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30.9.02
Broken Things Stay Broken, ilustração de Sam Brown, do genial site Exploding Dog

(pensando alto)

Falamos em fazer amor, mas amor se faz? Amor sufoca, amor desatina, amor é martelo, sino retinindo, marcação constante que não dá brecha para contra-ataque, carrapato chupando sangue da pele. Amor-obsessão, amor torneira pingando: até quando, até quando, até quando? Amar é amargo, e promessas amorosas são voláteis. Amor maldito que invade pensamentos, amor que nos carcome paulatinamente, câncer faminto, "ácido de um sim negativo", vida que brota destruindo. Mas amar não é negar o medo, a razão, o tempo? Amar é afirmação nascida de negativas, e não amar é sofrer mais. Você me falava no amor livre e descompromissado dos hippies, mas a liberdade não estava na prisão dos teus braços? Bah, liberdade sem limites acaba em anarquia, niilismo estéril, suruba sem tesão. Amor é como uma fotografia que fixa limites para superá-los. Amor é renúncia a muitas coisas, mas também a maior transcendência que podemos almejar neste mundo. Amar é tornar dois um: mãe com seu filho no ventre. Contudo, amor é parto, é dor; e nascemos chorando.



Deus existe, apesar das provas em contrário. José Genoíno caminha a passos largos para atropelar Paulo Maluf, em desabalada derrocada nas pesquisas eleitorais. O homem do Frangogate e da Paulipetro, em desespero, teve a pachorra de defender, outro dia, o voto em Lula para a Presidência, denominando a exótica combinação de "Luma" (Lula-Maluf). Necas de pitibiriba, mon ami. Uma chapa dessas só pode ser chamada de MULA.


29.9.02
Falando no assunto, por que será que todos os monstros atacavam Tóquio? Imagino que eram atraídos pela energia radioativa decorrente das bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Bah, não venha me dizer que era porque os roteiristas eram todos japoneses. Busquemos respostas menos banais.



o Tenente Hayata, depois de ter acionado a cáspula beta

Quando a energia do Ultraman estava chegando ao fim, uma luz azul no centro do seu peito começava a piscar. Feito um gigante do ringue que precisa encerrar logo a luta porque aproxima-se a hora do intervalo, Ultraman transitava bruscamente da enrolação para a objetividade. Tratava de liquidar logo o monstrengo da vez, e voava desembestado em direção ao Sol, fonte vital de seus superpoderes.

Pois bem, você necessita não apenas de um alerta azul, como também de um Sol para recarregar suas esperanças. Aliás, todos nós.



Você age como se fosse um Superman viciado em kryptonita.


Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã consciência, já dizia o inglês. E quem sou eu para contrariá-lo? :)

Dica da semana: Astronomy Picture of the Day. Diariamente uma nova foto ou imagem do universo é publicada, acompanhada por breves explicações técnicas dadas por astrônomos profissionais.

Em uma palavra: fascinante. Cada vez que navego pelas imagens desta página, recordo os versos de Paulo Leminski.

luxo saber
além destas telhas
um céu de estrelas



26.9.02
"Cinema é a música da luz".
(Abel Gance)



O que faz com que uma canção invada, feito um vírus de computador, a cabeça das pessoas, por mais insuportável que ela possa ser? Dou um exemplo recente: Baba, da Kelly Key. A letra é de uma imbecilidade ímpar. A linha melódica simplesmente inexiste. Os vocais são tão expressivos quanto suflê de chuchu. E no entanto, por que o maldito mantra teima em voltar à minha mente, feito aqueles monstros de filme B que, por mais que pareçam mortos, insistem em ressuscitar? De repente, quase que inconscientemente, me pegava a cantarolar:

Baba baby baba baby baba...

