PE, PN

home sweet home
rss
arquivos x
livro de visitas


Clique aqui e adquira seu exemplar do livro Blog de Papel.

+ inagaki
[S p a m Z i n e]
Antena 1
Bestiário
Blog de Papel
A Casa das Mil Portas
Cortante
Cracatoa Simplesmente Sumiu
Digestivo Cultural
Flashback
Garotas que Dizem Ni
Germina
Morfina
Orkut (comunidade)
Patife
PE do B (Multiply)
PE, PN (UOL)
StumbleUpon
Virunduns

blogs da semana
Ângulo Parodi
BrunoTorres.net
De cara pra lua
Enloucrescendo 2006
Fabio Seixas
José Geraldo Martins
libélulas
Nas Colchas
Ovelha Elétrica
Pensamentos de uma batata transgênica
Trânsito

visite
Afrodite sem Olimpo
Alê Félix
Alexandre Soares Silva
Andrea Del Fuego
Ao Mirante, Nelson!
Appothekaryum
Aqui tem coisa
Balandronada
Banana & Etc
Baxt
B e r e t e a n d o
Biajoni!
Bibi's box
Bife Sujo
O biscoito fino e a massa
Blog do Tas
Blogus
Branco Leone
Bricabraque
Calmantes com Champagne
Cambalhotas de Irrealidades
Caminhar
Camiseteria
Carreira Solo
Caryorker
circulando.com
Clandestina
Código Aberto
Comentários e Versos do Cadafalso
como assim dois uísque?
Copy & Paste
CrisDias.com
Cyn City
Daniel Santos
Dennis D.
Desfio
[10 anos a 1000]
Di LUA
Diário de Lisboa
Different Thinker
Digestivo Blog
Discoteca Básica
Doidivana
iDrops da Fal!
e-nútil
É por aqui que se vai pra lá?
Enloucrescendo
Escrevescreve
e s q u i z o f a s i a
Fazendo gênero
FDR
Filthy McNasty
Flávio Diário
frankamente...
Gravatá
Gravataí Merengue
HOTEL HELL
Idéias Mutantes
internETC.
Jesus, me chicoteia!
Jornalista de Merda
Kibe Loco!
Kit Básico da Mulher Moderna
Leite de Pato
Liberal Libertário
Lixo Tipo Especial
Loompas
Lounge
MadTeaParty
Mafalda Crescida
Uma Malla pelo mundo
Marina W
Marmota, Mais dos Mesmos
(8{> Matusalém Matusca
mau humor
Me, Myself and I
MegaZona
Menin@ Prodígio
Milton Ribeiro
Na Cara do Gol
nababu.org
no mínimo | Weblog
Nóvoa em Folha
Ota
Ouvido Penico
Pablog
Papel de Pão
p a r a l e l o s;
Le Parapluie
Pedro Alexandre Sanches
Pirão Sem Dono
O Polzonoff
por um punhado de pixels
Postiçagens
Pras Cabeças
Prosa Caótica
puragoiaba
Quando, Onde e Como
Querido Leitor
RadarPop
Rafael Galvão
Ressaca Moral
Rita Apoena
Samjaquimsatva
saudades do presidente Figueiredo
Sedentário & Hiperativo
Segunda Impressão
Sem desperdício
Síndrome de Estocolmo
Smart Shade of Blue
Sounds of Silence
Striptease Cerebral
Stuck in Sac
sub rosa
Tamarindo
Tiago Dória
Tony Monti
Uh, baby!!!
Utopia Dilucular
A vida tem dessas coisas
xy7htk
Zel
Zoom!

d'além-mar
Afixe
Aviz
Barnabé
Bitacoras.org
Bitaites
Blog da Sabedoria
Briteiros
Em Busca da Límpida Medida
días estranhos
eCuaderno
Elastico.net
Ene Coisas
espécie duma coisa qualquer
Fora do Mundo
Fumaças
Gatochy's blog
La Hispaniola
El Hombre que Comía Diccionarios
Juegos de Ingenio
Lado Negro da Web
A memória Inventada
Mil e uma pequenas histórias
o b v i o u s
Papel Continuo
Peopleware
La Petite Claudine
Ponto media
Portugal No Seu Melhor
a Puta da Subjectividade
Santa Maradona
sirope.com
Vila Dianteira

cinefilia
chip hazard
Cine Die
Cine Imperfeito
Cinema Cuspido e Escarrado
Cinema em Cena
CinemaScópio
Contracampo
Escreva Lola Escreva
Filmes do Chico
[ filmes gls ou quase ]
Filmsite.org
FilmWise
IMDb
Metaphilm
Tío Oscar
Zeta Filmes

fait divers
Allan Sieber
American Museum of Photography
Brainstorm #9
cabeza marginal
Cadeia de Palavras
Carl Barks
Cocadaboa
Cracatoa Simplesmente Sumiu
DigestivoCultural.com
Duplipensar.net
Garotas que dizem Ni
Givago
Indigo Girl
Insanus
O Jovem Nerd
Laerte
Marca Diabo
Minimal dadaísta bizarro
:: Morfina ::
Mundalua
MyBlogLog
Nao-til
Omelete
PD-Literatura
Pessoas do Século Passado
Pitchfork
Portal Literal
Projeto Releituras
PublishNews
Pulso Único
Rednuht.org
Revisita da MPB
Scream & Yell
Site do Aran
spectorama
TopLinks
Trabalho Sujo
Tripofagia
Uêba
Vasto Oceano Vastas Letras

Blog Template by 1greenEYE Designs


BlogRating
Comentários by Falou & Disse, do graaaaande Fabio Sampaio.
This page is powered by Blogger Brasil.

29.4.03
Poema Encarcerado

Toda palavra é vã.

Meu amor é um poema encarcerado no papel.
Meu amor é um tecelão de estrelas ignoradas pelo dia.
Meu amor ainda aguarda pelos sóis que brilham em seus olhos.
Meu amor é a cruz amaldiçoada
Na qual prego minhas mãos com alegria.
Meu amor perpassa corpos e semáforos fechados.
Meu amor é um andarilho que tropeça em passos bêbados.

Meu amor me dá medo.

Meu amor é mais confuso que minha gaveta de meias.
Meu amor reconta cada tic-tac da madrugada.
Meu amor rima brócolis com metrópoles.

Meu amor não tem coerência.

Meu amor é um silêncio povoado de pensamentos.
Alegre como o relâmpago de um sorriso,
Caótico como o trânsito de minhas veias.

Meu amor é desconcertante.

Meu amor é esquivo como um sparring de campeão,
um sabonete molhado, uma mulher nua.
É teimoso, nostálgico, imbecil.

