivemos, não?
Em tempo: David Blaine vendeu os direitos de divulgação de sua "façanha" para as emissoras britânicas Sky TV e Channel Four por aproximadamente 1 milhão de dólares. Taí: essa sim foi uma proeza que merece minha admiração.
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Sek Yi, considerado o homem mais velho do Cambodja, morreu hoje aos 122 anos de idade, deixando sua mulher de 108 anos e mais 12 filhos, 70 netos e cerca de 420 bisnetos. Segundo o cambojano, o segredo de sua longevidade foi o tabaco que fumava. Infelizmente Sek Yi bateu as botas antes que fosse convidado a estrelar um comercial da Marlboro no qual pudesse exibir sua silhueta de 122 anos com corpinho de 121.
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Recordar é viver. Em 2001, dois anos antes de assumir a Presidência, Lula fez a seguinte declaração à Folha de S. Paulo: "Eu sou radicalmente contra [a liberação dos transgênicos] e acho um retrocesso o governo fazer isso. Isso, na verdade, está acontecendo porque mais uma vez a elite política deste país se rende ao fascínio de uma multinacional". Tal declaração me remeteu a uma outra cometida por seu antecessor, FHC: "Esqueçam tudo que eu escrevi". Amnésia seria um efeito colateral comum a todos que tomam posse da Presidência do Brasil?
Em tempo: o gif acima foi extraído do Mundo Perfeito, que finalmente voltou ao ar em versão remixada e remasterizada. Visitem-no djá!
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Não vou negar: me é deveras agradável apreciar a imagem acima. A foto de Britney Spears faz parte de um ensaio de James White para a revista masculina Esquire. A publicação, cuja equipe de colaboradores já contou com escribas do naipe de Ernest Hemingway, J. D. Salinger, Norman Mailer, Tom Wolfe e F. Scott Fitzgerald, completou sete décadas de circulação este ano. Conhecida por ter abrigado em suas páginas textos como "Frank Sinatra Has a Cold" (antológico perfil escrito por Gay Talese, tornado material obrigatório de estudos em qualquer faculdade de Jornalismo que se preze), a Esquire influenciou algumas das melhores revistas já publicadas no Brasil, como Senhor e Realidade.
Quanto à foto, ela faz parte da matéria "70 Anos de Mulheres que Amamos", que além de Ms. Spears apresenta, em sua versão online, mais de uma centena de outras musas para todos os tipos e gostos: Asia Argento, Jennifer Connelly, Julie Delpy, Kirsten Dunst, Isabelle Huppert, Marg Helgenberger, Charlize Theron, Zhang Ziyi... Retoricamente, o site da Esquire me pergunta: "Isn't it great to be a man?". Enredado pelas fotos de Monica Bellucci, deixo que o silêncio responda por mim.
A partir da zero hora deste domingo entrou em vigor o horário de verão. É a 30ª vez em que esse sistema é implantado no Brasil, e a 16ª consecutiva em que sou obrigado a adiantar meu relógio em uma hora. Ok, eu sei que a causa é nobre e visa a economia de energia no país. Se eu morasse no Rio de Janeiro provavelmente estaria mais feliz, pensando na hora a mais que teria para pegar sol em uma praia. Mas, como moro na cinzenta Sampa City, o único pensamento que me vem à cabeça é: "putz, perdi uma hora da minha vida, e justamente do meu final de semana".
Tenho uma relação conflituosa com o tempo, o que talvez justifique minhas horas de insônia. Não consigo digerir bem o fato de que cada minuto que passa é um minuto que se vai para sempre. Sinto que dormir é permitir que momentos preciosos sejam carcomidos de nosso limitado prazo de vida, e que eu poderia estar fazendo coisas bem mais interessantes que roncar e babar no travesseiro enquanto o mundo lá fora gira sem parar. Sim, eu sei que este é um pensamento radical e que dormir é imprescindível para o repouso de meus combalidos neurônios, mas não posso evitar a sensação de desperdício. Em certos momentos, fica retinindo em minha cabeça aquele aforismo de Machado de Assis: "matamos o tempo; o tempo nos enterra".
Enquanto ainda reluto em ir para a cama e dar mais um gostinho de vitória a Morpheus, aproveito para republicar um poema que escrevi sobre o Tempo, esse bicho esquivo. Aos leitores mais antigos deste blog, perdoem-me pelo déjà vu.
* * * * *
Tempo aos meus avós
Ponteiros são nada;
tempo não se ata a números.
Tempo é bicho sem Deus,
livre, deliciosamente livre.
Tudo é a sua morada.
Tempo cura tudo,
tempo não tem cura.
