Sim, meus caros: ainda convalesço da ressaca pós-upgrade de idade. Mas, antes de dar as mesmas desculpas amarfanhadas de sempre, preciso agradecer de coração a todos os comentários, e-mails e webcards que recebi. Creiam-me, ainda não consegui abrir todas as mensagens, uma vez que ando mais enrolado que língua de sindicalista da CUT (vivo aqueles dias em que a gente é obrigado a espremer cada gota de tempo, sabem como é?).
Enquanto isso, deixo uma sugestão aos felizardos que possuem TV a cabo. Ms. Daniela Abade estará hoje no programa Espaço Aberto da Globo News, conversando com Pedro Bial a respeito de seu primeiro romance Depois Que Acabou. Não percam: é hoje, às 21:30, com reprises na sexta-feira (às 01:30, 08:30 e 15:30).
Com exclusividade para os leitores deste blog, taí o sorriso amarelo de um cara que a partir de hoje é o novo balzaquiano na praça. Sim, 27 de julho é o meu aniversário. Que puxa!
(Ah sim, não posso deixar de agradecer à Bárbara Castelo Branco e ao Paulo E. Miranda, que se deram ao trabalho de ir até o correio para mandar presentes a este que vos escreve: valeu, amigos! Sem esquecer, bobviamente, da Suzi, por fazer parte de minha vida.)
O cotidiano nos torna um pouco esquizofrênicos. Em casa, somos de uma maneira. No ambiente de trabalho, mostramos outra faceta. Com os amigos, afrouxamos as gravatas. No jogo da sedução, tentamos ser mais atraentes do que efetivamente somos. Tantos personagens, carregando um pouco de nós em cada um deles (ou não, como diria o Caetano). Não à toa, autores como Calderón de La Barca, Jorge Luis Borges e William Shakespeare recorrem à metáfora do mundo como um imenso palco no qual todos nós atuamos (alguns mais canhestramente, outros tão exímios na arte de fingir que mal conseguem lembrar como são suas verdadeiras personas).
A Internet nada mais é do que a representação virtual, porém fiel, do teatro do mundo. Sabedora da condição de palco talhado por bits e bytes, a repórter Cindy Wilk escreveu na revista Vip neste mês matéria sobre como os internautas usam o Google para descobrir informações sobre uma pessoa qualquer. A partir desse pressuposto, a reportagem "ensina" como burlar o mecanismo de buscas, construindo para tanto sites de um personagem fictício: Tales Macedo, 28 anos, descrito como "fotógrafo, solteiro e absolutamente cool". Para tanto, criou um blog supostamente descolado, um site de poesias (para mostrar a face "sensível" do rapaz) e um álbum de fotos, que, se visitados por incauto(a)s, em tese encheriam o mailbox com e-mails de interessada(o)s no tal personagem. Uma conclusão um tanto quanto duvidosa, mas enfim: a matéria serve como exercício interessante de ficção.
A seguir, uma historinha para ilustrar este post (que descobri no excelente blog de Antonio Machado). Huang Tzu-Heng, 20, um balconista de loja que vivia em Taiwan, começou a namorar sua colega de classe Hsiao Lan. Embevecido de paixão, Huang, movido por alguma necessidade besta (ah, a estupidez dos apaixonados), decidiu testar a veracidade dos sentimentos da namorada. O rapaz simplesmente teve a pachorra de criar um alter ego com o nickname "Mr. J", e começou a teclar com a menina na Internet. De repente, não mais que de repente, Hsiao se encantou pelo seu amigo virtual. Ao mesmo tempo, omitia sua relação na Web do seu namorado, Huang, que se viu profundamente desgostoso: amantes não deveriam compartilhar todos os seus segredos?
Após algum tempo Hsiao não agüentou mais a situação e abriu o jogo: confessou-se apaixonada por outra pessoa, e propôs o fim do namoro. Huang, rival e traidor de si mesmo, entrou em parafuso e cometeu (outra) tremenda besteira: ateou fogo ao próprio corpo e se matou, deixando duas cartas de suicida. Uma delas, dirigida aos seus pais; a outra, para a ex-namorada. Na carta, Huang escreveu: "Lembra do seu amigo na Internet? Era eu. Mas nunca poderia imaginar que nosso amor chegaria a este fim".
Moral da história? Amar emburrece. Ah sim, e nunca acredite em tudo que lê na Internet. Vai saber se esta não é mais uma lenda urbana...
Para ser feliz
É preciso ter
Este céu azul
Esta imensidão
É fazer das tristezas
Estrelas a mais
E do pranto uma canção
Há um mundo bem melhor
Todo feito pra você
É um mundo pequenino
Que a ternura fez
Além de ter sido um dos humoristas mais talentosos do Brasil, Rogério Cardoso (1937-2003) é o autor da versão em português de It's a Small World, canção que embalou a infância de muita gente. "Captei vossa mensagem, amado mestre!".
23.7.03 Rolos, rolos, rolos. Existem dias que são mais enrolados que linha de pipa, e vivo uma fase assim. Fora os frilas para escrever, estou com dezenas de Torres de Pisa de e-mails para responder: se vocês soubessem (aliás, alguns leitores deste blog sabem) o quanto demoro para retornar minhas mensagens... What a shame, what a shame! Tomando emprestadas as palavras de cumpadi Matusalém Matusca, "existe gente esperando resposta de e-mails desde o tempo em que eles eram conhecidos como telegrama". Não estranhem, pois, se eu andar sumido daqui por algum tempo. Contudo, antes de fazer como o Leão da Montanha e buscar uma "saída pela esquerda", preciso escrever algumas coisas en passant:
* * *
Recebi, como presente adiantado de aniversário, uma legítima camisa do Guarani, exatamente igual ao manto sagrado usado pelo time que foi Campeão Brasileiro de 1978. Todos os agradecimentos do mundo para meu camarada Mauricio Neves: valeu, véi! Em tempo, junto à camisa Mauricio, cujo fanatismo pelo seu Flamengo é tão grande quanto o meu pelo Bugrão, mandou-me uma carta com palavras repletas de sabedoria. Não pude resistir à tentação de compartilhá-las com meus incautos leitores. Ei-las:
"Bravo Inagaki, eis em suas mãos a veste bugrina que dominou o país do ludopédio. Veja como o futebol já foi autêntico: nada de patrocínio berrante, são as cores do time e o escudo, quase uma declaração de amor. Jogava-se por amor à camisa, dizem, mas como não amar uma camisa assim? Sim, parece pequena, mas veja as fotos antigas: as camisas eram coladas aos corpos, os calções eram apertados. Às vezes me parece que esses uniformes folgados de hoje afrouxaram os laços entre clube e jogador".
Subscrevo-as, é bóbvio, na íntegra: bravo, Mauricio!
22.7.03 "Redondamente enganado" é uma expressão que me intriga. Tal combinação de vernáculos teria por acaso surgido a partir de uma besteira dita por algum indivíduo em plena fase de crescimento horizontal? Sei lá eu: tergiverso, tergiverso. Mas enfim, o que eu queria dizer é o seguinte: a não ser que eu esteja redondamente enganado, ninguém que assiste a um filme indiano ou sueco leva um saco de pipocas para dentro do cinema. Você já encontrou algum cinéfilo comendo pipocas ou tomando Coca light enquanto assiste a um filme de Bergman, Kiarostami, Yasujiro Ozu ou Tarkóvski? Nem eu.
A partir desta constatação, que fiz enquanto assistia ao último filme de Jim Carrey (não à toa, repleta de espectadores se fartando com guloseimas e refrigerantes), teci a segunte teoria: a quantidade de junk food consumida durante uma sessão de cinema é inversamente proporcional à exigência intelectual da película projetada na tela. Ou seja, quanto mais "denso" for o filme, menor será o consumo de popcorns. Conclusões que fiz a partir deste raciocínio maionésico:
a) pipocas consomem neurônios imprescindíveis para a devida fruição de uma obra mais complexa;
b) se você for um vendedor ambulante, jamais leve seu carrinho de guloseimas para a porta de um cineclube;
c) oras, é por isso que não entendi bulhufas daquele filme do Sokurov. Malditas pipocas!!!