Toda palavra é vã.

Sobretudo,
Meu amor ainda não esqueceu
De te recordar.

(toda palavra, toda palavra)



26.4.03
Você ainda guarda algum gesso autografado por seus amigos sumidos de infância?

Quando eu era moleque e cursava o primário no colégio Raio de Sol, nutria uma certa inveja toda vez que algum coleguinha chegava na classe com o braço ou a perna engessada. Não estranhem: crianças são bobas mesmo, e naquela época eu assistia diariamente ao programa do Bozo. A razão desse sentimento besta era uma só: bastava ver gesso para que toda a trupe de infantes corresse desembestada, com canetas esferográficas ou hidrográficas em punho, para deixar uma mensagem que ficaria (ao menos é o que achávamos) para a posteridade. Anos mais tarde, engessei meu pé pela primeira vez na vida; pena que há muito já perdera contato com o Ivo, a Sumaya, a Priscila, o Richard, a Roberta e outros colegas de Raio de Sol (por onde anda essa galera?), amigos de uma época de mais ilusões utópicas e menos preocupações financeiras. Mas não pensem que vou cair na velha armadilha da nostalgia que idealiza tempos idos que não necessariamente foram mais felizes.

Tergiverso, tergiverso. E pensar que todas essas digressões apareceram com o intuito de anunciar que, na ausência temporária dos comentários deste blog (a despeito dos esforços hercúleos de cumpadi Fábio Sampaio), resolvi criar um livro de visitas. Assassino, com isso, dois coelhos na mesma tacada: crio um novo espaço para que os freqüentadores deste cafofo virtual possam deixar seus pitacos, e ao mesmo tempo resolvo, à minha maneira, a velha frustração de nunca ter tido um gesso assinado por meus camaradas.

Não se avexem, pois: cliquem aqui, tirem os sapatos e deixem suas marcas nesta calçada virtual.

(Em tempo: a foto acima é de Nicole Lima, mocinha de Curitiba que escreve pra burro, gosta de abraçar almofadas, tem medo de abelhas e de ver extratos de banco, mas que anda mais sumida do que deveria, humpf!)



25.4.03
Música serve pra isso

Música boa precisa ser ouvida com os olhos fechados. Pra viajar longe, na sala escura da imaginação, enquanto o projetor da minha mente exibe um videoclipe composto por associações inusitadas e memórias que subitamente retornam, feito madeleines musicais, resgatadas por melodias, riffs e acordes reverberando momentos marcantes que vi e vivi (nem sempre venci). O sorriso daquela namoradinha da 3a. série que nunca mais encontrei depois que ela mudou de escola. O domingo chuvoso em que meu avô morreu. O churrasco no qual tomei um porre homérico e fui jogado na piscina com roupa e tudo. O dia em que Senna encontrou pela última vez a curva da Tamburello. A primeira noite de um garoto bobão tornado homem.

Afirmou Nietzsche: "a vida, sem a música, seria um erro". Exageros à parte, o fato é que eu não gostaria de viver em um mundo emudecido. Dizem que os cegos, quando sonham, ainda são capazes de vislumbrar uma ou outra imagem esparsa dentro do breu: sombras amareladas, ruídos azuis, nuvens tácteis. Mas e quanto aos surdos? Como deve ser viver sem poder compartilhar lembranças com as canções dos Beatles, Roy Orbison, Billie Holiday, Chico Buarque, Smiths? Ok: vinis, CDs e arquivos mp3 não são tão vitais ao organismo humano quanto, digamos, um copo d'água. Mas vida sem música é como comida sem sal - é palatável, mas poderia (deveria) ser MUITO melhor.

Músicas podem mudar vidas, músicas podem mudar o mundo. Há os exemplos óbvios como o Concerto para Bangladesh, organizado por George Harrison em 1971, ou o Live Aid, idealizado por Bob Geldof em 1985, e que arrecadou cerca de 70 milhões de dólares para as vítimas da seca na África. Mas há um caso singular que me toca em especial. Em 25 de abril de 1974 (há exatos 19 anos), rádios portuguesas veicularam a canção "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso, como senha para o começo da Revolução dos Cravos. Além da singularidade de ter sido um levante militar sem violência e que derrubou uma ditadura que já durava quatro décadas, o movimento ficou marcado por imagens como a de populares saldando soldados que marchavam com cravos nos canos de suas espingardas.

Parafraseando Os Mulheres Negras: "música serve pra isso".



O hype agora é trocar de biquíni sem parar...

Tudo começou quando publiquei um editorial no Spam Zine sobre os tais dos virunduns. A repercussão foi excelente, e a quantidade de feedbacks que recebi dos leitores rendeu material suficiente para a publicação de novas "virundadas" semanas a fio. Tempos depois, ao republicar o texto neste mesmo blog, o sucesso se repetiu, e eu me toquei: pô, essa parada já faz por merecer um site próprio.

Devidamente assessorado por meus comparsas de longa data Ian Black e André "Marmota", o blog dos Virunduns alçou vôo próprio em 21 de março. O resultado? Em pouco mais de um mês, já fomos objeto de matérias na Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal da Tarde, e posso adiantar que vem mais reportagens por aí.

Não vou me iludir achando que o sucesso do Virunduns vá mudar minha vida: fama na Internet é um lance mais volátil que a vida útil de uma bolha de sabão. Mas não nego que acho bacana ver um filhote meu ser tão bem recebido. "Que seja eterno enquanto dure", como ensinou Vinícius. Em tempo: a declaração que a Paula Toller deu na matéria d'O Globo foi uma revelação para mim. Pois eu lá sabia que o verso correto em "Lágrimas e Chuva" é "Eu dou plantão dos meus problemas" em vez de "Eu tou plantando os meus problemas", versão que sempre cantei até hoje?

Como sempre digo, errar é humano; mas rir com os erros alheios é mais humano ainda...



I N Í C I O

Alexandre Inagaki adentra o recinto, vasculha com o rabo dos olhos os cantos de seu blog empoeirado, abaixa-se para pegar um espanador e começa a retirar as teias de aranha virtuais acumuladas durante o período em que ficou sem atualizar este site, enquanto pensa em desculpas esfarrapadas para justificar a falta de novos posts. Súbito, pára o que está fazendo e se dirige diretamente à platéia.

INAGAKI (hesitante):
- Ahn... Ressaca de chocolate pós-Páscoa?

Inagaki percebe rapidamente, por meio dos olhares enviesados e sorrisos irônicos que o perpassam feito alfinetes em uma almofada, que sua desculpa não colou. Sai sorrateiramente do palco, enquanto sobe a música. Pano rápido.