Sem como nem porquê
tempo vai passando.
Tempo, até quando?
Tempo é o verde do broto,
tempo é o verde do mofo.
Tempo é aprendizado e esquecimento.
Tempo é menarca e menopausa.
Tempo é menos.
Tempo é o sangue cicatrizado na pele.
Tempo é a dor de um parto.
Tempo é um filme cujos atores morreram.
Tempo é computador ultrapassado.
Tempo é a chuva e o rosto em silêncio.
Tempo é carro preso no engarrafamento.
Tempo é o pó na fotografia dos pais.
Tempo é a fúria de dois corpos na cama.
Tempo é o som das folhas libertando-se do galho.
Tempo, serpente afirmadora da vida.
Tempo passa passa tempo,
passa rápido passa lento.
Sem trilhos, corre como trem.
Sem asas, voa feito avião.
Sem pena, vai.
Tempo é aceitação.
* * * * *
P.S.: a animação (nitidamente inspirada por M.C. Escher) que ilustra este post é de Makoto Nakamura, cujo site encontrei graças a uma dica de Nemo Nox.
Pense em expressões como "acabamento inicial", "brinde pago", "descer para cima", "criar velharias", "labareda de água", "unanimidade parcial", "chuva seca", "surpresa esperada", "exultar de tristeza" ou "elo de separação". Soam estranhas, não?
Depois, leia este relatório do IBGE, segundo o qual apenas 14,2% dos domicílios brasileiros possuem computador. Pior ainda: somente 10,3% possuem conexão à Internet. Compare tais estatísticas com este artigo pessimista de Robson Pereira, que cita uma pesquisa da Forrester Research segundo a qual 79% dos entrevistados, todos usuários ativos de Internet, jamais haviam ouvido falar em blogs, e apenas 2% desses já haviam navegado em pelo menos um.
(Ok, pese na balança o fato de que 87,45% de todas as estatísticas são furadas.)
Mas enfim, todo esse preâmbulo serviu para que eu expressasse minha surpresa diante da ilustração abaixo:
A despeito da iniciativa simpática do Bruno em me incluir nesse teste, o fato é que a expressão "blogueiro famoso" me soa tão paradoxal quanto falar em "conclusão parcial", "goteira no chão", "enfrentar de costas" ou "prefeitura estadual". Ninguém ainda me reconheceu no meio da multidão, nenhuma fã me parou no meio da rua para pedir um autógrafo em seu sutiã e o Gilberto Braga também não me chamou para fazer uma ponta em sua nova novela.
Não, eu não seria hipócrita em afirmar que acharia desagradável vivenciar tais situações (ok, minha namorada ficaria deveras emputecida com relação à segunda hipótese; fora isso, tudo zen). Afinal de contas, receber convites para festas e bocas-livres seria um bálsamo para meu adoentado saldo bancário. Única razão, aliás, que motivou a minha inscrição no iBest - a propósito: votem em mim e ajudem este incauto a tentar faturar os R$ 10 mil da premiação! :)
De qualquer modo, se ser famoso significa ser enfileirado junto a instant celebrities como Maria Eliane Lima Araújo, Leonardo Senna, Paula Jones, Eric Moussambani ou Rosemary Mello, passo convictamente meus quinze segundos de fama para o próximo da fila. Ah, mas você nunca ouviu falar nesses nomes? Que bom pra você.
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Enquanto tento colocar minha correspondência pessoal em dia, seguem alguns recados e recomendações:
- Sim, gostei bastante do primeiro álbum de Maria Rita Mariano. Não, não vou tecer comparações com sua mãe, que eu não agüento mais ver textos citando sua herança genética. Atenho-me, pois, a dizer que a versão que Maria Rita fez de "Encontros e Despedidas" (da dupla Milton Nascimento & Fernando Brant) é uma das três melhores gravações brasileiras do ano (ao lado de "O Silêncio de Iara", de Guinga, e "Hoje Mesmo", de Nando Reis), e que vale a pena ler o post do Zé Carlos comentando o hype em torno de seu lançamento.
- Mais gente precisa descobrir o blog de Milton Ribeiro.
- Ainda nesta semana finalmente quitarei uma dívida contraída desde o dia 20 de julho.
Nos tempos cínicos em que vivemos, nada é mais fácil e óbvio do que falar mal do amor, esse vírus que faz com que casais pareçam regredir anos no tempo. Sim, eu confesso: sou desses caras que criam para a namorada apelidos bobões, e que recebem em troca tratamentos mais melosos ainda, do tipo "gatesouro" e "gatesuda" (ok, eu vi você meneando a cabeça aí). E quando eu não me canso de dizer que amar hemburrece, é exatamente por causa dessa espécie de reações: quando estamos apaixonados, passamos a agir como se vivêssemos uma nova infância.