Por Tutatis, esse refrão não foi plagiado da cartilha Caminho Feliz ou de alguma letra encontrada no lixo do Humberto Gessinger? Ivo viu a uva, o Papa é pop e o baby insiste em babar nos meus ouvidos. É possível explicar o fenômeno dessas canções-chiclete de alguma maneira minimamente racional?



21.9.02
Wait in the fire And I feel them drown my name So easy to know and forget With this kiss I'm not afraid to go But it goes so slow...

PREDILETOS DA CASA - IV

Apague a luz. Depois, ouça Grace ou Last Goodbye usando seu melhor par de fones de ouvido. Se você completar a audição desta música sem sentir um nó na garganta, sinto muito: você tem uma grave falha de caráter.

Descobri Jeff Buckley há relativamente pouco tempo, graças ao saudoso Napster. Estava eu procurando por uma versão decente de Calling You, quando me deparei com o arquivo mp3 de uma cover que downloadeei simplesmente por puxar. Logo fiquei embasbacado: quem era o dono daquela voz extraordinária, que deixara meus ouvidos boquiabertos? Imediatamente passei a procurar na Net por todas as suas canções. Consolidei minha primeira impressão: a obra de Jeff Buckley é um amálgama de folk, blues, jazz e rock da mais alta qualidade artística, com canções que falam sobre espiritualidade, dor e redenção.

Após descobrir a obra, vim a conhecer sua biografia. Jeff foi o fruto indesejado de um casamento fracassado entre Mary Guibert e Tim Buckley, outro brilhante cantor e compositor. Tim separou-se de sua esposa quando ela ainda estava grávida, afastando-se do filho para seguir sua carreira. Só veio a reencontrá-lo em 1975, quando Jeff já tinha 8 anos. Poucas semanas depois, Tim morreu devido a uma superdose de heroína, aos 28 anos de idade.

Jeff viria a lapidar seus dons musicais no circuito de bares e clubes underground de Nova York. Logo começaram as comparações com Tim, uma legenda musical devido ao seu talento e, claro, à sua morte precoce. Jeff nunca superou totalmente a ausência do pai durante sua infância. Declarou: "quando nasci, meu avô me olhou e disse, 'yeah, ele se parece exatamente com um filho da puta'". Mas Jeff logo provou ter talento suficiente para ofuscar comparações. Contratado pela Columbia, gravou seu primeiro álbum, Grace, em 1994, imediatamente reconhecido pela crítica como um dos melhores lançamentos do ano.

Mas Jeff foi sempre avesso a badalações midiáticas. Quando recebeu uma cópia da revista People, que incluíra seu nome na lista das 50 Pessoas Mais Bonitas do Ano, ele jogou longe o exemplar, dizendo: "isso não significa porra nenhuma". Em busca da paz necessária, pôs o pé na estrada, viajando com sua banda pela América e Europa. Seu novo álbum só começou a ser gravado três anos após Grace. No dia 29 de maio de 1997, feliz com os resultados das primeiras gravações, Jeff se deu uma folga e viajou até a marina de Mud Island Harbor, às margens do mítico rio Mississipi. Mergulhou para nunca mais voltar: seu corpo foi encontrado quatro dias depois. Aos 30 anos, Jeff Buckley repetiu o prematuro final de seu pai, deixando apenas um álbum e alguns singles gravados. Seu breve, mas precioso legado.



Fala sério, mermão! Tento escrever posts minimamente interessantes, assim como linkar sites que mereçam ser conhecidos. E aí, constato que o número de visitantes deste blog estourou por conta dos incautos que procuram por fotos da farra da GV ou da Playboy com a Manuela do BBB. Não deixa de ser divertido, eu sei, mas... pfuf.