F I M



19.4.03
Ilustração de Cecília Esteves/UOL.

Este belo desenho a la Klimt, que peguei emprestado para ilustrar meus votos de uma Feliz Páscoa aos leitores deste blog, é de Cecília Esteves. Clique na figura acima para enviá-la como cartão virtual aos amigos a quem você prometeu (mas não cumpriu) um ovo de chocolate. :)



18.4.03
Caricatura feita pelo meu cumpadi Ian Black especialmente para o blog Virunduns.Graças a Deus, finalmente terminaram as votações do Prêmio iBest, e eu já posso aposentar (ufa) minha faceta de político que pedia votos a cada 15 posts. Dia 6 de maio os resultados serão divulgados em uma festa a ser realizada no Via Funchal, casa de espetáculos de Sampa City. Nesta data também será anunciado o ganhador do Xsara Picasso, a ser sorteado entre todos aqueles que participaram das votações. Cruzem os dedos!

Não posso deixar de declarar meu muito obrigado a todos aqueles que tiveram a paciência de preencher aquela cadastraiada toda para confirmarem seus votos neste blog. Tomo emprestadas as palavras de Sally Field em seu discurso de agradecimento ao receber o Oscar para dizer: "'Now I know you love me! You really, really love me!!!". E agora chega, antes que este post seja proibido a diabéticos. =)

Para encerrar, gostaria de compartilhar duas boas novas com vocês. A primeira é a inclusão de Pensar Enlouquece na blogteca do Portal Literal, o site oficial das feras Luis Fernando Veríssimo, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, Ferreira Gullar e Zuenir Ventura. E a segunda é a citação do Virunduns, blog temático que mantenho junto com meus camaradas Ian e Marmota, na coluna do Pedro Alexandre Sanches da Folha de S. Paulo. Mais uma vez sou obrigado a parafrasear as palavras imortais de cumpadi Emilio di Fraia, para escrever: bacana, bacana!!!



17.4.03
Chorumelas à moda da casa

Embora amistosamente, recebi outro dia cobrança de uma amiga minha que reclamava a falta de posts mais pessoais por aqui. "Seu blog não tem cara de blog", ela disse. Respondi: "uau, fico feliz em ouvir isso". Nada contra weblogs que justificam a definição mais surrada ouvida por aí, a de diários online, mesmo porque existem pessoas que escrevem sobre seu cotidiano maravilhosamente bem. Ninguém precisa viver a vida de um Amyr Klink ou uma Amelia Earhart para extrair lirismo e aventura de suas reminiscências, nem ser um James Joyce para extrair um romance da jornada de um único dia. Contudo, não é a minha praia.

Eu simplesmente não sei escrever a meu respeito, a não ser que enverede pelas searas do nonsense para falar abobrinhas que disfarcem minha total inaptidão para fazer confissões pessoais. Não sei falar de mim mesmo, e quem já conversou comigo sabe que posso ficar horas divagando sobre filmes de Truffaut, pilotos de Fórmula 1, as melhores covers dos Beatles ou as incongruências do amor. Mas, se for para falar da minha vida, eu travo.

Quem me conhece pessoalmente e sabe das pequenas grandes atribulações da minha vida, é até capaz de enxergar nas entrelinhas de alguns posts a quantas anda meu humor. Mas precisa ser pra lá de sagaz, mesmo porque dificilmente escreverei algo do tipo "hoje escutei Belle and Sebastian e quase cortei meus pulsos", ou "fui pro motel Sigilu's com minha gata e dei quatro sem tirar de dentro", a não ser para fins cômicos. Aliás, se fosse descrever meu cotidiano, talvez faria algo no estilo "The dullest blog in the world": "Entrei no quarto e pressionei o interruptor para que a lâmpada acendesse e eu pudesse ver o que estava fazendo. Algum tempo depois, saí do quarto e apertei o interruptor novamente. A luz então se apagou".

Mas enfim, consciente da vasta (oh!) curiosidade que cerca minha misteriosa personalidade, decidi fazer algumas revelações bombásticas a meu respeito. Para anunciá-las, tomo emprestadas as palavras do inolvidável apresentador de televisão Barros de Alencar: "alô mocinhas, segurem-se nas cadeiras, alô marmanjos, não façam besteiras!".

- Sou poliglota. Domino fluentemente dois idiomas: portunhol e língua do pê.

- Tenho livros autografados de: Lygia Fagundes Telles, Lau Siqueira, Daniel Galera, Airton Monte, Neil Gaiman, Franco Montoro, Paula Pimenta, Lourenço Mutarelli e Daniel Pellizzari. Ainda preciso pegar o meu exemplar autografado pela Daniela Abade; e não posso deixar de citar o encarte do meu Acústico MTV autografado pelos três Paralamas do Sucesso.

- Possuo o perigoso hábito de balbuciar palavras enquanto durmo. Temo, pois, pelo dia em que serei assassinado no meio do meu sono por uma namorada mais passional, devido a alguma bobagem cometida quando acordado, e delatada por meus sonhos-Calabar.

- Odeio telefones. Principalmente quando eles tocam, não há ninguém em casa para atendê-los por mim, eu estou no banheiro perdido em inadiáveis tergiversações ontológicas (em outras palavras: dando uma cagadinha), e quando levanto para ver quem é, a pessoa do outro lado da linha diz que é engano e que na verdade estava procurando pelo Zenílton da tinturaria.

- Mais da metade dos meus rolos amorosos começou em alguma conversa virtual. Bons tempos do videotexto, e da época em que eu ainda usava o Almas Gêmeas...

Chega. Mais confissões, só se a revista Caras me oferecer matéria de capa e um generoso cachê, com direito a esta manchete: "Alexandre Inagaki revela segredos de seu caso com Mariana Ximenes na Ilha de Caras". O cachorrinho da Vera Loyola aparecerá de relance mijando em minhas havaianas.



14.4.03
Escrever me dá muito trabalho. Raramente funciono à base de inspiração, essa musa esquiva e inconstante. Em certos momentos imagino meus neurônios presos a correntes feito escravos, levando chibatadas no lombo enquanto movimentam as engrenagens que botam minha cachola para funcionar. Esta imagem pode soar exagerada, mas é a descrição fiel do que sinto em momentos como este de agora, em que estou à beira de uma gripe, com a garganta inflamada, o nariz "endubido" e o cérebro tornado uma geléia de mocotó.

Como eu sei que nem à base de chibatadas vou conseguir escrever um texto decente, declaro inaugurada mais uma sessão de reprises, especialmente dedicada aos visitantes novos que dificilmente possuem o costume de espiar os arquivos de um blog. Assim que eu me desvencilhar dessa gripe desgracenta, estarei de volta.