Uma criança percebe o mundo como uma constante inovação, guardando dentro de si a invejável capacidade de ainda se surpreender com o universo à sua volta, assim como de questionar hábitos que repetimos mecanicamente no script há tempos decorado da rotina diária. Por isso, ainda é capaz de enxergar em uma nuvem um hipopótamo que planta bananeira, de se perguntar por que cargas d'água o céu é azul, ou de transformar bolhas de sabão em planetas e cometas fugazes. Porque amar ressuscita dentro da gente essa criança inquiridora e deslumbrada. De repente, não mais que de repente, passamos a vislumbrar o cotidiano com olhos generosos, capazes de resgatar graça onde antes não havia nada além do banal.
Quando visitei pela primeira vez o blog escrito a quatro mãos escrito por Mario AV & Adri Patamoma, eu me li em muitas das situações vividas por eles. Porque um casal apaixonado é como um par de crianças redivivas que reaprendem a encontrar magia em atividades cotidianas como folhear revistas em uma banca de jornal, montar quebra-cabeças ou comer os pastéis de Belém do Habib's.
Enfim, todos esses pensamentos me remeteram a um romance que li há alguns anos: Adolpho, publicado em 1816 pelo francês Benjamin Constant (traduzido no Brasil por Carlito Azevedo). Em uma de suas passagens, Constant afirma: "O amor supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica. Todas as outras afeições necessitam de um passado: o amor cria, como por encanto, um passado de que nos cerca. Dá-nos, por assim dizer, a consciência de havermos vivido anos a fio com alguém que há pouco era quase um estranho. O amor é só um ponto luminoso, e, contudo, parece apoderar-se do tempo. Há poucos dias não existia, logo mais, deixará de existir: mas enquanto existe esparge sua claridade sobre o tempo precedente e sobre o tempo que o sucederá".
Sábias palavras. Espero, no entanto, que esse ponto luminoso perdure por mais tempo que o previsto pelo ceticismo do escritor.
Pra falar a verdade, nem me lembro mais quando foi a primeira vez que troquei idéias com Augusto Sales, esse carioca malemolentemente sanguibão que, a partir de suas atividades como editor da revista eletrônica Falaê!, juntou toda uma pá de camaradas que andavam dispersos por entre sites, e-zines, blogs e listas de discussão. Graças aos esforços congregadores de Mr. Sales, escritores, jornalistas, agitadores culturais, ilustradores, músicos e malucos em geral que zanzavam trocando idéias pela Internet encontraram-se finalmente em um mesmo site, e posteriormente in loco em diversas reuniões de pauta "convocadas" em mesas de bar Brasil afora.
Sim, a coisa promete: a revista-livro Paralelos sai ano que vem em três edições iniciais: (I) prosa (contos), (II) crônicas e ensaios e (III) poesia, cada qual com dois volumes, Paralelos (reunindo textos de escritores do Rio) e Conexões (abrigando autores "off-RJ"). Enquanto isso, o site retomará os passos ensaiados pelo Falaê, concentrando seu foco no trabalho de garimpagem de novos valores, na discussão da literatura contemporânea e na divulgação de eventos literários.
Reitero, pois, o convite feito por Augusto Sales a todos os internautas e amantes das letras: o projeto Paralelos será lançado neste sábado, dia 18 a partir das 17h, no Armazém 5 do Cais do Porto, dentro das atividades da terceira Primavera dos Livros do Rio de Janeiro.
Ontem foi exibido o último capítulo de Mulheres Apaixonadas, novela que, bem ou mal, acabou mobilizando o país com seus dramas sobre mulheres que apanharam do marido, sofreram de alcoolismo, foram ciumentas patológicas, apaixonaram-se por padres, maltrataram os avós, mantiveram-se virgens até o casamento, tiveram péssimas mães, penaram para assumir seu lesbianismo, yada yada yada. O que me leva a pensar que essa novela do Manoel Carlos teria sido melhor batizada com um título homônimo ao do filme de Almodóvar: Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.
Por mais que seja "politicamente correto" negar o acompanhamento diário desse teledramalhão, o fato é que foi quase impossível fugir das repercussões causadas por essa produção da Rede Globo. Até o meu insuspeito pai me surpreendeu ao comentar, durante o jantar de ontem, que o capítulo final revelaria que a professorinha Raquel estaria grávida de seu ex-aluno Fred. Mesma coisa no banco onde trabalho: caixas e clientes, no intervalo entre uma e outra autenticação, debatiam animadamente quais seriam os destinos de cada personagem. De resto, um fato usual. Já há alguns anos, as soap operas globais, por mais imbecilizantes que possam ser, acabam por se tornar espelhos do zeitgeist tupiniquim.