Como bem escreveu Arnaldo Branco, Fórmula 1 é uma caixinha de câmbio de surpresas. Na última semana, Rubens Barrichello apanhou mais que a Helena Rinaldi na novela das oito. Depois de inúmeras especulações da imprensa inglesa e italiana, que diziam que Rubinho perderia sua vaga na Ferrari e seria rebaixado a piloto da Sauber (atualmente uma espécie de "Ferrari-B"), o piloto brasileiro foi chamado de "mercenário" por Bernie Ecclestone, presidente da Associação de Construtores da F-1. Segundo Ecclestone, Rubinho seria um piloto acomodado com o salário milionário que recebe, por demais submisso e simplesmente incapaz de oferecer real combatividade ao seu colega de equipe Michael Schumacher.
Mas o pior estaria por vir. Schumacão, que segundo Galvão Bueno é "amigão" do piloto brasileiro, mal escondeu o riso ao ver Rubinho atolado no primeiro treino de classificação do GP da Inglaterra, na sexta-feira. Depois, questionou sem meias-palavras o papel de Barrichello na equipe, afirmando que Rubens nunca havia lhe ajudado em nada na Fórmula 1. Realmente é muy amigo esse alemão, não? E isso pra não falar na sua falta de memória desgraçada. Mas, como diria o velho deitado, "nada como um dia após o outro com uma noite no meio".
No sábado, o desprezado brasileiro crava a pole position do circuito de Silverstone, impondo mais de meio segundo à frente de Schumacher, que, ao tentar superar o tempo de Rubens, errou clamorosamente, perdendo o controle do carro e saindo da pista na curva Stowe. Contudo, mais eloqüente que o cala-a-boca de Rubinho foi a expressão de pura decepção solidificada nos rostos de Jean Todt, diretor esportivo, e Ross Brawn, diretor técnico da Ferrari. Será que ninguém na equipe poderia mostrar ao menos um mínimo de felicidade com a belíssima pole conquistada por Barrichello? Enquanto Rubinho acenava solitariamente para as câmeras de TV ao final dos treinos, não pude deixar de comparar a situação do brasileiro dentro da Ferrari com o Dedé Santana dentro do grupo Os Trapalhões: uma escada, eterno coadjuvante inserido ali com o único intuito de fazer as "verdadeiras" estrelas brilharem. E que pode, portanto, ser dispensado com um PT SAUDAÇÕES a qualquer momento. Ou seja, exatamente como aconteceu com o pobre Dedé, alijado sem maiores explicações da Turma do Didi.
Quem assistiu à corrida deste domingo sabe bem o que testemunhou: um show de arrojo e pilotagem de Barrichello, que conquistou ontem o primeiro "hat trick" (pole position, melhor volta e vitória em um mesmo GP) de sua carreira. Foi de dar gosto ver Michael Schumacher, o arrogante chucrute voador, queimar gostoso a língua. Outro resultado efetivo da corrida: é provável que a Ferrari proponha nova renovação de contrato ao brasileiro. No entanto, lanço a questão: será que vale a pena Rubens continuar se dedicando a uma equipe que claramente o relega a segundo plano? Ok, se continuar na Ferrari, Rubinho permanecerá em uma escuderia que lhe dá a chance de ganhar corridas. Porém, à base das migalhas deixadas pelo Schumacão; e sem a menor chance de disputar títulos, a não ser que o alemão quebre a perna como em 1999. Isso basta? É bóbvio que não.
O momento ideal para sair da Ferrari é neste ano, inclusive anticipando-se a um já cogitado pé na bunda. Se Barrichello mantiver no restante da temporada o alto nível que exibiu em Silverstone, seu nome estará em alta no mercado e ele poderá sair por cima, inclusive dando-se ao luxo de esnobar os chefões da Ferrari que sempre o viram como um eterno coadjuvante (ou seja, uma espécie de Wilson Grey do automobilismo). O ideal: bandear-se para a Toyota, equipe com um dos quatro maiores orçamentos da categoria, e que já tentou contratá-lo em 2000.
Com o suporte de uma equipe de fábrica, Rubinho poderia fazer o mesmo papel que cumpriu com maestria na Stewart, escuderia que, com apenas três anos de existência (depois foi comprada pela Ford e rebatizada como Jaguar), conseguiu ganhar uma corrida em sua derradeira temporada. Graças, dentre outros fatores, à reconhecida competência que Rubens possui em acertar carros (aliás, não desdenhem da importância que Barrichello teve no tricampeonato de Schumacher de 2000 a 2002). A Toyota é uma aposta de risco médio: já no ano que vem creio que a equipe japonesa, pelos recursos técnicos, humanos e financeiros que mantêm à sua disposição, terá o mesmo status da Renault de agora. Ou seja, o de uma equipe média que começa a competir de igual pra igual com o triunvirato Ferrari/ McLaren/ Williams.
Quem bem conhece a competência dos japoneses é outro brasileiro: Gil de Ferran, o maior piloto brasileiro que jamais teve a chance de competir em um cockpit de F-1. Com apenas duas temporadas na Indy Racing League, a Toyota fornece os melhores motores da categoria, responsáveis pela mais importante vitória de Gil: as 500 Milhas de Indianópolis deste ano. De Ferran, aliás, é um bom exemplo de um piloto que construiu sua carreira paralelamente à Fórmula 1. Sem chances nas melhores equipes (Gil chegou a ser convidado para correr por escuderias como Lotus e Arrows), o bicampeão da Fórmula Mundial em 2000 e 2001 optou por competir no automobilismo norte-americano, e não fez mal. É uma opção válida: a fim de não se tornar coadjuvante na Europa, Gil preferiu disputar títulos nos EUA. Barrichello não precisa chegar a tanto. Mas, se ainda quiser ser campeão em uma categoria top, precisa se conscientizar: com Schumacher como colega de equipe, raspas e restos são o que lhe restarão. E aí ficará difícil não concordar, mesmo que parcialmente, com a acusação de Ecclestone sobre ser um "mercenário". Afinal de contas, quem não arrisca...
Sinceramente? Um cara como eu, membro oficial da Confraria dos Tímidos e Desajeitados, costuma ficar gago, fanho e burro toda vez que cai de pára-quedas em situações como ter que falar em público ou apresentar seminários na faculdade. Devo dizer, porém, que foi extremamente bacana a experiência de ter participado, ontem, do Blog'n'Roll, programa de televisão da allTV do qual participei, ao vivo, ontem à noite. Pudera: como não se sentir à vontade com o power trio de apresentadores, os camaradas Enio Martins, Jean Boechat e Rodrigo Rodrigues? Além do prazer de conhecer seu triunvirato in loco, o programa, pra lá de descontraído e informal, ainda me deu a oportunidade de conhecer pessoalmente a simpaticíssima Patricia Coelho, e de finalmente receber em mãos (por intermédio do Rodrigo) meu exemplar autografado de Depois Que Acabou, o excelente livro escrito pela Daniela Abade.
Por incrível que pareça, não é que teve gente que assistiu e gostou da minha performance? Aos incautos que ainda não assistiram ao programa, basta clicar aqui para conferi-lo (o link vale por cerca de 72 horas). Enio, Jean e Rodrigo: mais uma vez obrigado pela oportunidade! Em tempo, deixo aqui pelo menos duas sugestões para as próximas edições do Blog'n'Roll: Ruy Goiaba e Sergio Faria.
Torneiras abertas à toa. Leila, eu ainda não tô bêbado, relaxa. Quando eu me levantar desta mesa e gritar pra todo mundo que encontrei a Resposta Definitiva, aí sim é motivo pra você começar a se preocupar, ok? Teve uma vez que bebi tanto que achei que tinha virado médium, incorporei o Nietzsche, a Rita Hayworth e o Wilson Grey na mesma noite. Meus amigos sentiram que era hora de me arrastar pra casa quando comecei a cantar Put the Blame on Me e a fazer um strip no meio do velório. Mas eu tô bem, eu tô bem. Do que é que estava falando? Ah sim, torneiras.