Como diria Mr. Schwarznegger, "hasta la vista, baby!". Comportem-se direitinho (pero no mucho) durante minha ausência. :)



Desencontros do amor no Grand Canyon

Amar hemburrece.

O que mata na vida são relacionamentos mal resolvidos. Aquela menina que sorriu pra você na festa da formatura da 8a. série, e que você não assediou porque era um tremendo dum bunda mole. A colega de trabalho com quem você teve um caso, e que não foi pra frente porque tanto ela quanto você estavam enrolados com outras pessoas, e que permanece encalacrada em seus pensamentos, feito uma bala Soft entalada na garganta. A vida que poderia ter sido mas não foi, como escreveu o Bandeira.

Quando penso em affairs enrolados, lembro sempre dos desenhos do papa-léguas. Nada me tira a convicção de que aquele coiote era irremediavelmente apaixonado pelo Bip-Bip. E todas aquelas bigornas que caíam em sua cabeça, as quedas nos abismos do Grand Canyon que terminavam em nuvens de pó, e as explosões dos artefatos sempre bichados da Acme, não passavam de metáforas do desentendimento amoroso. Como um amante desavisado, que ouve uma frase como "não quero estragar nossa amizade" e sente o chão escapar dos seus pés.

Uma vez, por uma só vez eu gostaria de ver o Bip-Bip se entregando à imensa fome de amar do desajeitado coiote. Assim como gostaria de ver aqueles moleques escapando da Caverna do Dragão, ou o Pato Donald dando uma coça nos folgados do Tico e Teco. Mas crianças, como todos devem saber, são sádicas, e gostam de ver personagens se estrepando, e riem gostosamente de tantas desgraças, e sofrimentos, e explosões.

(outubro/2002)



Janelas indiscretas

Que todos nós somos um bando de moralistas hipócritas, isto é fato líquido e certo. Provavelmente fomos por demais embebedados por um espírito "Big Brother" de ser, que fomentou o lado voyeur de cada um. A recente onda de reality shows exibidos pela TV fez com que adotássemos um novo hábito: o de apreciar ver pessoas se embebedando, falando palavrões, expondo suas fraquezas, trepando debaixo de edredons, como se estivéssemos vendo um aquário repleto de peixes. Rimos e nos deleitamos com a exposição de terceiros. Depois, criticamos jocosamente a boçalidade de fulano, a luxúria de sicrana, a ingenuidade de beltrano - tão fácil rir das fraquezas alheias.

Intuo uma certa correlação entre a curiosidade em ver tais programas e o fascínio que os blogs têm causado entre os internautas em geral. Fascina-nos a exposição da vida alheia, e, principalmente, dos defeitos dos outros. Talvez haja um quê de catarse em ler posts confessionais, e descobrir que há outras pessoas além de mim que sofrem, choram, levam foras, são espezinhadas, estão desempregadas, foram traídas, xingadas, humilhadas ou simplesmente ouvem Menudo escondidas. É uma pseudo-literatura de espelhos: me identifico com o que leio, e gosto do que encontro apenas porque me reflito nela.

(setembro/2002)



Futebol

Garrincha, a alegria do povo

É rapaz, o tempo passa no cronômetro e no placar eletrônico;
na aflição do time em busca do gol premente;
nas rugas do jogador que sai vaiado pela torcida;
na tensão do atacante na hora do pênalti;
no nervosismo do treinador alinhavando desculpas amarfanhadas;
no desconforto do artilheiro que não marca há várias derrotas;
na dor do torcedor que volta para casa envelhecido
carregando em cada perna o peso indelével da frustração.

Instável como técnico no cargo ou juvenil no time titular,
a vida ignora qualquer tática ou esquema de jogo.
E não adianta designar volante para marcação homem-a-homem
porque ela nos escapa, feito bola molhada nas mãos do goleiro,
com a graça de moleque que dribla toda a defesa,
desenho de luz no verde gramado.

Subterfúgios também não vão colar, colega.
Fazer cera, retardar os tiros-de-meta,
simular contusões com artes de canastrão,
trocar passes estéreis de um lado para outro
afirmando "valorizar a posse da bola".
Cada momento será devidamente compensado nos descontos.

(O bandeirinha delator, o goleiro solitário,
o dirigente exaltado, o treinador teórico,
o gandula torcedor, o reserva conformado,
todos tecem vasta confusão de pernas, socos e palavrões no espaço,
estranha cerâmica no meio-de-campo.)

Esta competição, amigo, tem regras rígidas:
tão criticadas, tão vilipendiadas,
mas inevitavelmente obedecidas por todos.
Neste regulamento não há tapetão.

Futebol é paciência.
Agüentar as vaias uníssonas de hormônios desafinados.
Jogar sob a chuva pesada, o gramado pesado, a cabeça pesada.
Aturar as contas atrasadas e os bichos pagos com cheque sem fundo.
A semana na concentração longe da família.
O papo arrastado das preleções, o banco de reservas,
as perguntas imbecis dos repórteres.

Mas tudo logo se olvida e se justifica.
E como dá gosto de ver as arquibancadas lotadas,
as bandeiras tremulando, os fogos estralejando no céu.
O juiz já lançou a moeda pra o alto,
é hora de acabar o aquecimento
e entrar em campo com o pé direito.

Agora é hora de beijar a chuteira, fazer o sinal da cruz,
posar para as fotos do pôster,
rezar com os companheiros
e aguardar infinitamente pelo minuto de silêncio
que ninguém sabe por quem é.

Boa sorte, irmão.
E que tarde muito até que chegue o temido, o inevitável,
o inapelável Apito Final.

(setembro 2002)



(pensando alto)

Ilustração que encontrei em um sítio português sobre cinema: simplesmente maravilhosa.Falamos em fazer amor, mas amor se faz? Amor é auto-dependente, bicho irritante que não pede nenhum favor a não ser nossa própria destruição. Amor sufoca, amor corrói, corrompe e invade nossas cabeças; amor é martelo, sino retinindo, marcação constante que não dá brecha pra contra-ataque, carrapato chupando sangue da pele. Amor obsessão, amor torneira pingando: até quando, até quando? Amar-te até a morte, até Vênus, até os anéis de Saturno que te prometi buscar (mas promessas de amor não valem nada, meu amor), esse amor maldito que me ocupa os pensamentos, amor que nos carcome paulatinamente, câncer faminto, "ácido de um sim negativo", vida que brota destruindo.