Mesmo que ao seu modo um tanto quanto melodramático de ser, novelas têm marcado o imaginário coletivo brasileiro ao exibir cenas que sintetizam algumas das maiores aspirações, frustrações e desejos dos brasileiros em geral, vide a banana mostrada pelo empresário corrupto Marco Aurélio ao fugir do Brasil na novela Vale Tudo (1988), a morte do taxista Carlão abraçado a uma mala cheia de dinheiro roubado em Pecado Capital (1976), Sônia Braga exibindo suas fartas curvas ao pegar uma pipa de cima de um telhado em Gabriela (1975), Charlô e Otávio se afogando em uma batalha-pastelão de tortas em Guerra dos Sexos (1983)...
Mulheres Apaixonadas fica marcada ainda pelo modo invasivo como suas tramas infiltraram-se na vida real. Por exemplo, ao reunir milhares de pessoas na praia de Copacabana no dia 14 de setembro, durante as gravações de uma passeata organizada para protestar pelo assassinato de Fernanda, uma... personagem (morta na ficção por uma bala perdida). Ok, a produção da novela aproveitou a ocasião para apoiar causas como a aprovação de um estatuto no Congresso que prevê a anulação de todos os portes de armas em vigor no país. Mas não deixa de ser sintomático o fato de que foi a partir de uma ficção que essa passeata ganhou forma (inclusive com a participação dos ministros da Justiça e das Comunicações, que caminharam ao lado dos atores do folhetim global). De resto, um caso que já teve precedentes significativos como o da novela O Rei do Gado (1996), na qual os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Benedita da Silva (PT-RJ) participaram das gravações do velório de Caixas, político fictício interpretado por Carlos Vereza na trama de Benedito Ruy Barbosa.
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Costuma-se dizer que, depois da Presidência da República, o cargo mais importante por aqui é o de técnico da Seleção Brasileira de futebol. Pois eu complemento essa frase afirmando que a terceira posição mais influente neste país é, indubitavelmente, o de autor de novela das oito.
Se eu ocupasse tal "cargo", eis um Top 5 de coisas que eu faria questão de fazer em meu folhetim:
1) Chamar o Guinga para compor toda a trilha sonora. Só assim para fazer com que as massas comecem a devorar esse biscoito fino da MPB;
2) Escrever uma cena na qual a vilã da minha soap opera, após cuspir na avó, chifrar o marido (dono de um orfanato), dar uma surra de chinelo na enteada (uma "adorável" pentelhinha a la Salete) e roubar a caixa de esmolas da igreja, leva seu cachorrinho para passear em uma rua e leva uma tremenda bronca de um senhor indignado com o fato dela não recolhido o cocô de seu poodle. Após um diálogo ríspido no qual minha vilã diz que limpar merda da calçada é coisa de suburbano com complexo de inferioridade, ela pisa em uma casca de banana e cai estatelada em cima dos resíduos digestivos de seu totó. Seria um cena extremamente catártica para todos que já tiveram o desprazer de pisar em bosta de cachorro;
3) Criar uma personagem que seja bacana sem ser banana, e bonita sem ser ordinária. Quem leu o artigo de Arthur Dapieve no No Mínimo já sabe quem seria a mulher perfeita para esse papel: DaniellaCicarelli. Que seria o veículo perfeito para, entre um amor e outro, divulgar versos de poetas que merecem ser melhor conhecidos, como Tite de Lemos, Orides Fontela e Cacaso;
4) Fazer com que um dos personagens principais sofresse um acidente e se tornasse tetraplégico. Seria o mote para abordar os problemas sofridos pelos deficientes físicos no Brasil e suas dificuldades em se integrar a uma sociedade que, por causa de detalhes bobos, torna desnecessariamente complicadas rotinas prosaicas como pegar um ônibus, ir a estabelecimentos que não possuem rampas e estacionamentos específicos ou tomar um mero chopinho num bar. Colaboradores da Rede Saci como os blogueiros Tchela e Paulinho seriam valiosos consultores para este plot da novela;
5) Escrever um último capítulo sem nenhuma cena de casamento, nascimento de bebê, morte (ou internamento no hospício) de vilão e festa reunindo todo o elenco.
P.S.: as ilustrações deste post são de Baltazar Paprocki, e foram produzidas originalmente para o site Humor Tadela.