19.9.02
Que todos nós somos um bando de moralistas hipócritas, isto é fato líquido e certo. Vide o atual hype da bloglândia tupiniquim: as tais fotos da Giovanna, festa à fantasia da FGV. Provavelmente fomos por demais embebedados por um espírito "Big Brother" de ser, que fomentou o lado voyeur de cada um. A recente onda de reality shows exibida pelos canais abertos fez com que adotássemos um novo hábito: o de apreciar ver pessoas se embebedando, falando palavrões, expondo suas fraquezas, trepando debaixo de edredons, como se estivéssemos vendo um aquário repleto de peixes. Rimos e nos deleitamos com a exposição de terceiros. Depois, criticamos jocosamente a boçalidade de fulano, a luxúria de sicrana, a ingenuidade de beltrano - tão fácil rir das fraquezas alheias.

Intuo uma certa correlação entre a curiosidade em ver tais fotos e o fascínio que os blogs têm causado entre os internautas em geral. Fascina-nos a exposição da vida alheia, e, principalmente, dos defeitos dos outros. Talvez haja um quê de catarse em ler posts confessionais, e descobrir que há outras pessoas além de mim que sofrem, choram, levam foras, são espezinhadas, estão desempregadas, foram traídas, xingadas, humilhadas ou simplesmente ouvem Menudo escondidas. É uma pseudo-literatura de espelhos: me identifico com o que leio, e gosto do que encontro apenas porque me reflito nela (ainda voltarei a falar sobre o assunto).

Voltando ao assunto da festa da FGV: encontrei hoje um blog supostamente escrito por uma das mocinhas flagradas pelas fotos publicadas por aí, com o título Fiz Sim, e Daí?. Sua autora, Patrícia, em um lúcido desabafo, justifica da seguinte maneira o nome de seu blog:

Eu fiz sim, e daí?
Fiz e foi gostoso.
Fiz e vou fazer outra vez, sempre que tiver a fim.
Quem viu minha cara nas fotos (será que alguém ainda não viu?) pode ver como estou gostando daquilo.
Quer saber, foda-se o mundo: Eu gosto de sentir um pau entrando em mim. Gosto de segurar, olhar, beijar, chupar. NINGUÉM TEM NADA A VER COM ISSO.


Depois de um calaboca definitivo como este, o que dizer?

*clap, clap!*



Há sempre um motivo esfarrapado para postar uma foto como esta. =)

MOMENTO NOSTALGIA
Por onde anda Luciana Vendramini?



18.9.02
"Ingressarei na política com o objetivo de defender o segmento da população atualmente marginalizado no processo político brasileiro - a faixa dos 18 aos 90 anos de idade, aproximadamente.

Antes de mais nada, minha atuação será de clara, absoluta e radical oposição ao regime. Me recuso a fazer dieta!

Lutarei pela liberdade da mulher e da maconha. Quero mulher e maconha de graça para todo mundo. As minorias étnicas e sociais terão o meu apoio. Ninguém ainda se lembrou de defender a causa dos verdadeiros oprimidos na Irlanda do Norte, os muçulmanos bichas. Eu os defenderei. Pedirei o fim imediato para os furacões do Golfo de Bengala, que tanta insatisfação têm causado. Serei intransigente nos ataques ao câncer, ao chope sem pressão e ao imperialismo. Ainda não fixei posição quanto às endemias rurais, mas acho que sou contra".

(texto de Luis Fernando Veríssimo - LFV JÁ PARA A PRESIDÊNCIA!)



Criei um slogan definitivo para o Partido dos Aposentados da Nação.

"PAN é sangue novo na política!"

Nizan Guanaes e Duda Mendonça dormem mais tranqüilos após a publicação deste post.



A Arte, segundo Quino.

Visite o site do genial pai da Mafalda



17.9.02
Noite azul.
Deslindo teu corpo
com os olhos das mãos.



Inseto esmagado
sob as páginas do livro:
lembrança de Tolstói.



Tarde de terror:
preso, ouvindo a musiquinha
do elevador.



Consciente.
Mesmo assim, arranco
o cabelo branco.