Mas amar não é negar o medo, a razão, o tempo? Amar é afirmação nascida de negativas, e não amar é sofrer mais. Você me falava no amor livre dos hippies. Bah! Livre eu era na prisão dos teus braços... Liberdade sem limites acaba em anarquia, em niilismo destruidor, surubas sem tesão. Amor é como uma fotografia que fixa limites para superá-los. Amor é renúncia a muitas coisas, mas também a maior transcendência que podemos almejar neste mundo. Amar é tornar dois um, e amor mais perfeito não há do que a mãe com seu filho no ventre. Amor é parto, é dor; nascemos chorando.

(outubro/2002)



11.4.03
Porque é preciso, é preciso.

"1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 - então o 11, e você começa tudo outra vez". Onze, a renovação da dezena: assim interpreta Joseph Campbell em "O Poder do Mito". Viver é começar de novo, e de novo, e de novo.

Toda mudança carrega em si um pouco de morte e mais um tanto de renascimento. Como o adulto de hoje, que precisou matar muitas atitudes e ilusões da infância para se tornar o que é. Feito eu, que assassinei a sangue frio muitos dos mitos que carreguei em meus anos incríveis: o Papai Noel, o coelhinho da Páscoa, o "bom selvagem" de Rousseau, a minha futura carreira de cantor de rock, os amores que um dia se foram (sempre me identifiquei com o Charlie Brown, em seus constantes desencontros com a garotinha ruiva).

Hoje sou um homem mais cínico e cético do que gostaria, mas acredito que dentro da dosagem necessária para sobreviver a um mundo que vem sem manuais de instrução ou botes salva-vidas. Sei um pouco a respeito das engrenagens sujas que movem o teatro da vida, o bastante para acreditar que um pouco de ignorância é pressuposto fundamental para ser feliz no mundo em que vivemos. Mas, acima de tudo, tenho esperanças.

Sim, tenho esperanças. Não que eu seja um daqueles caras que acreditam que basta juntarmos nossas mãos e cantar "Imagine" para mudar o mundo: meu lado cínico não resiste a fazer piadas sobre hippies emaconhados (não como esses ripongas fashion que a gente vê em passarelas de moda e novelas das seis, assépticos e domesticados como o som de uma boy band), ou esquerdistas que guardam suas camisetas com a estampa de Che Guevara penduradas ao lado de suas calças Fórum e tênis Nike.

Minhas esperanças não estão atreladas a nenhum credo ou religião. Não tenho ídolos nem líderes a seguir, que pudessem me guiar em meio à alienação, ao tédio e ao torpor de um mundo devastado por guerras estúpidas, preconceitos acéfalos, desigualdade social e falta de amor. Não leio livros de auto-ajuda, não sigo paradas de sucesso, não faço doações à LBV, não sei qual é o sentido de nossa passagem por aqui e, por favor, não desejo receber nenhum attachment de Power Point com mensagens edificantes sobre a humanidade.

Tampouco sei porque fui acometido com estas reflexões. Talvez seja porque ainda não ganhei nenhum ovo de Páscoa.



10.4.03
8 ou 80

Acendo teu cigarro na estrela desta madrugada insone, enquanto pensamentos redemoinham melodias redivivas na pista de minha memória. Abra as persianas de minhas reminiscências, mocinha.

A verborragia nervosa na mesa de jantar, as citações ricocheteadas de Bergman e Woolf, a taça de vinho tremeluzendo em minhas mãos titubeantes. De repente, não mais que de repente, me vi tonto (ainda mais do que o habitual) em um mundo repentinamente grávido de possibilidades que sorriam. Como um quadro que salta pra fora da moldura. Como as reticências sugestivas no decote das nuvens ocultando a manhã. Como um big bang eclodido dentro de mim, ao toque de lábios descobrindo-se pela primeira vez.

Diante do teu sorriso sempre retrocederei ao adolescente que tropeça nas próprias palavras. Meus cadarços se transformam em serpentes que se desamarram sozinhas e sobem rebeldes, em busca de estrelas esquivas. Ah, tantas vezes quis te matar, tantas vezes ainda morrerei entre tuas pernas. Alguém já viu um teto branco se encher de cores, assim como um escritor cobre de palavras o silêncio de uma madrugada? Maybe. Mas as piadas não têm mais graça, a música neste jukebox é sempre a mesma, e os insultos doídos que vociferamos brandem dentes nervosos na algazarra da noite.

O que fazer quando não sei mais o que fazer com teus olhos? Meus neurônios jogam amarelinha oscilando entre o céu e o inferno; pendurado entre o 8 e o 80, desisto de buscar o 44. Interrogações penduram-se no alabastro do meu cérebro, como guarda-chuvas antecipando a proeminente tempestade. Na gangorra da insônia, sou a mão sem linhas na palma.

Nossa história acabará no clichê amarfanhado do "viveram felizes para sempre"? Espero que não. Porque, oras, quem deseja o tédio imortal da felicidade perene?



8.4.03
Me empresta um beijo, amanhã te devolvo

Os gatos do MESTRE Laerte Coutinho.

Não tenho o menor xaveco, muito menos cara de pau para chegar em cima de uma incauta e cometer um:

- Todas essas curvas aí, e eu sem freio nenhum...

Minha vida amorosa foi tremendamente atrasada pela minha timidez. Sou um daqueles caras que, se precisam falar em público, ficam gagos, fanhos e burros. Além disso, não nasci com a cara do Brad Pitt ou o corpo do Giannechini. Estou em plena forma: de pêra. Portanto, não é difícil de imaginar como era a minha vida amorosa aos tenros quinze anos, quando meu rosto era uma ilha cercada de espinhas, e eu era mais desajeitado que o Peter Sellers nos filmes da Pantera Cor-de-Rosa. Duros foram os anos em que eu, recém-saído da fase púbere da vida, precisava me contentar com amores platônicos, aqueles só vividos do pescoço pra cima.

Ok, admito: eu era um bobão. Como bem escreveu Rubem Fonseca, "todo homem aos quinze anos de idade é um imbecil". Com o tempo, a gente continua carregando essa imbecilidade vida afora, mas ao menos ganha um pouco mais de know how e malemolência. Pra que vocês tenham uma idéia, só fui dar meu primeiro beijo de língua lá pelos meus 16 anos. Sim, eu era mais lerdo que tartaruga baiana em fila de repartição pública. E olha que ainda ontem ouvi pela primeira vez a tal música que propaga que "beijo na boca é coisa do passado, a moda agora é namorar pelado". Bah, eu era muito inocente mesmo. :)

Por sorte minha vida amorosa acabou engrenando de vez dois anos depois. Dessa fase de vacas raquíticas, guardo no bojo da memória duas frases que contêm imensa sabedoria. A primeira é de William, meu primo de Inúbia Paulista: "mulé é bicho bão!". E a segunda, do meu ex-colega de banco Marco Antônio: "puxa Inagaki, se com a mão é tão bom, imagine com mulher...".