10.10.03 Para quem ainda não sabe, Pensar Enlouquece concorre ao Prêmio iBest 2004 na categoria Melhor Blog. Para votar, basta clicar aqui, preencher um cadastro (que é simples mas chatinho: desde já agradeço a todos que se dispuserem a fazer este "sacríficio" por mim) e cumprir assim o seu dever de cidadão. A propósito, vale a pena fazer um esclarecimento: em todas as categorias do Prêmio iBest, você pode votar em até três sites. Portanto, se você já votou em apenas uma ou duas páginas na categoria iBest Blog, saiba que ainda pode completar a sua "chapa".
Para dar uma força à minha campanha, meu cumpadi André "Marmota" preparou um santinho de divulgação. Além de divulgar Pensar Enlouquece no iBest 2004, o selo abaixo também é ótimo para espantar moscas do monitor:
Em tempo: o site dos Virunduns também participa do iBest 2004, mas na categoria Páginas Pessoais - Entretenimento, assim como o InterNey, de cumpadi Edney Souza, concorre na categoria Páginas Pessoais - Internet & Tecnologia. Vote e coopte ainda seus pais, irmãos, colegas de trabalho, vizinhos, a galera da academia, amizades coloridas, aquele conhecido da reunião do condomínio e todos aqueles que possuam CPF próprio: a casa penhorada agradece!
Peço licença à minha insônia apenas para reiterar, mais uma vez, a minha admiração pelas fantásticas fotomontagens de Scott Mutter. Um artista que, sem pestanejar, coloco ao lado de Júlio Cortázar, M.C. Escher, Murilo Rubião, Man Ray, Federico Garcia Lorca, René Magritte e Campos de Carvalho em minha lista de transgressores que admiro pela capacidade de reinventar nossa embotada realidade com suas obras.
Há quase cinco meses discorri aqui a respeito do impressionante boom de novos blogs que surgia em Portugal. Pois bem: hoje a impressão que tenho é de que a cena lusitana já supera a brasileira em muitos aspectos, que vão desde a reverberação do fenômeno "blog" junto à mídia e meios acadêmicos até a quantidade de visitas de suas páginas mais conhecidas. Alguns dados para ilustrar o que digo:
- O sítio mais visitado da blogosfera portuguesa, O Meu Pipi, com seis meses de existência já angariou uma média diária de 5.000 page views (no Brasil, acredito que apenas o Kibe Loco alcança esses números sem depender do suporte de um grande portal). Os comentários de seus posts freqüentemente chegam à casa dos milhares (um de seus textos, singelamente intitulado "Cultura Fodenga Portuguesa", recebeu nada menos que 2.760 comments). Para quem não conhece O Meu Pipi (sem trocadilhos, por favor), digo que vale a pena visitá-lo: é um blog pornográfico, misógino, desbocado e, talvez este seja o seu "pulo do gato", extraordinariamente bem redigido (caso raro em se tratando de escritos sobre sexo). Não é exagero afirmar que a página tornou-se um fenômeno: seus textos circulam até mesmo entre quem nunca ouviu falar em blogs, através de e-mails que reproduzem seus últimos posts. O que faltaria ao autor do site, que insiste em se manter anônimo? A publicação, é bóbvio: exatamente nesta terça-feira, dia 7, chega às livrarias de Portugal a primeira edição de "O Meu Pipi", o livro.
- Outros cases: o Abrupto, escrito pelo jornalista, escritor e eurodeputado José Pacheco Pereira, mantém respeitável média diária de 4.100 page views tratando de assuntos aparentemente áridos como política internacional e poesia contemporânea. Já o Gato Fedorento (blog humorístico com 2.600 page views por dia), do quarteto Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela, virou programa de televisão e coluna de jornal.
- Ao contrário destas plagas, nas quais matérias de jornais e revistas sobre blogs ainda recorrem à surrada definição de "diários online", em Portugal discutem temas como a info-overload (ou seja, o aumento crescente de blogs a serem lidos), o speed-writing (em que o desejo de comentar rapidamente os assuntos do dia reduz o tempo para reflexão), análises sociológicas a respeito desta nova era em que o consumidor de notícias também pode ser produtor, o "mito" (ou não) da democratização da produção de conteúdo por meio dos blogs, etc etc. Além disso, no mês passado a Universidade do Minho organizou o 1º Encontro Nacional sobre Weblogs. Em outubro, será a vez da Sociedade de Geografia de Lisboa preparar nova reunião de blogueiros, abordando temas como limites legais, esfera anônima versus assinada e a relação entre blogs e jornalismo. Por aqui, o assunto ainda é relegado a cadernos "teen" e de informática, e recebeu poucos estudos e análises de porte.