Meditações zen
ao som
de um walkman



Garrincha, a alegria do povo

Futebol


É rapaz, o tempo passa no cronômetro e no placar eletrônico;
na aflição do time em busca do gol premente;
nas rugas do jogador que sai vaiado pela torcida;
na tensão do atacante na hora do pênalti;
no nervosismo do treinador alinhavando desculpas amarfanhadas;
no desconforto do artilheiro que não marca há várias derrotas;
na dor do torcedor que volta para casa envelhecido
carregando em cada perna o peso indelével da frustração.

Instável como técnico no cargo ou juvenil no time titular,
a vida ignora qualquer tática ou esquema de jogo.
E não adianta designar volante para marcação homem-a-homem
porque ela nos escapa, feito bola molhada nas mãos do goleiro,
com a graça de moleque que dribla toda a defesa,
desenho de luz no verde gramado.

Subterfúgios também não vão colar, colega.
Fazer cera, retardar os tiros-de-meta,
simular contusões com artes de canastrão,
trocar passes estéreis de um lado para outro
afirmando "valorizar a posse da bola".
Cada momento será devidamente compensado nos descontos.

(O bandeirinha delator, o goleiro solitário,
o dirigente exaltado, o treinador teórico,
o gandula torcedor, o reserva conformado,
todos tecem vasta confusão de pernas, socos e palavrões no espaço,
estranha cerâmica no meio-de-campo.)

Esta competição, amigo, tem regras rígidas:
tão criticadas, tão vilipendiadas,
mas inevitavelmente obedecidas por todos.
Neste regulamento não há tapetão.

Futebol é paciência.
Agüentar as vaias uníssonas de hormônios desafinados.
Jogar sob a chuva pesada, o gramado pesado, a cabeça pesada.
Aturar as contas atrasadas e os bichos pagos com cheque sem fundo.
A semana na concentração longe da família.
O papo arrastado das preleções, o banco de reservas,
as perguntas imbecis dos repórteres.

Mas tudo logo se olvida e se justifica.
E como dá gosto de ver as arquibancadas lotadas,
as bandeiras tremulando, os fogos estralejando no céu.
O juiz já lançou a moeda pra o alto,
é hora de acabar o aquecimento
e entrar em campo com o pé direito.

Agora é hora de beijar a chuteira, fazer o sinal da cruz,
posar para as fotos do pôster,
rezar com os companheiros
e aguardar infinitamente pelo minuto de silêncio
que ninguém sabe por quem é.

Boa sorte, irmão.
E que tarde muito até que chegue o temido, o inevitável,
o inapelável Apito Final.

(poema publicado originalmente no Spam Zine - edição 002)



Eis o post tradicional de inclusão no BlogChalking - This is my new blogchalk:
Brazil, São Paulo, São Paulo, Perdizes, Portuguese, English, Alexandre, Male, 26-30, Cinema, E-zine. :)



13.9.02
Enquanto Deus lança dados, a Morte joga xadrez

Parece Shakespeare, mas é Ingmar Bergman. De sua obra-prima, O Sétimo Selo (1957):

- É um inferno com as mulheres, e pior sem elas. A melhor coisa é matá-las enquanto se pode.
- Mulheres são inoportunas e insensíveis.
- Bebês e fraldas sujas.
- Unhas e palavras afiadas.
- Tapas, socos e uma sogra.
- E quando você quer dormir...
- Outra melodia.
- Lágrimas e gemidos que acordariam um morto.
- "Por que você não me dá um beijo de boa noite?"
- "Por que você não canta?"
- "Você não me ama mais como antes". "Você não notou a minha mudança". "Você apenas virou-se e cantou". Diabos! Agora ela se foi, seja grato.

(...)