Até gostaria de citar aqui a história da melhor cantada que eu já dei na vida, mas a verdade é que nunca passei uma. É sério: todas as mulheres que conquistei (ainda bem que tem gosto pra tudo neste mundo) acabaram sendo fisgadas às custas de muito bate-papo, piadinhas infames e certas insinuações que só foram proferidas após horas e mais horas de approach. Por isso, passo a bola para que os leitores deste blog exibam seu sex appeal no espaço dos comentários: qual foi a cantada mais marcante que você já deu (ou recebeu)?



A guerra en passant

Cansei de escrever sobre a chacina no Iraque: Bush brocha. Melhor ler o weblog do No Mínimo, parada obrigatória para se informar decentemente sobre essa merda toda.

O último comentário que pretendo fazer sobre o assunto diz respeito a um comercial da Fiat que se baseia no slogan "Você precisa rever seus conceitos". Depois de assistir pela enésima vez na TV às patacoadas protagonizadas pelas forças (sic) anglo-americanas, percebo que "fogo amigo" e "precisão cirúrgica" são duas expressões que ganharam conotações completamente opostas aos conceitos tradicionais. É como escreveu o Barão de Itararé: "a guerra é uma coisa tão absurda e incompreensível que, quando se registra um combate de amplas proporções, até as baixas são altas".

E agora, de volta à nossa programação normal.



7.4.03
Corrida Maluca

Maldito déjà vu.Se os competidores tivessem sido Peter Perfeito, Rufus o Lenhador, Barão Vermelho, Quadrilha de Morte, Irmãos Rocha, Penélope Charmosa, Dick Vigarista e Mutley, a corrida deste domingo teria feito muito mais sentido para mim. O que dizer de um Grande Prêmio que teve largada com safety car, chegada sem bandeirada no final, pódio com apenas dois pilotos, líder da corrida que não vence (mais zicado que o Rubinho, só mesmo o Giancarlo Fisichella, que viu Kimi Raikonnen ganhar o GP Brasil mesmo tendo ultrapassado o finlandês) e o melhor piloto de todo o fim de semana derrotado porque seu carro não tinha mais combustível? Oras bolas, até mesmo o Fiat 147 da minha tia Guiomar tem pisca-alerta que avisa quando a gasolina está acabando!

Para amantes do automobilismo como eu e cumpadi Amadeu Bocatios (cujo Sounds of Silence completou um ano recentemente - parabéns, mizifio!), foi inevitável a sensação de decepção. Lemyr Martins, colunista da revista Quatro Rodas, sintetizou em uma frase a corrida de Rubens Barrichello: "Correu como nunca, parou como sempre". Até os detratores de Rubinho precisam reconhecer que o piloto brasileiro deu um banho de pilotagem. Enquanto seu colega de equipe rodou na fatídica Curva 3 junto com mais duzentos e trinta e sete colegas, Rubens obteve a pole position, dominou sua F2002 sem cometer um erro sequer de pilotagem em um carro notadamente desequilibrado, fez a melhor volta da corrida e só não venceu devido a uma quixotada da Ferrari, (ir)responsável pela "pane seca" que tirou o brasileiro da prova.

Em 1975, nosso compatriota José Carlos Pace, que largou na primeira fila do GP da Bélgica, perdeu a corrida porque não conseguia pisar no pedal do acelerador até o fundo. O motivo? Um mecânico de sua equipe havia esquecido um molho de chaves no cockpit de seu Brabham, exatamente entre o pedal e o chão do carro. Em 1992, Nigel Mansell perdeu o GP da Hungria de 1987 após liderar 70 das 76 voltas simplesmente porque uma porca da roda traseira se soltou. São casos patéticos, que ilustram o fato de que Rubens não é o único piloto prejudicado acintosamente pela incompetência de sua equipe. Não acredito, pois, em teorias conspiratórias acusando a Ferrari de ter sacaneado Barrichello a fim de favorecer o foderoso alemão: pilotos estarão sempre sujeitos a "herros" alheios.

Mudando de assunto (mas nem tanto), não posso deixar de louvar a performance de Alexandre Barros na prova de abertura da Moto GP, em Suzuka, Japão. Durante os treinos preliminares, Barros levou um tombo que lesionou os ligamentos de seu joelho esquerdo. Apesar de mal conseguir andar, o brasileiro disputou a corrida e ainda chegou em oitavo lugar, superando todos os outros pilotos com a mesma moto que a sua, uma Yamaha. É uma pena que um tremendo esportista como Alexandre Barros, único brasileiro na principal categoria da motovelocidade, seja mais conhecido na Europa do que em seu próprio país. Torço para que a persistência de meu xará abra portas para outros motociclistas assim como Émerson Fittipaldi iniciou um legado que gerou outros campeões como Piquet e Senna.

UPDATE: Bem, menos mal que a FIA resolveu dar a vitória ao Fisichella. Por outro lado, essa história de mudar os resultados via tapetão me deu uma tremenda sensação de déjà vu. Fórmula 1, assim como o futebol brasileiro, também virou uma caixinha de surpresas, ou melhor, de Pandora?



6.4.03
Finas estampas

(ADVERTÊNCIA: este post é graficamente explícito. Afaste crianças, senhoras de Santana e detratores de Carlos Zéfiro da frente do seu monitor.)

Todos que já passaram pela mesma situação sabem: quem ama seus livros não os empresta a ninguém. Já perdi a conta de quantos volumes cedidos a colegas meus viajaram para um exílio sem volta. Não que eu me aborreça muito com essas coisas; sinceramente torço para que eles tenham encontrado destinos mais dignos que as prateleiras empoeiradas de meu quarto. Com base em minhas experiências anteriores, diria até que o empréstimo de certas revistas, livros ou CDs é uma espécie de prévio consentimento do ato de furtar.

Ex-líbris do escritor e cineasta francês Jean Cocteau.Contudo, preciso esclarecer que jamais emprestaria certos exemplares da minha modesta biblioteca. Por exemplo: a edição encadernada em papel bíblia da Poesia Completa de João Cabral de Melo Neto (o melhor presente de aniversário que já ganhei em toda a minha vida, dado por meus ex-colegas do BB), meus exemplares em capa dura de O Jogo da Amarelinha do Cortázar e Cem Anos de Solidão do García Márquez, e o especial de Sandman autografado por Neil Gaiman só sairão das minhas mãos quando eu não estiver mais neste mundo. Com sorte, estarei assistindo a um sarau do Goethe com o Philip Larkin e a Elizabeth Bishop.