Qual a razão de trajetórias tão diferenciadas entre a blogosfera brasileira e a portuguesa? O principal motivo, a meu ver, vem de berço. Enquanto na Terra Brasilis os pioneiros foram nomes desconhecidos da imprensa tradicional (com a exceção de Cora Rónai), em Portugal o movimento só se popularizou a partir do surgimento dos blogs de jornalistas e escritores que já possuíam espaço na mídia impressa, como Pacheco Pereira, Miguel Esteves Cardoso e Francisco José Viegas. Houve, pois, um processo de difusão que começou de cima para baixo, ao contrário do cenário brasileiro no qual internautas anônimos a princípio (como Daniela Abade e Nelito Fernandes) utilizaram-se do Blogspot para divulgar seus trabalhos.
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Para saber mais:
- .:: Blogs ::. - Excelente histórico da profusão dos blogs em Portugal, escrito por Antônio S. Silva. Inclui uma entrevista com o autor de O Meu Pipi.
- Metablogue - Sítio que compila posts com reflexões, análises e considerações sobre o ato de blogar.
Segundo nossa legislação, eleições são marcadas para o primeiro domingo de outubro. Ano que vem, pois, por livre e espontânea pressão, seremos obrigados a cumprir nosso dever cívico no dia 3 de outubro, data na qual escolheremos novo prefeito e vereadores. Segundo a Justiça Eleitoral, cada candidato obrigatoriamente precisa estar filiado a um partido com antecedência mínima de um ano antes das eleições. Resultado: um corre-corre de políticos que apressaram suas mudanças de legenda na última sexta-feira. Foram quase 130 trocas de partido desde as eleições de outubro de 2002: é brincadeira?
Por que não se implementa logo uma reforma política que seja capaz de brecar essa barafunda? Para responder a essa pergunta, é preciso recorrer à emblemática afirmação do parlamentar paranaense Ricardo Barros (PP): "Tem deputado que só sabe ser governo. É como biruta de aeroporto: vira o vento, ele vira também". Dois exemplos sugestivos: o PL, partido do vice-presidente José Alencar, elegeu apenas 26 deputados e agora está com 42. Enquanto isso o PSDB, legenda do ex-presidente Fernando Henrique, agora que está na oposição viu sua bancada na Câmara minguar de 63 para 52 representantes.
Sobre essa zona, declarou o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB): "Eu acho que, enquanto não houver uma reforma política, vamos continuar nessa verdadeira prostituição de partidos políticos, de filiação partidária e troca-troca de partidos". Assino embaixo, em cima e dos lados dessa afirmação. Afinal, o que dizer de exemplos como o do deputado carioca Mattos Nascimento, que, eleito pelo PSDB, já passou por PMDB, PST, PRTB, PSD e, ao menos que eu saiba, está atualmente no PL?
Assim como um político deveria ser proibido de mudar de legenda da mesma maneira que um jogador de futebol troca de camisa, uma reforma precisa resolver absurdos como a existência de "legendas de aluguel" (atualmente existem 27 partidos registrados no TSE) e a obrigatoriedade do voto, que faz com que milhões de eleitores desinformados (e desinteressados) cumpram seu "dever cívico" sem qualquer consciência ideológica, decidindo os rumos de seu país à base de campanhas publicitárias, brindes recebidos ou fotogenia dos candidatos.
Mas enfim, sonhos sonhos são.
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Enquanto isso, o estado da Califórnia se agita com as eleições para governador que ocorrerão no próximo dia 7. Nada menos que 135 candidatos disputam a cobiçada vaga atualmente ocupada pelo democrata Gray Davis, dentre eles uma atriz pornô (Mary Carey, a singela moçoila da foto à esquerda, que se eleita pretende trocar armas de fogo por fitas eróticas a fim de reduzir a violência no estado), um "artista performático" (Trek Kelly) e Larry Flynt, o criador da revista Hustler.
A quantidade hiperbólica de candidaturas se explica: de acordo com as regras do sistema eleitoral da Califórnia, qualquer um que se apresente com uma lista de apoio de 65 assinaturas e que pague a taxa de inscrição de US$ 3.500 pode aspirar ao cargo de governador (democracia pouca é bobagem).