- Talvez eu a ame.
- Talvez você a ame. Vou dizer-lhe uma coisa idiota, amor é uma palavra para luxúria, mais luxúria, trapaça, falsidade e comportamentos idiotas.
- Bem, mas isso machuca de qualquer maneira.
- O amor é a mais negra das pestes, mas ninguém morre de amor, e quase sempre passa.
- O meu não passa.
- É claro que passa. Raramente um par de idiotas morre de amor. Se tudo é imperfeito nesse mundo imperfeito então o amor é perfeito nessa perfeita imperfeição.
- Que animador. Toda essa conversa e você acredita nas suas tolices.
- Quem disse que eu acredito? Sou um sábio. Peça meu conselho e terá em dobro.



Mira las nubes

Não é necessário dominar o espanhol para desfrutar deste que é o melhor blog que conheço: El Hombre que Comía Diccionarios. Segue uma breve amostra do quão este sítio é fueda.




El elefante. Posiblemente el animal más inteligente y bondadoso del planeta Tierra. En la fotografía, un hermoso ejemplar momentos antes de devorar a un grupo de ecologistas.



Sonhos sonhos são?

Tive uma noite de sono péssima. Acordei pelo menos umas quatro vezes. Sonhos iam e vinham, seguindo sempre o mesmo modus operandi. Meu eu onírico aparecia em diversos lugares do meu cotidiano: no guichê de caixa, passeando pelo Parque do Ibirapuera, caminhando pelas ruas de Perdizes. De repente, algum figurante do sonho desviava-se subitamente do caminho para falar comigo, como aqueles personagens de filme que dirigem-se diretamente para a câmera e simulam uma conversa com o espectador. Em todos os sonhos, o tal figurante me abordava para dizer:

- Ei, você não vai acordar não?

E eu levantava, sobressaltado, do meu sono volátil. "Que puxa", diria o Charlie Brown.



Ok, já entraram neste blog procurando por Ansel Adams, "como gravar cd de videokê para tocar em videokê" e "Ana Paula bonequinha ex-paquita". Mas, wow, buscar por "o grande amor de Alexandre Inagaki"? Esse lance de blog está começando a me assustar. =)


10.9.02
O amor é um elevador que não pára em meu andar.


Uma das coisas mais cansativas da vida é tentar impressionar os outros. Quando você está num primeiro encontro, por exemplo, e quer parecer mais inteligente do que efetivamente é. Taí um dos grandes motivos pelos quais criei este blog pessoal, apesar de já escrever para o Spam Zine e o Logopéia. Aqui eu posso ser exatamente como quando estou com amigos numa mesa bêbada de bar: proferindo bobagens completamente descerebradas.

Taí: querem besteira maior que esta lista?


TOP 5 VERSOS LOBOTOMIZANTES DO CANCIONEIRO TUPINIQUIM:

1 - Essa é demais: Barros de Alencar simulando uma conversa telefônica na inacreditável canção Apenas Três Minutos, composta por ele mesmo: "Alô?/ Oi, sou eu/ Por favor, não desligue/ Escute, estou num telefone de rua/ Já é tarde e a linha pode cair/ Eu tenho apenas três minutos para dizer que não posso viver sem você/Pra dizer que te amo, te amo/ Quando brigamos até parece que fomos levados por uma força estranha/ Acredita nisso?/ Eu sim, mas sejamos mais fortes que ela".

2 - "Repetir o amor já satisfaz/ Dentro do bombom há um licor a mais/ E até que um dia chegue enfim/ Em que o sol derreta, será até o fim/ Do alto coração/ Mais alto coração..." (Biafra, em seu hit eterno Sonho de Ícaro)

3 - Outra de desopilar o fígado: "Eu olho aflita no relógio/ E você não voltou/ Meus nervos fazem ver/ Num sujo quarto de um hotel/ Eu vejo os dois desnudos fazendo amor". (Perla, legítima paraguaia, dando uma de Otelo)

4 - "Eu já nem lembro bem/ Da primeira vez que eu dei". (Agora Eu Sei, Kid Abelha, grupo da desmemoriada Paula Toller)