O problema deste mundo são esses amores não-correspondidos e desperdiçados a toda hora, entende? Como paixões que são despertadas negligentemente, ilusões platônicas que acabam com gosto de soco na alma, noites de sexo mal interpretadas, amores exilados que não encontram seu lugar no mundo, como peças extraviadas de um quebra-cabeça. O problema todo se resume nisso: corações e cérebros não falam a mesma língua. A vida seria muito menos dolorida se a gente tivesse o dom de se apaixonar por aquela pessoa que nos oferece o coração. Deveria ser tudo questão de um clique, e pronto: aquele amigo que a gente só consegue enxergar como confidente assexuado se transformaria no príncipe encantado. Mas não, não nesse rascunho porco de mundo em que vivemos. Quem sabe na versão 2.0.
Sim, eu sei, não precisa falar. Você falou que eu ia me estrepar com aquela menina, mas deixou de usar pedagogia comigo, pô. Sim, pode rir, vou fazer o quê? Leila, você se esquece do quanto todo homem é crianção e imaturo, e de como a gente se torna repentinamente burro quando se interessa por alguém? Esses lances de sermão, do tipo filho não coma o que caiu no chão, cuidado com as más companhias, não aceite balas nem arquivos attachados de estranhos, yada yada yada, não dão certo. Tem que quebrar a cara pra aprender, errar, cometer novos erros. Mas deixa pra lá. Fala sério, esse vinho não parece que fica melhor a cada gole? Ih, relaxa, tá tudo sob controle. Cê tá parecendo minha mãe, só falta pedir pra que eu arrume meu quarto. Meus livros estão todos empilhados, um dia te mostro a Torre de Pisa que fiz com meus Goethes, Fonsecas, Borges. Uma lindeza. Cê tá ansiosa pra ver o meu quarto? Você não sabe do que está falando, aquilo lá é um buraco negro, tudo que entra some e vai parar em outra dimensão.
Mas olha só: talvez o amor não passe de um erro de programação. Um bug atravancando o perfeito funcionamento do sistema. Um vírus no código-fonte da Matrix. Uma maldição que surgiu com a intenção única de inspirar cornos a escreverem músicas sertanejas, e de fazer minhocas treparem fulminantemente no drive-in do meu cérebro, numa putaria incessante que me atormenta 25 horas por dia. Leila, eu juro pra você: um dia vou espirrar e minhoquinhas sairão voando de minhas orelhas. Não ri não, eu tô falando uma verdade trágica: esses bichos promíscuos estão me deixando mais pirado ainda, enchendo minha cabeça com a imagem onipresente daquela vagabunda incapaz de retribuir todo o amor que eu poderia dar a ela. Vou parecer alienado, e talvez eu seja mesmo, mas a verdade é essa: amores desperdiçados são a grande tragédia da humanidade. Se Franco, Pinochet, Suharto e todos esses babacas tivessem uma mulher legal, talvez não ficassem tanto tempo pensando em merdas totalitárias. Caralho, tô ficando mesmo bêbado. Ops, desculpe aí. Falo palavrões pra caralho.
Tem vezes que dá vontade de dizer pra aquela menina: porra, será que você não vê que eu não sou só ombro, que eu tenho boca, mãos, língua, pau? Porque estou farto de ouvir as desventuras amorosas daquela vadia com Danilos, Gérsons, Alans, Rodrigos e todo um bando de putos batizados com esses nomes típicos de classe média metida a burguesa, uns mauricinhos prestáveis pra trepar, mas que roncariam estrepitosamente se fossem obrigados a ouvir um quinto das lamúrias e confidências que a desgraçada me faz. Isso é que dá virar confidente. Se eu quisesse realmente comê-la, jamais poderia deixar que nós nos tornássemos amigos. Com certeza ela só consegue me ver como um terapeuta assexuado, um ombro-travesseiro, jamais como um macho. Caralho. Se ela soubesse que por detrás desta fachada inofensiva se esconde um gigolô pós-graduado em usos alternativos de chantily e algemas. Jura que você pagaria pra ver isso? Engraçadinha. A verdade é que você só conhece uma pessoa entre quatro paredes, despida, literalmente e simbolicamente, de todas as máscaras que a gente usa no dia-a-dia.
Ainda bem que tenho você pra me agüentar. Ouvir meus desabafos é como pagar pecados em vida, quando você morrer vai direto pro céu. Onde mais eu acharia uma amiga como você, que presta atenção em tudo o que eu digo? Ou isso, ou você arqueia as sobrancelhas como ninguém. Brincadeira. Às vezes me pergunto o que leva você a aturar minhas rabujices. Você deveria ser terapeuta. E não adianta me dizer que você só faz essas coisas por minha causa. Você é uma santa, a Madre Teresa dos chatos bêbados como eu. Um dia ainda ganho na Sena e encontro uma mulher tão linda e inteligente como você. Um clique? Ué, não entendi. Burro? Sim, mas qual é a novidade? Não, não. Pode deixar, eu pego um táxi. Ok. Garçom, a conta.
Leila, como é bom ter uma amiga como você.
P.S.: Aos antigos leitores que tiverem sensação de déjà vu lendo este conto, minhas desculpas. De vez em quando este blog é obrigado a apelar para a reprise de alguns textos.
Quando meus avós paternos moravam num sobrado na rua Aimberé, a alguns quarteirões de casa, costumávamos passar as tardes de sábado lá. Eu, que quando pirralho era um tremendo enjoado para comer, jantava arroz com missoshiro, sopa japonesa que minha avó fazia pensando em mim. (anos depois, quando descobri que o missoshiro era realmente preparado por minha causa, chorei feito um desembestado; mas tergiverso, tergiverso). Enquanto meus irmãos e primos brincavam na varanda, eu, que tenho um jeito meio macambúzio e recolhido de ser, ficava atrás do sofá lendo jornais: O Estado de S. Paulo, assinado por meus tios Jorge e Emília (que na época moravam junto com meus avós), e Shopping News, que era entregue gratuitamente na porta de casa.
Aos sete anos de idade, eu, bobviamente, não me metia a ler as editorias de economia ou política internacional. Ficava entretido vendo as tiras do jornal, as manchetes esportivas ou as críticas de cinema e televisão. Vem de longe, pois, o meu vício por informações. Além de assinar a Folha de S.Paulo e a Superinteressante, compro diariamente o Lance! e diversas outras publicações com mais ou menos freqüência: Vip, Racing, Set, Premiére, Zero, Playboy, Rolling Stone, Placar, Crocodilo, Bravo!. As pilhas de revistas, que se acumulam em meu quarto formando Torres de Pisa prontas para desabar a qualquer momento, suscitam constantes reclamações, tanto de minha mãe como de minha namorada. Mas fazer o quê? Cada um tem o seu vício: o meu é a sede por informações.
* * *
Certamente é nesse vício que se encontra o cerne para o surgimento de um outro em minha vida: o hábito constante de visitar outros blogs. A lista de links compilados no frame à esquerda deste post, que cresce dia após dia, não me desmente (haja tempo para tanta informação, haja ócio produtivo para tanto navegar). Mais do que escrever neste espaço, gosto mesmo é de ler o que os outros escrevem (à semelhança da vida real, em que prefiro ouvir a falar). A partilha de links e sentimentos, o aprendizado com outros pontos de vista, a abertura para discussões (por meio de comments ou livros de visitas), toda essa barafunda virtual fascina, atordoa e atrai.
Outro dia li no excelente blog português Deslizar no Sonho uma citação de Hermann Broch que me fez pensar no assunto: "A escrita é sempre uma impaciência do conhecimento". Não posso dizer pelos outros blogueiros, mas ao menos no meu caso a frase se encaixou como uma luva. Os posts que publico surgem da necessidade imediata de escoar sentimentos, trocar idéias ou, simplesmente, compartilhar um link bacana que encontrei.
E onde entra a importância de um sistema de comentários? Aqui, tomo a liberdade de pegar emprestadas algumas palavras da Anna Maron:
" (...) a partir do momento que comecei a escrever um blog, passei a visitar infinitamente mais blogs do que estava acostumada, sinto necessidade mesmo de conhecer outros. Não só pelo fato de retribuir a visita de blogueiros, mas principalmente pelo vício mesmo. Passei a deixar comentários e comentários/respostas sobre os comentários que são deixados aqui também. Ah, e pode quem quiser dizer o contrário, mas comentários são essenciais num blog. Me parece bastante razoável que se você expõe o que escreve, se possível, quer ter uma resposta imediata de quem lê".