O líder das pesquisas, por incrível que pareça, é Arnold Schwarzenegger, que aos 56 anos aparenta trilhar com sucesso o mesmo caminho de outro ator que, após ter sido eleito governador da Califórnia, chegou à presidência dos Estados Unidos: Ronald Reagan. Ao menos laços sanguíneos com a política ele já possui: Schwarzenegger é casado com Maria Shriver, sobrinha dos irmãos John, Robert e Ted Kennedy. Se ele será um bom governante? Vai saber. Seria bom se ele repetisse a trilha de outro ator, Clint Eastwood, que foi prefeito (muito elogiado, por sinal) em Carmel, Califórnia. Por outro lado, Arnold é austríaco exatamente como... Adolf Hitler. O que não quer dizer absolutamente nada, mas...
Pensando bem, o sistema eleitoral brasileiro já não me soa tão mal assim.
No mínimo, foi uma boa maneira de se começar a semana. Graças ao sempre atento repórter Fausto Rêgo, soube que este boteco virtual foi considerado um dos blogs favoritos do No Mínimo. Obrigado!
P.S.: a reportagem citada por Pedro Dória no texto do No Mínimo está disponível aqui.
3.10.03 25 informações irrelevantes a meu respeito
Ontem, ao ler os comentários do post abaixo, topei com a seguinte mensagem:
"Alguém sabe dizer se a autora desse weblog é jornalista. Preciso desses dados para um trabalho escolar. Tentei o e-mail fornecido, mas não funcionou, houve devolução. Agradeço muito". (Jackson)
Mas enfim, aproveitando o ensejo e na intenção de dirimir eventuais curiosidades, resolvi abrir uma exceção neste blog e publicar um texto sobre a minha pessoa. O leitor assíduo desta página sabe que não sou de ficar falando sobre mim mesmo por dois motivos: a) existem assuntos bem mais interessantes neste mundo; b) este não é um blog confessional. Contudo, depois de ler o comentário acima, percebi que preciso dar eventuais explicações aos incautos que aportam aqui com o bonde andando. Portanto, segue abaixo um rol de 25 curiosidades a meu respeito (mas não esperem nenhuma revelação que vá mudar suas vidas).
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1) Nasci em Campinas, SP, em 27 de julho de 1973.
2) Um ano depois minha família se mudou para Salvador, BA, mas não ficamos muito tempo por lá. Desde 1977 moro em São Paulo, Capital.
3) A lembrança mais antiga que tenho na vida é de um copo que quebrei aos 4 anos de idade. Levei uma tremenda bronca do meu pai.
4) Na primeira vez em que fui a uma praia, as ondas levaram o baldinho azul que eu usava para brincar. Nunca o devolveram para mim.
5) Ainda em Salvador, nasceu a minha irmã Carla.
6) Um ano depois, já em São Paulo, nasceu o meu irmão caçula, Ronaldo.
7) A propósito: sou sansei. Ou seja, neto de japoneses.
8) Sim, eu conheço todas as piadas que envolvem campineiros e/ou japoneses. Surpreenda-me.
9) O único legado de minha cidade é o time pelo qual torço, o glorioso Guarani Futebol Clube.
10) Aprendi a ler e a escrever com Fumio, meu avô paterno, antes mesmo de entrar na escola.
11) Fiz o pré-primário em um colégio estadual chamado Santos Dumont. Uma porcaria (a escola, não o inventor).
12) Lá fui infestado por piolhos pela primeira e única vez na vida. Meu pai tratou de rapar todas as minhas madeixas.
13) O primeiro livro que ganhei na vida, dado pela "tia" Marta, se chamava "A Margarida Friorenta".
14) Depois cursei o primário no colégio Raio de Sol, que ficava na rua Monte Alegre. Idílico, não?
15) Conheci as primeiras paixões platônicas de minha vida no Raio de Sol: Priscila (na 1a. série), Maria Carolina (na 3a. série) e Ilana Muller (na 7a.). Por onde será que andam essas mocinhas?
16) Minha primeira experiência com escrita foi traumática. Eu devia ter uns 7 anos, e a tia Cláudia nos deu a seguinte tarefa escolar: escrever uma carta de Dia das Mães. Queria dizer coisas bonitas para minha mãe, mas as idéias ricocheteavam no meu cérebro sem ganhar forma. Na época não conhecia Hemingway, e portanto não me veio a idéia de enfiar uma bala na cabeça; o que fiz foi desatar a chorar. Ah, como eu era burro.
17) Na verdade ainda sou muito burro. Mas acumulei know-how suficiente pra tapear as pessoas.
18) Meu primeiro disco: "Thriller" de Michael Jackson.
19) Meu primeiro filme no cinema: "Bernardo e Bianca", aquele desenho da Disney.