5 - "Eu quero te amar/ Eu quero beijar/ Eu quero apertar/ Eu quero botar/ O meu coração/ Nessa gatinha/ Cheio de emoção/ Let's go!!!" (Sérgio Mallandro, na inacreditavelmente lírica Vem Fazer Glu-Glu)



9.9.02
Claire Forlani

MOMENTO COLÍRIO

Disse Oscar Wilde: "posso resistir a tudo, menos às tentações". Pois é: este blog não resistiu. :)



GRANDE Torero

PREDILETOS DA CASA - III

Bacharel em Jornalismo e Letras e pós-graduado em Cinema pela USP, José Roberto Torero é escritor, dramaturgo, roteirista de cinema e televisão, diretor de curtas-metragens e colunista de futebol da Folha de S.Paulo. Nascido em 1963, este santista já foi premiado em praticamente todas as áreas em que atua. Ganhou o Prêmio Oswald de Andrade de Dramaturgia em 1991 pela peça "Sic Transit Gloria Dei". Em 1992, venceu duas categorias (Texto e Cinema) do Prêmio Nascente da USP. Em 1994, recebeu os Kikitos de Melhor Curta-Metragem e Direção no Festival de Gramado pelo curta "Amor". No ano seguinte, foi a vez do Prêmio Jabuti de Melhor Romance, por "O Chalaça". Recentemente, foi co-roteirista de "Uma História de Futebol", curta indicado ao Oscar de 2001. Publicou ainda outros livros de sucesso, como "Ira - Xadrez, Truco e Outras Guerras" e "Dicionário Santista".

Em resumo: quando eu crescer, quero ser que nem esse cara.

Quando o entrevistei, a impressão que Torero me deu foi a de ser uma pessoa bastante acessível, bem-humorada e, sobretudo, desencanada. Um exemplo: perguntei a ele como foi a sensação de, logo no começo da carreira literária, ter ganho duas categorias do Projeto Nascente da USP. Sua resposta:

- Senti uma grande felicidade e pensei: "Vou poder trocar de carro!". É que naquele tempo eu tinha um Del Rey muito velho, que sempre dava problemas. Mas tive azar. Dois dias depois, descendo a serra a caminho de Santos, bati o carro. E feio. Obviamente não tinha seguro e os trocados que me deram pelo carro, mais os prêmios, acabaram se transformando num Passat 83 dourado, um carro pior que meu velho Del Rey. Mas o mais importante é que, na carta de auto-apresentação que mandei junto com o livro para a Companhia das Letras, citei o prêmio, e ele provavelmente me ajudou a ver "O Chalaça" publicado.

Vale a pena também transcrever sua resposta à pergunta clássica, "que conselhos você daria para quem está começando a escrever?"

- Eu não tenho nenhum bom conselho, mas o escritor Marçal Aquino tem um ótimo: "mantenha a lata de lixo cheia". Acho uma excelente dica, pois reescrever é uma atividade que ensina muito a escrever, e o jovem escritor, às vezes por preguiça, às vezes por uma autoconfiança adolescente, nem sempre refaz o seu texto, acreditando que aquela primeira versão não pode ser melhorada.

Na Web, não deixe de conferir no excelente site Porta Curtas o roteiro do curta-metragem "Amor". Eis um trecho do script:

Lucrécia não é exatamente uma mulher fiel. Já se deitou com o padeiro, o leiteiro, o açougueiro, o quitandeiro e até com o peixeiro. Por isso sua geladeira está sempre bem abastecida. Os boatos da vizinhança já chegaram até os ouvidos de Janjão. Mas ele não se importa. Sua única preocupação é comprar uma geladeira maior.



8.9.02
we're in a road to nowhere...

Ansel Adams, Road, Nevada Desert. Poucas vezes na vida encontrei uma imagem tão plena de sugestões, tão rica em simbolismos. Clique na foto: não deixe de conferi-la em tamanho maior.