Assino embaixo, em cima e dos lados do texto da Anna. E é por isso que prezo tanto o meu sistema de comentários, que, via de regra, suscita retornos mais interessantes que meus próprios textos. Principalmente quando os retornos vêm de visitantes como a Cristina Carriconde, um bom exemplo de leitora que não se limita em balbuciar os elogios costumeiros ou repetir os pedidos freqüentes de troca de links ou visitas "descompromissadas". Pessoas que deixam seus comentários freqüentemente enriquecem o post original, seja através de suas observações pessoais pautadas em suas próprias experiências de vida, acrescentando e/ou corrigindo informações ou, simplesmente, dando ao blogueiro parâmetros preciosos a respeito do que escreve, fotografa ou desenha.
* * *
Naturalmente, um vício leva ao outro. E posso dizer, convictamente, que, mais do que blogar, prefiro ler outros blogs. Sempre que possível, quando tenho algo minimamente relevante a acrescentar, também deixo meus pitacos no espaço para comentários. Não por mera questão de "boa vizinhança", e sim porque encontro textos realmente inspiradores. Eis alguns exemplos de elucubrações que escrevi motivado por alguns blogs do meu bookmark:
"Outro dia desses, assistindo ao Fica Comigo da MTV, pensei cá com meus botões: e se eu me predispusesse a pagar um King Kong desses, que espécie de incautas se candidatariam a este que vos escreve? Obviamente jamais saberei, mas a curiosidade vez em quando me carcome: e se eu nunca encontrar a mulher destinada a mim? Sabe-se lá em que vagões, em que elevadores, em que corredores ela tartamudeia por aí, esperando pelo dia que talvez jamais chegará? E aí o nosso amor em potencial será, quiçá, guardado em uma adega, esperando por outras reencarnações, até o dia em que sua fina safra será, enfim, apreciada em tua a sua plenitude. E pensar que todo esse preâmbulo foi apenas para dizer: cadê a tua alma gêmea, felizardo ignorante que ainda não desatou o nó do labirinto para te encontrar? :)"
"Angela, eu acho que este mundo é muito ingrato com quem tem neurônios suficientes para compreender como funcionam as engrenagens sujas que movem este mundo. Nessas horas, invoco Pessoa -
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
- que descreve, como ninguém mais o fez, o que se passa em minha cabeça.
E nada mais posso desejar aos meus semelhantes, que não seja muita saúde e sorte, para que o Mundo aí fora não esmoreça ilusões, não esmague projetos de vida, não pulverize a criança sonhadora que ainda esperneia dentro de algum recôndito dentro da gente e, principalmente, não atinja aqueles que nós amamos com uma bala perdida, um pedaço de ônibus espacial na cabeça, uma metástase não diagnosticada a tempo ou uma agressão gratuita numa esquina qualquer, e nos poupe das lágrimas que enchem de amargura tantas pessoas boas e honestas que foram vitimadas sem qualquer razão.
Beijabraço pra ti. E, é claro, SORTE!"
* * *
Por fim, vale a pena dar o merecido espaço ao comentário deixado pela minha leitora Lola Range, em um post intitulado Teoria Maquiavélica do Amor, publicado por mim na véspera do Dia dos Namorados. Quando leio um comment como este, fico realmente feliz com a qualidade dos leitores que possuo. :)
"Eu também tenho uma teoria e hoje ela vai debutar na rede. É a teoria da peça avulsa.
Peça avulsa é aquela que nasceu p'ra ser só. Conceitualmente e definitivamente é despareada. Pode ESTAR acompanhada, mas essencialmente É só. Darei alguns exemplos de quem e o que são elas: o joguinho 'resta um' é. Frigideira é. Botão que vem extra no cantinho interno da camisa é. Despertador é. Portão de casa é. Borracha que vem na lapiseira, termômetro e relâmpago também são. Enfim, existe uma infinidade de peças avulsas. Eu sou só mais uma.
Existe peça descasada, que é diferente. Além de ser mais simples de encontrar, parece estar sempre perguntando por seu par: pires, chave, fronha, mouse pad, controle remoto, telefone sem fio, pessoas que se encontram e desencontram... quase tudo pode ser descasado, até melodia da música.
Poderia até me arriscar a dizer que esta idéia me veio pela primeira vez, num dia como o de hoje, beirando o dia dos namorados. Aqueles em que fica mais evidente que você está só e que quase todo mundo já encontrou seu par. Apesar de tantas explosões e efeitos especiais, acho a vida real um pouco mais complicada que a vida na telona. Às vezes, ela demora muito mais a passar que os corridos 120 minutos que a gente não quer que acabe. Noutras ela corre demais. O amor (de verdade) é quase um milagre. Quando acontece, é como nascermos de novo. Só que nem todo dia acontece e o seu efeito pode não ser eterno.
Por isso mesmo, queria deixar um apelo às outras peças avulsas. Que não transformem o amor num prêmio, numa prova, numa condição para a felicidade ou naquilo pelo qual TUDO se justifica e, finalmente, que não confundam solidão com tristeza.
Claro que é bom sentir, amar e envolver-se, e isso tudo nada tem a ver com O DIA dos namorados, mas com alegria, desejo, respeito, companheirismo e entrega".
Hoje é celebrado o Dia Mundial do Rock. A justificativa para a data: 13 de julho de 1985 foi o dia em que foi realizado o Live Aid, mega-concerto organizado pelo músico irlandês Bob Geldof, em prol dos famintos da África, e que reuniu dezenas de bandas em dois shows realizados simultaneamente em Londres, Inglaterra, e Filadélfia, Estados Unidos. Foi um acontecimento marcante, concordo. Mas eu, particularmente, teria escolhido outra data para a celebração do rock: 3 de fevereiro.
* * *
Final dos anos 50. O rock and roll mal havia inscrito suas primeiras notas na História da Música, e já sofria sua primeira crise, ameaçando perecer no mesmo limbo de outros estilos como a rumba, o calipso, o twist e o cha-cha-cha. Como peças de dominó, um a um os maiores ídolos viam suas carreiras tombarem de um dia para o outro. Tudo começou com o alistamento de Elvis Presley ao Exército, em 1957. Depois, foi Jerry Lee Lewis, que viu sua carreira soçobrar depois do escândalo causado pelo casamento com sua prima de 13 anos. Enquanto isso, Little Richard encontrara "a luz" e trocara o rock n'roll pela Igreja, e Chuck Berry terminou a década na cadeia, após ter sido flagrado com uma prostituta menor de idade.
O vácuo repentino de ídolos abrira espaço para a ascensão meteórica de três talentos incipientes: o genial Buddy Holly (que, ao lado de sua banda The Crickets, gravou sucessos como "Peggy Sue" e "That'll Be The Day"), Ritchie Valens (intérprete do sucesso "La Bamba", pioneiro do rock latino) e The Big Bopper (DJ mais famoso da América e autor do hit "Chantilly Lace"). Durante o inverno de 1959, ambos participavam da turnê Winter Dance Party, consolidando junto aos fãs do meio-oeste americano o sucesso recém-adquirido (Valens tinha apenas 17 anos). Seguiram-se infindáveis, extenuantes viagens de ônibus, ao longo de estradas constantemente cobertas de neve.
Um dia, Buddy Holly jogou a toalha. Na madrugada de 3 de fevereiro de 1959, logo após um show em Clear Lake, Iowa, Buddy decidiu fretar um avião para prosseguir com a turnê. Havia espaço para mais dois passageiros. Uma das vagas ficou com Big Bopper, que, fortemente gripado, pediu para ser poupado de mais uma via-crúcis no indefectível ônibus dos músicos. A última poltrona, disputada no cara-ou-coroa (Deus não lança apenas dados), ficou com Ritchie Valens. Nem sempre quem ganha leva: poucos quilômetros depois de decolar, o avião caiu, certamente devido às péssimas condições climáticas, matando todos os seus ocupantes.