20) Nessa ida ao cinema, fui levado pela minha tia Emília e seu namorado. Eles aproveitaram a ocasião para dar uma "namoradinha" livres da vigilância de meus avós. Depois da sessão, fomos para a casa do incauto (esqueci o nome dele). Eu, que era ingênuo na época (ainda sou, ho ho), fiquei na sala brincando com uns bonecos Playmobil por mais ou menos uma hora, antes de me trazerem de volta pra casa. Foi um dia bacana.
21) O brinquedo mais bacana que tive: uma bola colorida de plástico que ganhei no Playcenter. Perdi-a ao dar um chute jogando futebol no apartamento em que moro até hoje. A bola voou pela janela e espero que ainda esteja flanando por aí.
22) Também tive ioiô da Coca-Cola, Aquaplay, Merlin, pião, cubo mágico e Elo Maluco (versão da Estrela para o cubo mágico).
23) Nos intervalos das aulas brincava de pega-pega, esconde-esconde e bafo. Sim, confesso que roubava no bafo.
24) Ah sim, eu também costumava roubar balinhas nas Lojas Americanas, com a providencial cumplicidade de meu irmão. Tremenda balela essa de dizer que crianças são inocentes.
25) Depois, fiz o colegial no Bandeirantes. Experiência bacana, uma vez que ganho ingressos de cinema do colégio até hoje.
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Ok, um dia eu continuo essa lista. Em tempo, já viram esta fotinha?
Da esquerda para a direita: Marcos VP (sósia do Lenine), Marmota (sósia do Leandro Lehart), eu (em pose de "conteúdo") e Suzi (gatinha, não?). O cenário é a Galeria dos Pães, a fotógrafa é Thania Thaddeu (mãe do futuro blogueiro Léo) e mais fotinhas bacanas (incluindo uma exclusiva de Ruy Goiaba) você encontra clicando aqui.
Os neurônios se perdem, as veias assumem as rédeas. Como ser racional diante da Beleza? Como provar do universo rubro da tua boca e sair impune? E agora, a cabeça à roda, entôo estrofes descoordenadas. Porque relembro teu sorriso coruscante, e o tempo se esquece de passar.
Em teu olhar, avizinha-se a aurora.
Vamos propagar mentiras mundo afora e sonhar com amores que não se apagam. Vamos amanhecer palmilhando estrelas. Vamos dormir abraçados e jogar os calendários fora. Vamos viver nossa utopia pessoal - sôfregos, alienados, felizes como só os amantes sabem ser.
Em teus braços, eu sinto paz.
Em teus braços, reencontro o útero em que nasci.
Em teus braços, sou cúmplice trôpego de todos os clichês dos apaixonados.
Em teus braços, perscruto a presença de Deus.
Em teus braços, redesenho palavras.
Arranhe minhas costas, desenhe com tuas unhas planetas, cometas, mundos imaginários. Ensine-me as notas que jamais escutei, reeduque meus sonhos embotados. Toque minha alma assim como eu vislumbro teu rosto em cada nuvem no céu.
* * *
Nossos passos rimam pelas calçadas, nossos beijos não têm pressa. Nossos risos uníssonos, nossos sonhos acordados, essa voracidade de estrelas que remoinha o mundo à nossa volta. Até quando?
Tempo é uma conspiração diária que fere aos poucos, erosão escavando o chão sob nossos pés. Tudo passa.
Mas teus lábios me dão o gosto volátil da eternidade.
* * *
Não sei onde você está agora, e tudo é interrogação.
Onde os teus olhos risonhos?
Onde os teus pêlos, a pele arrepiada quando te mordia a nuca?
Onde o teu sexo lasso, lânguido, labiríntico?
Onde o teu sorriso que me entorpecia e iluminava?
Onde as linhas da tua mão, que ensinavam que o futuro é uma pauta em branco?
Onde o til da tua sobrancelha? Onde o vórtice do teu umbigo? Onde os seios tatuados em minhas insônias?
Onde a sanidade que já não me possui? Onde as algemas sob tua pele? Onde as palavras encalacradas na garganta? Onde o perfume do teu desejo? Onde, onde?
Meus olhos insones se perdem procurando teu silêncio reluzindo na escuridão da noite.
* * *
Não, não parta. Sou tolo, sou aprendiz. Já não sei de mais nada, você é minha incógnita e minha revelação. Você me falta e me completa. Teus olhos me falam de novos capítulos que apenas começamos a rascunhar.
Vem, não façamos mais planos. Sigamos com a liberdade de um improviso, enquanto meus passos são guiados pelo teu sorriso...
P.S.: este texto, cuja primeira versão foi escrita originalmente há três anos, foi resgatado do fundo de minha gaveta virtual a pedido de uma querida amiga, que sente falta de meus textos mais, hmm, sentimentais.