Na falta de um template melhor, caprichemos nas imagens. =)



Pelé, Jordan, Schumacher, Comaneci, Ali... Sampras

64 títulos na carreira. Recordista de títulos em torneios de Grand Slam (14 ao total: 7 em Wimbledon, 2 no Aberto da Austrália e 5 no US Open). Número 1 no ranking da ATP por 6 anos consecutivos (de 1993 a 1998). Não à toa, Pete Sampras foi eleito, em enquete realizada em 1997 pela ATP junto a jornalistas, tenistas e dirigentes, o maior jogador de tênis de todos os tempos.

Hoje Sampras conquistou mais um troféu para sua coleção: o quinto título do US Open, que venceu pela primeira vez em 1990, aos 19 anos de idade (foi o mais jovem vencedor da história do torneio). Doze anos depois, foi de dar gosto aos olhos ver o veterano tenista derrotar seu rival e compatriota André Agassi por 3 sets a 1. Muitos davam como acabada a carreira de Sampras, principalmente devido ao seu jejum de mais de 2 anos sem títulos no circuito profissional, terminado hoje em grande estilo.

O currículo de Sampras possui uma única lacuna: o título em Roland Garros. Ao contrário de Gustavo Kuerten, pisos de saibro nunca foram a especialidade do americano. Contudo, diante dos títulos e números impressionantes na carreira deste que é apelidado "The King of Swing", não dá para pedir mais. Ver veteranos como Pete Sampras (31 anos) e André Agassi (32) jogarem é um deleite para qualquer fã do tênis. Espero que estes "dinossauros" da raquete continuem provando que talento e experiência não possuem data de validade.



Lugares Incomuns


A dramática vitória do time dos atores transformou o campo em palco, mostrando que futebol é uma caixinha de Pandora. Concomitantemente ao mesmo tempo, a equipe dos empresários não deu trabalho à representação dos operários, sofrendo clamorosa goleada de muitos gols.

Enquanto isso, o geógrafo sumiu do mapa. O datilógrafo permaneceu batendo na mesma tecla. O cadáver do milionário foi encontrado podre de rico. O salva-vidas nadou, nadou e morreu na praia. Este, a propósito, torcia para a Portuguesa de Desportos.

A festa dos relojoeiros não tinha hora para acabar. O alfaiate arregaçou as mangas, enquanto o cozinheiro botava a mão na massa. Corria um boato, mas este foi pego no doping. Os empresários anões anunciaram crescimento negativo da empresa.

A briga entre os donos de cantinas acabou em pizza. Dez entre dez atrizes atuam. Humm, pensando bem... Deixa pra lá. O consenso tornou-se unanimidade geral entre todos. Devagar se vai lentamente. O marinheiro ficou a ver navios, porque a justiça tarda mas não chega na hora.

O silêncio vale ouro, e o sussurro, prata. A luva caiu como uma chuva. Apressados comem cru, atrasados roem ossos. Estes, aliás, serão os primeiros e rirão melhor. Um texto só termina quando acaba. E vice-versa.



Conhece o Momento Google?

Estou positivamente impressionado com a eficiência do Google. Cadastrei este blog há três dias e já recebi os primeiros visitantes por intermédio dele, procurando por Ana Paula Almeida paquita, Playboy Lídia Brondi e Deborah Secco nua. Não posso dizer que é um começo dos mais edificantes. Menos mal que esta página aparece há 4 dias consecutivos no Top Links. Quem diria, huh?

Mas temo pelo que possa vir pela frente. Imagino internautas incautos vindo a este blog e procurando por "fotos da Vanessa Morfina nua" ou "Nishi pelado", vai saber. Como sempre digo: eu morro e não vejo tudo.