É uma pena que quase ninguém possua hoje em dia o hábito de utilizar o ex-líbris: um pequeno carimbo ou adesivo que, estampado no interior de um livro, serve para indicar a quem pertence ou pertenceu esse volume. Mais do que uma mera estampa, os ex-líbris eram verdadeiros títulos de propriedade, expressando traços da personalidade de seu dono por meio de brasões personalizados, muitas vezes criados sob encomenda por artistas gravadores.

Ei, você tem mais de 18 anos, né? :)Quem compra livros em sebos deve ter atentado para o fato de que, por intermédio da ordem de colocação dos ex-líbris, é possível reconstituir a ordem cronológica de seus proprietários. Méritos para o olho vivo de colecionadores como João Antônio Bührer, que se deleitam ao descobrir tais preciosidades gráficas. A propósito: na Internet é possível encontrar ex-líbris de escritores célebres como Máximo Gorki, Jack London e Rainer Maria Rilke.

Quanto a mim, meus dotes gráficos não passam da cRássica casinha-tosca-com-chaminé-e-bonequinhos-de-pau-ao-redor. Sou incapaz, pois, de criar um design minimamente decente para um ex-líbris que me agrade. Mas, mesmo que contratasse o melhor dos xilogravadores, dificilmente possuiria uma estampa mais bela que o maravilhoso (e singularmente explícito) exemplar à direita do seu monitor (que peguei emprestado do Letteri Café). Ah, os livros. Ah, as mulheres...



4.4.03
TOP 10 MÚSICAS COM NOMES, HUM, INTERESSANTES (NACIONAL):

- "Uma Empregada Vai Ser Mãe dos Filhos Meus" - Waldik Soriano
- "Família, Base de uma Grande Nação" - Claudio Fontana
- "Ajudar Crianças com Câncer Faz Bem ao Coração" - Capital Inicial
- "Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo" - Wander Wildner
- "Mulher Igual à Minha Só em Outra Geração" - Carlos Alexandre
- "Amor Filho da Puta" - Wando
- "Minha Sogra Parece Sapatão" - Bezerra da Silva
- "O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu" - Chico Science & Nação Zumbi
- "Formato Mp3 a Serviço do Desrespeito" - lusbel is a jazz project
- "Prometo Não Ejacular na Sua Boca" - Falcão

TOP 10 MÚSICAS COM NOMES, HUM, INTERESSANTES (INTERNACIONAL):

- "I Sold Your Dog to a Chinese Restaurant" - Anal Cunt
- "Are You Drinkin' With Me Jesus?" - Mojo Nixon
- "Theory of Sex as an Art Form" - Camera Obscura
- "Lessons Learned from Rocky I to III" - Cornershop
- "MTV Makes Me Wanna Smoke Crack" - Beck
- "Some People Try (to Fuck With You)" - Teenage Fanclub
- "Did I Shave My Legs for This?" - Deana Carter
- "Cows Are Ugly and Stupid, So Shut Up and Eat Them" - Oddlager
- "My Baby's in Love With Eddie Vedder" - Weird Al Yankovic
- "You're the Reason Our Kids Are So Ugly" - Lola Jean Dillon & L.E. White

TOP 10 MELHORES TÍTULOS DE MÚSICAS COUNTRY (QUE SELECIONEI DAQUI):

- "I Want a Beer as Cold as My Ex-Wife's Heart"
- "She's So Ugly She Makes My Cat Bark"
- "I Caught Her Drinking Johnny Walker with Tom, Dick and Harry"
- "If God Sees Everything, I'm in a Lot of Trouble When I Die"
- "Kleenex is My Best Friend"
- "Get Your Tongue Outta My Mouth, Cause I'm Kissing You Goodbye"
- "If The Phone Don't Ring, You'll Know It's Me"
- "I Haven't Gone to Bed With Any Ugly Women, But I've Sure Woke Up with a Few"
- "My Wife Ran Off With My Best Friend, And I Sure Do Miss Him"
- "I'll Marry You Tomorrow But Let's Honeymoon Tonight"



3.4.03
Se o Pica-Pau tivesse avisado a polícia, nada disso teria acontecido

Direeeeeeeto do túnel do tempo...Ao ler os comentários do post anterior, um fato que me chamou a atenção foi a quantidade de citações ao Pica-Pau, desenho que serviu de babá eletrônica pra muito pivete nos anos 80. Sim, eu também já passei muitas tardes assistindo às aventuras deste personagem criado por Walter Lantz. Reza a lenda que a inspiração de Lantz foi um pica-pau importuno que atacou a cabana à beira de um lago na qual ele passava a lua-de-mel junto com a esposa. Surgido em 1940, o Pica-Pau desde cedo fez sucesso, tendo como marca registrada sua risada esganiçada criada pelo mesmo Mel Blanc que deu voz a outros personagens clássicos do desenho animado, como Pernalonga, Patolino e Barney Rubble (Blanc também criou o "beep beep" do Papa Léguas).

Pra quem não sabe, existe um blog exclusivamente dedicado à criação de Walter Lantz: Episódios do Pica-Pau. O meu predileto é o mesmo da Carol: aquele em que o Pica-Pau queria descer as cataratas do Niágara num barril (by the way, o título original desse episódio é Niagara Fools), mas era sempre impedido pelo segurança. A melhor parte, é claro, é a hora em que o guarda despencava lá das cataratas enquanto os turistas gritavam: AÊÊEÊÊ!!! Outro digno de nota: aquele em que uma bruxa testava um monte de vassouras pra ver se elas voavam, dizendo a toda hora: - E lá vamos nós! E lá vamos nós! E, bóbvio, preciso citar o episódio citado no título deste post, também recordado pelo Rafael Rosenhayme: "iates... mulheres... dinheiro... mulheres...".



2.4.03
"Você sabe que está ficando velho quando..."

Memória é um bicho esquisito. Assim, do nada, comecei a relembrar os filmes que costumavam passar no SBT, quando ainda era conhecido como TVS, dentro da Sessão Premiada, assim batizada porque o Gugu sorteava prêmios para os telespectadores durante os intervalos. Eram títulos tosquíssimos como Aids, Aconteceu Comigo, Tuff Turf, o Rebelde, A Gang dos Dobermans, A Volta da Gang dos Dobermans e, se não me engano, A Gang dos Dobermans Ataca Novamente. Como ninguém ouvira falar desses títulos, Silvio Santos divulgava-os no Show de Calouros com uma frase que marcou época: "eu ainda não vi esse filme, mas me disseram que é muiiiiiiiito bom".