O rock tardaria a se recuperar de tantos baques. As paradas de sucesso foram tomadas por baladeiros como Paul Anka, Pat Boone e Neil Sedaka, e mesmo Elvis Presley, que ao voltar das Forças Armadas preferiu consolidar sua imagem de galã de cinema, gravando basicamente musiquinhas "mela-cueca". Apenas na metade dos anos 60 o rock resgataria sua vocação transgressora, graças a Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones. Contudo, os pioneiros, os responsáveis pelas primeiras faíscas, merecem ser lembrados: sempre que uma Fender ou uma Gibson for plugada em um amplificador, acredito que ao menos um isqueiro deva ser aceso em homenagem a esses caras: Holly, Valens e Big Bopper.
* * *
Muitos aprenderam a trágica lição. Os integrantes do Queen, por exemplo, costumavam viajar em aviões separados, a fim de assegurar a sobrevivência da banda em caso de acidentes (pelo jeito, os Mamonas Assassinas desconheciam a história do rock n' roll).
Mas o fato é que a Velha Ceifadora não escolhe gêneros musicais para saciar seu incontrolável apetite, vide a morte do Claudinho do Buchecha, falecido há exatamente um ano. Lamentei, sinceramente, o acontecido: o cara era humilde, gente boa, jamais traficou drogas (ao contrário de certos pagodeiros libertados com aval de ministro do STF), lia dicionários para aprimorar suas letras e morreu com um caderno de poemas de Vinícius de Morais, reproduzidas a mão, a tiracolo. Contudo, não dá para resistir à tentação de transcrever comentário de Márvio dos Anjos sobre o acontecido: "é o rock exigindo o sangue dos infiéis como tributo". It's only rock n' roll, baby: bad to the bone.
Este blog não pretende mudar o mundo ou mover montanhas. Deseja, simplesmente, conversar com o seu leitor da mesma maneira com que entabularia animadamente discussões sobre personagens da TV Pirata, os cinco melhores jingles de todos os tempos (IMHO, ei-los, por ordem de preferência: balas de leite Kid's, tema de natal do Banco Nacional, Café Seleto, Varig e pipoca com Guaraná Antarctica) ou livros de Cortázar em uma mesa de bar. Este blog tampouco ambiciona ser mais culto ou inteligente do que efetivamente é: guarda suas edições empoeiradas das melhores histórias de Carl Barks ao lado das obras completas de Guimarães Rosa em papel-bíblia, assim como sua lata de CDs da Legião Urbana ao lado do último álbum dos Pixies.
Este blog é fascinado pela cultura pop, simplesmente porque é em torno dela que gravita boa parte de nossas conversas com amigos quando não discorremos sobre nossas vidas pessoais. A suposta armação da entrevista do Silvio Santos, as estréias de cinema nesta sexta-feira, a personagem que apanha do marido na novela das oito, a nova capa da Playboy... É inevitável: por mais alienantes que esses assuntos possam ser, o fato é que não escapamos imunes das coisas que emanam da televisão, das bancas de jornais, das telas de cinema, dos fones de ouvido, dos blogs e sites que visitamos.
Sim, este é um blog pop. Que se pretende despretensioso, como aquelas canções que grudam feito chiclete nos ouvidos, falando de sentimentos comuns a todos nós com palavras simples e melodias assobiáveis. Seus posts são escritos ao som das músicas de Roy Orbison, Lennon & McCartney, Thom Yorke, Nando Reis, Jagger & Richards, Cole Porter, Phil Spector, Marvin Gaye, Madonna, Chico Buarque, Burt Bacharach, Joey Ramone, Morrissey & Marr, Ian McCulloch, Brian Wilson, Billie Holiday e Roberto Carlos.
O escriba deste blog, a propósito, não se envergonha de confessar que já foi apaixonado, em ordem cronológica, pela Daphne (da turma do Scubidu), Magri (da turma dos Karas), Virginie (vocalista do Metrô), Molly Ringwald (a Garota de Rosa Schoking) e, é bóbvio, Luciana Vendramini. Feito Charlie Brown, procurou em vão pela sua garotinha ruiva no colegial. Invejou Marty McFly pela oportunidade de voltar no tempo. Quis cantar Twist and Shout no meio da rua assim como Ferris Bueller. Ouviu pela primeira vez Maria Bethânia por intermédio daquele quadro dos Trapalhões em que um Didi travestido interpretava a Terezinha da canção. Tentava imitar (sem sucesso) a risada do Pica-Pau. Gostava de Michael Jackson na época em que ele ainda era negro. E, apesar de ser aparentemente inofensivo, alerta os amigos para o perigo de ser alimentado ou molhado depois da meia-noite.
Este blog, contudo, procura não cair na armadilha da nostalgia, porque sabe que a vida é um rascunho definitivo, e que andar olhando para trás é o pretexto ideal para tomar um tapão nas fuças merecidamente dado por um de seus amigos sacanas. Procura, basicamente, vislumbrar o futuro com olhos otimistas, embora saiba que é preciso manter um viés cínico (no fundo, cênico) a fim de sobreviver em um mundo que não foi talhado para os inocentes.
Este blog não almeja a fama, de resto tão efêmera quanto a carreira artística de um ex-Big Brother. Buscará, sim, divulgar coisas bacanas para pessoas bacanas, sem perder tempo com coisas menores como jogar pedras nos telhados alheios ou cometer posts sobre o que comi no café da manhã.
Finalmente, este blog promete que esta será a última vez em que falará sobre si mesmo na terceira pessoa. Afinal de contas, o blogueiro que vos escreve não é jogador de futebol (mas Internet é uma caixinha de surpresas...).
10.7.03 A Biografia Não-Autorizada de... Alexandre Inagaki
Para quem ainda não conhece a figura ao lado (flagrado aqui em pose altamente elucubrativa), este é Nelson Moraes, dono da praia mais agitada da blogosfera e criador do Blog de Bolso, manancial virtual reservado a peças literárias da mais fina estirpe.
Mr. Moraes, além de ser o maridão da Dona Cynthia, também tem se destacado ao revelar sua faceta de Ruy Castro, escolhendo a dedo vítim... ops, figuras da bloglândia tupiniquim para serem retratadas na série "Biografias Praianas". Após tecer um bombástico retrato de cumpadi Matusalém Matusca, Nelson acabou de publicar a mais cascateira e divertida biografia que alguém poderia ter criado sobre a vida deste que vos escreve. Eis um aperitivo da peça:
"Pra começo de conversa, a biografia oficial que o dá como paulistano, neto de imigrantes, não procede. Ele nasceu no Japão mesmo, de onde fugiu pra se proteger da Ydefende - uma facção dissidente da máfia Yakuza e que, ao contrário desta, não pune nem corta os dedos. Sua missão é premiar quem é fiel, acrescentando um dedo aos já existentes. O problema sobre onde eles colocam este dedo extra é que fez Inagaki, prudentemente, evadir-se da Terra do Sol Nascente".
Devo confessar, porém, que com exceção de uma e outra inverdade (além de algumas liberdades pra lá de poeticozinhas), Nelson Moraes cometeu um perfil extremamente fiel aos fatos de minha vida (não deixe de conferir o texto na íntegra aqui). Além do que amigo é amigo, certo? Pensando em me poupar de certas revelações vexaminosas, sua biografia omite o período em que sobrevivi vendendo meu corpo a senhoras e senhoritas solitárias sob a alcunha de Kamikaze do Amor (meu slogan era: "venha conhecer a espada deste samurai"). Nelson também se esquivou de descrever a época em que tentei a carreira musical, formando com mais quatro colegas de etnia o grupo Japagode (com o qual gravei sucessos como "Saquê da Paixão" e "De Olhos Bem Puxados"), e os anos em que freqüentei as reuniões dos Mentirosos Anônimos. Fatos, no entanto, que não poderia ocultar dos leitores fiéis deste blog.
Obrigado pela homenagem, cumpadi Nelson (e, sim, pode deixar que eu conversarei com meus manos da Yakuza a respeito daquela taxa de proteção ao quiosque do Mirandinha)!
P.S. 2: segunda-feira que vem estarei no Blog'n'Roll, programa da allTV, a partir das 20h. Não sei onde o Enio estava com a cabeça pra me convidar... :)
Hoje, 10 de julho, celebra-se em São Paulo o Dia da Pizza. Sim, eu sei que essa efeméride soa a mais uma invencionice de políticos que pouco fazem além de batizar ruas e criar comemorações esdrúxulas. Contudo, o fato é que há um certo sentido em se comemorar uma data do tipo. Fora o lugar-comum de se afirmar que em Sampa as pizzas são melhores até do que na Itália, as estatísticas da cidade são impressionantes: São Paulo possui cerca de 6 mil pizzarias, responsáveis pelo preparo de aproximadamente 43 milhões de discos por mês, que equivalem ao consumo de uma tonelada de massa por dia.
Ao contrário do que se pensa, não foram os italianos os inventores da pizza. Segundo o Guia dos Curiosos, registros históricos apontam que os egípcios foram os primeiros a misturar farinha com água. Babilônios, gregos e hebreus também assavam massas à base da farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico em fornos rústicos ou tijolos quentes. Contudo, foram os napolitanos que acrescentaram molho de tomate e orégano à massa. Considerado alimento dos pobres do sul da Itália, esse protótipo de pizza era dobrado no meio e consumido como se fosse um sanduíche. Apenas aqueles com orçamento mais generoso se davam ao luxo de colocar queijo, pedaços de linguiça ou ovos por cima, dando formato definitivo ao prato que conhecemos hoje.
No começo do século XX o disco que nunca sai das paradas aterrissa na América através dos imigrantes italianos, que criam, em 1905, a primeira pizzaria em Nova York. Em São Paulo, a primeira cantina com forno a lenha aparece também em idos do século XX, através das mãos do napolitano Carmino Corvino, que abriu a pioneira Dom Carmenielo no bairro do Brás, tradicional reduto da colônia italiana. Também é no Brás que se localiza a mais antiga pizzaria em atividade da cidade de São Paulo: a Castelões, inaugurada em 1924 (recomendo, a propósito, a pizza Castelões, preparada com mussarela e lingüiça especialmente fornecida para a cantina há 50 anos pelo mesmo vendedor de frios do mercado municipal).
Atualmente existem pizzas para todos os gostos. Com massa fina ou grossa, em formato redondo ou quadrado (especialidade da Pop Pizza, de Belém do Pará), com bordas de gergelim ou catupiry e recheios que vão de carne seca a purê de mandioca, passando por corações de frango, shimeiji e broto de bambu, isso para não falar das pizzas doces (romeu & julieta, brigadeiro, banana doce com canela) e dos cariocas que acrescentam catchup às suas fatias. Mas enfim, o importante é o que importa. Salvação dos inaptos no fogão, mote de congregação das famílias nas noites de domingo, motivo de perdição dos gulosos de plantão: seja como for, a pizza definitivamente merece ser celebrada. Bon appétit a todos!
Em tempo: anúncio publicado na Folha de S. Paulo de hoje afirma que a expressão "tudo acaba em pizza" surgiu na década de 1950, quando a diretoria da Sociedade Esportiva Palmeiras esqueceu, numa pizzaria, as razões de uma esquentada discussão ocorrida momentos antes. Se esse quiproqüó ocorresse hoje, com o alviverde paulista purgando seus erros administrativos na série B do Campeonato Brasileiro, e os ânimos pra lá de acirrados no elenco treinado por Jair "Vicerni", tal expressão provavelmente jamais existiria...
Quem já leu alguma história de Luiz Gê, editor da finada revista Circo, não se conforma com sua aparente aposentadoria. Será que ele desistiu em definitivo dos quadrinhos?
7.7.03 Blog que é blog um dia sucumbe à tentação de postar uma letra de música. Sigam, pois, a bolinha pulando:
Uma Raiz, Uma Flor (Wado / Alvinho / Georges Bourdokan)
Não diga que as estrelas estão mortas
Só porque o céu está nublado
Não se iluda, pé que dá fruta
É o que mais leva pedra
Uma raiz é uma flor que despreza a fama
Olha lá vai passar o terceiro mundo
E quem é de rir vai chorar de rir
Em tempo: se você ainda não conhece as músicas de Oswaldo Schlikmann, um jornalista catarinense radicado em Alagoas mais conhecido pelo nome artístico Wado, faça um favor a você mesmo, e cace tudo que você puder desse cara. Depois, desdenhe daqueles descrentes que dizem que a música popular brasileira está morta, baseados no casting da Trama (a gravadora dos nepotistas) ou na pestilenta horda de imitadores de Skank e Charlie Brown Jr. que invade atualmente as FMs.
Experimentações eletrônicas, samplers de Naná Vasconcelos e Banda Black Rio, flautas dispersas aqui, sambão dos bons, funk, baião e soul mais ali: o som de Wado, ao mesmo tempo que remonta à tradição da melhor MPB (Jorge Ben, Novos Baianos, Mutantes), é inventivo, contemporâneo e surpreendentemente pop (fora a qualidade das letras). Gravou dois álbuns, O Manifesto da Arte Periférica (2001) e Cinema Auditivo (2002), que, se não são veiculados pela MTV ou por nossas FMs infestadas de jabá por todos os lados, são acessíveis via Internet ou nas melhores e mais esclarecidas lojas do ramo.
Agumas das prediletas da casa que invadiram meu Winamp sem previsão de saída: A Gaiola do Som ("Escrever é amarrar a palavra no passado/ E a palavra escrita/ É a gaiola do som"), Cenas de um Filme Inglês ("Chocolate em minha xícara/ No caminho dos teus lábios/ O navio anunciando/ Que estamos separados"), A Linha que Cerca o Mar ("Em busca de outros rumos/ Nova realidade/ Na linha que cerca o mar/ É lá onde eu quero estar") e Ossos de Borboleta ("Eu tenho sangue de outro planeta/ Ossos de borboleta/ Amanhã eu morro").
- Cumpadi Arnaldo Branco foi lobotomizado pelo tal do Amor e acabou sucumbindo aos laços matrimoniais. Como não tenho o e-mail do cara, seu espaço para comentários foi removido por culpa de alguns Samsonites da vida, e o meu orçamento, mais apertado que short de dançarina de axé, não previa a participação em listas de presentes, ficam aqui o meu abraço e os meus parabéns ao casal Arnaldo & Patricia. Juízo, ma non troppo!
- Maria Elisa Guimarães, a mais querida de todas as blogueiras, finalmente está de volta!!! Em tempo: Meg, seu telefonema foi tão súbito que nem deu tempo de te dar um beijo direito, humpf! ;)
- "As canções mais tolas/ Tendo os seus defeitos/ Sabem diagnosticar/ O que vai no peito". (Lulu Santos, Satisfação)
Rui Baptista, articulista do jornal português Público, comenta em sua coluna alguns fatos que chamaram sua atenção durante sua passagem pelo Brasil, como a corrida desenfreada pelas vagas para gari oferecidas pela Prefeitura do Rio, os programas da Igreja Universal do Reino de Deus exibidos pela Record e o novo livro de Luis Fernando Veríssimo. Ao passear pela Praia da Boa Viagem, no Recife, se depara com dois homens que remexem as vísceras de um tubarão capturado, em busca dos possíveis restos mortais de um garoto que desaparecera pelas imediações.
Vale a pena transcrever a reação de Baptista ao encontrar um singelo anúncio da rede de fast food Habib's: "Desta vez o tubarão tem a barriga vazia, para meu grande alívio. Um autocarro arranca cheio de turistas, cansados do espectáculo do bicho esventrado. Na parte de trás, o autocarro tem um anúncio de pastéis de nata que reza assim: 'O pastel é português, o preço é piada!' Começo a sentir alguma simpatia pelo tubarão...".
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Reportagem de Elisabeth Orsini para O Globo delineia o perfil de Viviane Mosé: "a filósofa, psicanalista, poetisa e atriz (...) atrai um séquito de admiradores com vibrantes cursos particulares de filosofia. Os alunos se comovem, vão às lágrimas, batem palmas e geram tiradas como esta: 'Nietzsche é legal, mas bom mesmo é Nietzsche by Viviane Mosé'".