Uma vez caí na cilada de assistir a uma dessas bodegas cinematográficas, atraído por uma chamada no mínimo sugestiva. Aparecia o rosto de uma atriz (a mãe do Michael J. Fox naquela série que passava na Sessão Comédia da Globo, Caras e Caretas) em close up. Um locutor em off, com a voz empostada, dizia:

- Qual será o segredo de Kate? Como você reagiria ao segredo de Kate? Ninguém imagina o segredo de Kate...

E era isso. Nada sobre a trama, o elenco, o diretor. O comercial durava uns dez segundos, e terminava com uma legenda em letras garrafais ocupando toda a tela:

O SEGREDO DE KATE

Vi essa chamada ser repetida pelo menos umas dez vezes, enquanto eu assistia o Roletrando (não me condenem, eu sempre gostei de brincar de forca). Bem, dizem que a curiosidade matou o gato; antes fosse só o felino. Ao contrário do Silvio, fui ver o tal filme: uma bosta, como era de se esperar.

Toda vez que me lembro dessa história, me vem à cabeça uma velha esquete dos Trapalhões. Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgina Mufumbo (memória é um imenso baú de inutilidades) ficava atrás de um muro gritando:

- Vinte e sete! Vinte e sete! Vinte e sete!

Aí aparecia um passante (não me lembro se era o Dedé, o Sargento Pincel, o Ted Boy Marino ou aquele alemão que morreu há pouco tempo) que, instigado pelos berros, erguia-se na ponta dos pés para ver o que acontecia do outro lado do muro. O incauto levava uma tremenda tortada na cara, só para escutar em seguida:

- Vinte e oito! Vinte e oito! Vinte e oito!

Em tempo: duvido que algum leitor deste blog com mais de 20 anos não se recorde da dublagem que os Trapalhões fizeram da Maria Bethânia cantando "Teresinha". Mais clássica que essa cena, só mesmo Édipo Rei e a Missa em Si Menor do Bach.



1.4.03
Ele rouba mas faz.Daqui pra frente, tudo vai ser diferente. Pôxa, não tenho mais ninguém, você simplesmente merece alguém melhor do que eu. O cachorro comeu a minha redação. Vou me casar virgem. O único motivo para fazermos essa guerra é porque Saddam esconde armas químicas. Vocês podem quebrar meu sigilo bancário, não tenho nada contra essa CPI. Puxa, você não parece ter a idade que tem! A culpa é das forças ocultas. Esse vestidinho de oncinha ficou o máximo! O importante é a beleza interior. Esta é a solução definitiva para todos os seus problemas financeiros! Doutor, não vi nada e não sei de nada. Cuidado com o vírus Bad Times. Hoje não meu bem, estou com dor de cabeça. Sogrinha, uma delícia o seu pudim de jiló! Brasil é o país do futuro. O Bussunda morreu. Esta é o público mais maravilhoso que já tivemos em toda a nossa carreira! Foi a cegonha que te trouxe. Chefe, infelizmente vou ter que faltar hoje, minha tia morreu. Pode ficar tranqüilo, que na semana que vem vou depositar seu dinheiro. Encaminhe este e-mail para todo mundo que você conhece, e ganhe uma viagem para a Disney. Se você não limpar seu prato o Homem do Saco vai te pegar. Ninguém teve culpa, foi o destino que quis assim. Vou começar a dieta na segunda. Querida, não é nada disso que você está pensando! Se você não se comportar, não vai ganhar presente do Papai Noel. Prometo que só vou pôr a cabecinha. Eu nunca minto.

Perguntinha inocente: por que só um dia da mentira?



Meninos Eu Li

Depois que Acabou - Daniela Abade - Editora Gênese

Algumas pessoas escrevem para expiar suas loucuras interiores. Outras encontram nas letras uma maneira de recriarem o mundo ao seu bel prazer, brincando de Deus. Há ainda aquelas que vislumbram na literatura uma pequena trapaça à morte, como que intuindo que suas obras sejam capazes de transcender a presença física de seus autores. Ouça o Noturno de Chopin, leia o Macbeth de Shakespeare, admire a Guernica de Picasso, e ouse dizer que seus criadores se foram para sempre. Mas, o que dizer de alguém que já está morto?

À semelhança de Brás Cubas, Depois que Acabou é obra de um defunto autor. Ou, no caso, de uma autora, que encontra sua morte por obra de um óculos de sol vagabundo e um caminhão de algumas toneladas. No entanto, ao contrário do que nos ensinam os livros espiritualistas ou filmes de Hollywood, Carla de Souza Almeida não foi para o céu ou o inferno, não viu nenhum túnel de luz nem fantasmas que a guiassem para outra dimensão. Muito pelo contrário, permanece presa à Terra, amargando a mais inconsolável das solidões e cercada por pessoas incapazes de ouvir, sentir ou sequer intuir sua presença. Sem uma única voz capaz de explicar seu post mortem, Carla relata sua história, munida com sua surpreendente capacidade de rir de si mesma e um afiado senso de observação do mundo, em busca da resposta sugerida nos versos de Jorge Luis Borges: "Chego ao meu centro,/ A minha álgebra e minha chave,/ A meu espelho./ Breve saberei quem sou".

Poderia ser uma história para aterrorizar crianças, um episódio de Além da Imaginação, um sonho louco que esquecemos à luz da manhã, mas é muito mais do que isso. Depois que Acabou, o romance de estréia de Daniela Abade, é uma obra que retine na cabeça de cada leitor muito depois do término de sua leitura. É livro que surpreende a cada linha, cada parágrafo, cada capítulo, graças à destreza com que a autora inicia sua promissora carreira literária guiando seus leitores a uma espiral crescente de situações hipotéticas ma non troppo, que atordoam, ferem, incomodam, satirizam, iluminam nosso cotidiano.

Depois que Acabou é leitura das mais sedutoras, daquelas que a gente só larga depois do ponto final e devora com gosto de "quero mais", mas também é uma metáfora contundente sobre a condição humana. É convite à reflexão, mas sem a sisudez dos tratados de filosofia. É um romance que integra, enfim, a estirpe daquelas obras que deixam o leitor em suspenso e incapaz de explicar suas sensações, mas que são recomendadas entusiasticamente aos amigos com interjeições desajeitadas: leia, leia, leia!

Poderia ser uma bala perdida, uma metástase tardiamente diagnosticada, um pedaço de ônibus espacial que lhe caísse à cabeça, um escorregão fortuito no chão molhado do banheiro, uma noite de sono sem bocejos pela manhã. Poderia ser com qualquer um, mas aconteceu com Carla de Souza Almeida. E, bem, quem sabe o que há do outro lado (um bom escritor é capaz de delinear realidades inventadas que, por mais fantásticas que possam parecer, são totalmente críveis)? Poderá acontecer com você também.

Clique aqui para saber mais sobre o livro.