Ms. Mosé deve ser boa mesmo. Uma de suas alunas, a artista plástica Bebel Franco, costumava vomitar (é isso mesmo) após cada palestra. Afirma Bebel: "Não era um vômito ruim, era bom, eu botava tudo para fora. As aulas mexiam demais comigo". Uau, isso é o que eu chamo de bulimia filosófica! Mas tem mais: alguns alunos costumam chorar durante o curso. Diante de tais reações, conforme descreve a matéria, "Viviane recita um poema seu sobre a lágrima, sobre como é bom que ela derreta 'para não virar pedrinha'. Ao final do poema, alguns alunos não resistem e batem palmas". Cáspite! Particularmente, prefiro remeter à metáfora de Paulinho da Viola: "lágrimas são as pedras preciosas da ilusão". Mas enfim, aos curiosos em conhecer melhor a obra poética de Viviane, recomendo um clique no link para a sua Receita Pra Lavar Palavra Suja. Como comentário final, parafraseio o filósofo alemão: tudo isso é humano, demasiado humano...
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Aos incautos que nunca ouviram os funks (sic) de MC Serginho, peço licença (e perdão) para transcrever um trecho de sua canção (sic) "Vai Serginho":
Vou lamber sua barriga
Te fazer muito carinho
Mas o que eu quero mesmo
É morder o seu grelinho
Abre as pernas, faz beicinho
Vou morder o seu grelinho
Vai Serginho
Vai Serginho
Abre a boca
Não se espanta
Vou gozar na sua garganta
Não Serginho
Não Serginho
A transcrição dos versos (sic) acima tornou-se necessária a fim de contextualizar a sensacional declaração dada por MC Serginho para a revista Crocodilo deste mês, que afirma: "'Vai Serginho' é uma declaração de amor. Eu fiz depois de uma relação sexual. Fala do amor que todo mundo quer viver, com tesão". Ok, até concordo com a parte do tesão. De resto, só tenho uma coisa a dizer a respeito da declaração deste que é o intérprete de outra pérola inefável da MPB, a Egüinha Pocotó: Amor, quantos crimes ainda serão cometidos em Teu nome?
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Pérolas da semana:
"Estava me sentindo só entre tanta gente feia, mas agora o time terá dois jogadores bonitos".
(ROBERTO CARLOS, lateral do Real Madrid, comentando a contratação de David Beckham, top fodel e jogador de futebol nas horas vagas, sua equipe)
"O lábio tem mais neurônios ligados ao lábio do que qualquer outra parte do corpo. Por isso adoro beijar!"
(LUCIANO HUCK, apresentador de TV, sósia do Rogério Ceni e biólogo bissexto, destilando outra de suas inolvidáveis gotas de sabedoria)
"Caralhadas no decorrer das fodas apimentam um acto que parecia não poder ser mais apimentado. Já me foram ditas frases memoráveis durante o esconde-a-morcela. 'Enfia-me isso até ao gasganete' é uma das que recordo com particular saudade. 'Vai, escancara-me o pipi' é incentivo que me toca sempre fundo. E 'Fode! Fode! Fode!' é repetitivo e razoavelmente denotativo, mas nunca cansa". (MEU PIPI, alcunha sob a qual se oculta o (ir)responsável pelo blog lusitano mais chulo e divertido da atualidade, em eloqüente argumentação a favor do "dirty talk" durante o sexo)
4.7.03 - E aí, já jogou na mega-sena?
- Acumulou de novo?
- Sim. R$ 31 milhões no próximo sorteio.
- Putz, nem conferi o jogo desta semana.
- Ué, você joga e não confere os números? Qual é a lógica?
- Pra que fazer isso? A única coisa que ganho na vida são foras de namoradas.
- Nem bingo de festa junina?
- Nem bingo.
- Então por que joga?
- Sei lá. Gosto de imaginar as coisas que eu faria se eu ganhasse.
- Mas não confere o resultado.
- Sempre esqueço de fazer isso.
- E depois dizem que sonhar não custa nada.
- Pois é. Jogar na mega-sena é como pagar imposto pra sonhar.
- Mas por que insiste em jogar?
- Não resisto àquelas palavras mágicas: "prêmio acumulado". Não posso encontrar uma lotérica pela frente.
- Sei. É que nem essas propagandas de TV, que enfiam na gente a vontade de comprar coisas que a gente nem precisa.
- Nem me fale. Semana passada encomendei aquele Air-O-Space.
- Air-O-Space não é aquele colchão pra inflar?
- Esse mesmo.
- E aí, esse treco funciona mesmo? Tava pensando em comprar esse colchão pra Babi.
- Babi não é aquela sua prima do interior?
- Ela mesma.
- Mas ela não ia ficar só uma semana na sua casa? E a sua namorada, não chiou?
- Ih, essa é uma longa história...
Eis que, navegando a esmo, encontro minha grande paixão platônica nos anos 80: Luciana Regina Vendramini. A foto acima, tirada durante entrevista concedida ao programa Pânico da Jovem Pan FM, mostra que o tempo lhe tem sido benevolente.
Aos 33 anos de idade, Luciana Vendramini mantém intacto o encanto de seu sorriso que começou a chamar atenção quando posou nua para a Playboy em 1987, com apenas 16 anos (tios Sukita, tremei!). Ninfeta-mor de toda uma geração, Vendramini chegou rapidamente ao sucesso. Arrebatou mais uma leva de fãs ao estrelar um antológico comercial de jeans para a Wrangler, em que interpretava uma freira que abandona ao convento para fugir com um pretendente (ao som de Can't Take My Eyes Off Of You, de Frankie Valli). Depois, como toda modelo que se preze, resolveu enveredar pela dramaturgia, sem muito sucesso.
Estreou no cinema no curta-metragem Trancado por Dentro (ao lado de Fernanda Montenegro e Marcos Palmeira) e chegou a estudar teatro com o diretor Antunes Filho, mas depois fez participações pra lá de discretas em novelas como Vamp e O Rei do Gado. Casou-se com o cantor Paulo Ricardo (outro ícone pop dos anos 80), depois se separou dele, e no entanto sumiu, desapareceu, escafedeu-se dos holofotes da mídia, para o desconsolo de fãs como eu. Poder-se-ia dizer: Luciana Vendramini é uma Luana Piovani que não deu certo.
Qual não foi minha surpresa, pois, ao encontrá-la linda, lépida e fagueira, no site da Jovem Pan? Pois bem: em tempos nos quais bandas oitentistas como Capital Inicial, Kid Abelha e Titãs estão em alta, por que não resgatar as musas daquela época? Luciana Vendramini merece uma segunda chance: votem nela para estrelar uma das próximas capas da Playboy!
UPDATE: Nos comentários, Mr. Jean Boëchat já havia cantado a bola, e o Sr. Aluado mandou preciosíssimo link com a prova inconteste: Luciana Vendramini está acertando os últimos detalhes para seu novo ensaio fotográfico para a Playboy. Irmãos de platonismo, regojivai-vos!
Sempre nutri uma admiração silenciosa pelos meus amigos que possuem a desfaçatez de chegar na maior cara-de-pau em uma garota e proferir uma cantada qualquer. Ah, as oportunidades que perdi na vida por causa da minha falta de xaveco. Será que Bandeira levantaria de seu túmulo se eu interpretasse seu verso "a vida inteira que podia ter sido e não foi" como uma reflexão sobre as mulheres que deixei de conhecer? Never mind.
O fato é que entrei no site da União dos Conquistadores de Mulheres, criado pela Unilever para promover o seu desodorante Axe Conviction, aquele cuja propaganda afirma que "convicção é tudo para conquistar o sexo oposto". A página, um verdadeiro achado mercadológico, além de divulgar com bom humor o desodorante, é voltado a homens que compartilham a seguinte convicção: não existem mulheres inalcançáveis, e sim mulheres mal-cantadas. Afirma o site: "CON-VIC-ÇÃO. O nome já diz: nunca nos renderemos. A Vitória é nossa, a Carla, a Suzana, a Letícia, a Priscila e a Roberta também. Membros da União dos Conquistadores de Mulheres, marchemos juntos para o 'sim'. Todo esforço renderá uma conquista".
Felizmente o site da UCM não é contaminado pela praga do politicamente correto. De acordo com as regras implícitas da eterna guerra dos sexos, mulheres são explicitamente chamadas de "alvos" e "vítimas" da implacável obsessão masculina pela conquista. É bóbvio que nessa batalha não existem vencedores ou vencidos: cada um se rende de acordo com seus próprios interesses, e ninguém é inocente nessa história. Feita a devida ressalva, não dá pra não se deleitar com a coleção de cantadas compiladas pela páginas. Vale tudo: clichês requentados, tiradas machistas, lirismos sutilmente temperados com um toque de canalhice. Você, leitora deste blog, sucumbiria a tais chavecos? Você, leitor deste post, já teve a manha de proferir cantadas como as transcritas logo abaixo? Confiram a seguir uma breve coletânea dos "torpedos" mais singelos (não necessariamente as melhores) que encontrei.
- Estava numa balada todo cabisbaixo, tomando fora de todas as mulheres. Apesar do desespero, não desisti, acreditei em mim e continuei procurando até que encontrei uma linda japonesinha dançando na pista. Já não me importava com mais nada, fui até ela e perguntei: "Oi, me dá um beijo sabor sushi?" Ela ficou rindo sem graça, mas logo me abraçou. Ficamos juntos aquela noite e namoramos por dez meses! (Bernardo Vega - Este é o exemplo perfeito da cara-de-pau que nunca terei. "Beijo sabor sushi"!?)
- Gostava de uma garota e descolei o telefone dela. Liguei para ela e disse assim: "Estoy enamorado por ti". Depois mandei um monte de flores com cartões com a mesma frase: "Estoy enamorado por ti". Em seguida comecei a mandar presentes em que escrevi a mesma coisa, inclusive uma camiseta minha com meu perfume. Até que um dia a vi passar e resolvi falar com ela. Cheguei, disse oi e ela respondeu. Perguntei: "Gosta de espanhol?" Ela se ligou, me agarrou e me beijou. Depois disso começamos a namorar e estamos juntos há seis meses. (Everton Rafael - Uma única observação: ay caramba!)
- Você é quase perfeita, só falta me ter ao seu lado. (Daniel Dantas - Em tempo: belo cacófato.)
- Descobri que elas, ou a maioria delas, preferem o cafajeste. Passei um ano somente admirando aquela gata da faculdade que estava na minha sala. Durante dois anos fui aquele anjinho, respeitoso, educado, cheio de moral e bons costumes. Depois me dei conta de que os homens não estão aqui somente para vestir calças, e sim para tirá-las na frente de uma garota como aquela. Passei o último ano sendo grosso, não usava mais aquelas roupas certinhas, não fazia a barba e fui ao ataque daquela gostosa! Conversas e olhares não bastavam para mim. Um dia cheguei uns 20 minutos mais cedo à faculdade e lá estava ela, sozinha na sala. Sentei-me à sua frente e, mesmo sem falar oi, beijei-a. Hoje estou noivo dessa mulher que não quer me ver mais como um anjinho. (Fabio Luiz)
- Você chega para ela e pergunta: "Você acredita em amor à primeira vista?" Se ela responder com um não seco, você dá uma volta de 360 graus em volta de você mesmo e retorna a seguinte pergunta: "E à segunda vista?" É provável que nesta hora ela vai comecar a rir. Você ri também e, para descontrair, pergunta: "Qual seria a vista ideal para você?" (Weslley)
- Estava de férias na casa de praia da minha tia. Ao lado morava uma menina muito linda, gata de cinema. Todo mundo a olhava com vontade de ao menos chegar perto dela. Achando que a parada era difícil, adotei a velha tática de não estar nem aí. Logo meus primos começaram a dar em cima, jogar bola na frente da casa dela e, de alguma maneira, se aproximar da gata. Nessa história ela se aproximou de mim e disse que estava apaixonada simplesmente por eu ser tímido. É isso aí, mais uma gatinha que cai no velho truque do garotão abandonado. No meio de marmanjos muito exibidos, nada melhor do que fazer o papel do tímido. (Robertson - Confesso: na falta de estratégias, adoto essa mesma. De vez em quando dá certo. :))
- Você quer ser o You do "I Love You"? (Lepenhu - Essa me lembrou uma música do Léo Jaime: "I am the book/ You are the table/ And the book is on the table")
1.7.03 Semana passada Antônio Palocci, nosso Ministro da Economia, afirmou solenemente: "O Brasil saiu da UTI". Para quem avalia a situação da economia brasileira a partir dos cálculos de risco-país feitos pelo JP Morgan, a frase poderia até fazer algum sentido. Mas repita tal afirmação aos dois milhões de desempregados na cidade de São Paulo, ou às milhares de pessoas, muitas delas com nível universitário, que se acotovelaram em busca de uma vaga para trabalhar de lixeiro na Comlurb do Rio de Janeiro. Tanta concorrência não foi à toa: o trabalho pode não dar status social, mas em compensação oferece R$ 610 de salário, benefícios como vale-refeição e plano de saúde e, mais importante, a chance de um emprego estável. "Eu quero estabilidade, hoje em dia só tem terceirização, ninguém quer assinar carteira", declarou Flávia Vieira Viana, 23, segundo grau completo, auxiliar de telemarketing e uma das postulantes à vaga de gari, em reportagem de Jacqueline Farid para O Estado de S. Paulo.
Do jeito que as coisas andam feias, não me surpreenderia se os brasileiros começarem a viajar em massa para a Terra do Sol Nascente em busca de um emprego como... limpador de bunda de lutador de sumô.
Reza a lenda que, como no Japão tais lutadores possuem enorme prestígio tanto social como econômico, muitos podem se dar ao luxo de contratar incautos para realizar determinadas tarefas cotidianas que o excesso de adiposidades na região abdominal (leia-se: pneus de caminhão na cintura) não lhes permite fazer. Por exemplo, dar aquele trato higiênico esperto na reentrância anal após a famosa "pausa para reflexão" diária. Devidamente munidos com máscaras para o rosto e luvas cirúrgicas, os limpadores-de-bunda-de-lutador-de-sumô seriam generosamente remunerados, com salários de até US$ 2.000 por mês. Alguém poderia dizer: é um trabalho sujo (literalmente), mas alguém precisa fazer.
Por mais indigno que possa parecer, não pestanejo em dizer que tal emprego não seria pior que ser humilhado em público em programas como os do João Kléber e Ratinho em troca de míseros cachês, ou apanhar da polícia na fila para concorrer à vaga de gari no Rio de Janeiro. E tudo isso apesar do Brasil, segundo Mr. Palocci, ter saído da UTI. Como diria Bussunda, ih o cara, fala sério! Impossível não repetir o clichê: tem que rir pra não chorar.
PARALAMAS DO SUCESSO 1. Are you male or female? Selvagem
2. Describe yourself: Não Adianta
3. How do some people feel about you? Encruzilhada
4. How do you feel about yourself? Será que Vai Chover?
5. Describe your girlfriend: Flores e Espinhos
6. Where would you rather be? Na Nossa Casa
7. Describe what you want to be: Caleidoscópio
8. Describe how you live: Depois da Queda, o Coice
9. Describe how you love: Seguindo Estrelas
10. Share a few words of wisdom: Esqueça o que te Disseram Sobre o Amor (Vai Ser Diferente)
BOB DYLAN 1. Are you male or female? Man in the Long Black Coat
2. Describe yourself: Mixed Up Confusion
3. How do some people feel about you? Like a Rolling Stone
4. How do you feel about yourself? The Times They Are A-Changin'
5. Describe your girlfriend: You're a Big Girl Now
6. Where would you rather be? Blue Moon
7. Describe what you want to be: Shelter from the Storm
8. Describe how you live: Living the Blues
9. Describe how you love: Lay, Lady, Lay
10. Share a few words of wisdom: Don't Think Twice, It's All Right
(Encontrei o questionário acima aqui, li aqui também, não resisti e fiz o meu. Pelo jeito, é mais um daqueles memes que se difundem pela blogosfera feito tribbles ou Gremlins molhados. Escolha uma banda e faça o seu você também.)