7.9.02


Junto com meus comparsas de Spam Zine Ian Black e Orlando Tosetto Júnior, assisti, ano passado, a uma ótima peça da Sutil Companhia de Teatro, de Curitiba: Nostalgia, dirigida e escrita por Felipe Hirsch. Do espetáculo, o que mais ficou marcado em minha memória, a despeito da ótima cenografia de Daniela Thomas e da trilha sonora impecável (Nick Drake, Prefab Sprout, Bob Dylan, Smiths, Echo & the Bunnymen, Beach Boys...), foi um monólogo em que a personagem de Ana Kutner (na foto acima, ao lado de Guilherme Weber) discorria a respeito do casamento fracassado de seus pais, e da paixão que nutria por Artur, seu melhor amigo (personagem baseado em Arturo Bandini, alter-ego do escritor John Fante).

Cumpadi Ian, quando reviu a peça, gravou (bem, ao menos tentou) o monólogo a meu pedido. Transcrevo aqui os poucos trechos que consegui entender: são excertos precários, mas suficientes para atestar a qualidade da peça. Será que alguém aí teria o texto completo para me arranjar?


É tão triste. O casamento dos meus pais não deu certo, por que o meu daria? Passaram o resto da vida juntos, rangendo os dentes um pro outro. Meu pai com aquela expressão de "quero o meu dinheiro de volta", e desenhando roupas de baixo nas índias daquelas revistas da National Geographic. E minha mãe depilando as pernas e perdendo sangue no chuveiro, como numa cena de Psicose.

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Como provar que eu gosto de você? Se ao menos você ficasse doente, eu te doaria um rim.

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As amigas da minha mãe ficavam de quatro no banheiro, cheirando cocaína, simulando orgasmos. Cheiro de fumaça, unha e talcos para os pés. Seus maridos tão nojentos soltavam pêlos pelo nariz feito um cachorro irlandês. E elas, por sua vez, cantavam os maridos das amigas, de pernas abertas expondo suas vulvas para a visitação pública.

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Se todos nós alimentássemos as nossas crianças interiores, o mundo seria um lugar de obesos.

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Na minha casa o prato de comida tem tanto fio de cabelo que eu preciso pentear o meu jantar.

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Eu não agüento mais o barulho da televisão e do toca-discos! Eu não acompanho o noticiário esportivo com meu pai. Eu não faço palavras-cruzadas com a minha mãe.

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Eu não quero saber de novidades. Eu odeio as novidades! E essas pessoas que a gente pensa que iam mudar o mundo na verdade são como todos nós, e não fazem nada. Nada!

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- Você não me ama mais?
- Eu te amo desde o dia em que você me disse que os koalas comem eucaliptos.
- Então responde à minha pergunta. E olha dentro dos meus olhos, como você fosse tentar diagnosticar um glaucoma.



3.9.02
Laerte falou, tá falado.


(Ao vasculhar a zona do meu Outlook encontrei o texto abaixo, publicado originalmente no finado e-zine Sábado 14 em 7 de outubro de 2000. Ah, como eu gosto de escrever abobrinhas descompromissadas.)


Uma das maiores frustrações que possuo é minha completa inaptidão para com a música. Para começar, canto com a afinação de uma cabrita com cólicas. Não que essa minha limitação me impeça de cantar, muito pelo contrário. Adoro ir a videokês estuprar ouvidos alheios, mas sei dos meus limites. Não assassino canções de Renato Russo ou Roy Orbison, pois jamais faria meus ídolos se remexerem em seus túmulos, vendo suas músicas serem profanadas por infiéis como eu. Jamais.

Por outro lado, adoro cantar músicas sertanejas. Pagodes. Axé music. Encontrar uma música de Chitãozinho & Xororó ou Só Pra Contrariar no set-list de um videokê causa um comichão em minhas cordas vocais. E é bom cantar esse tipo de música, meio brega, meio trash, totalmente pop. Porque não me sinto culpado, e porque me identifico com as letras. Cantar porcarias é uma catarse. Quando estou no palco, manejo o microfone a la Roberto Carlos, solto a voz na estrada, fecho os olhos e me transporto para o mundo de Carlos Imperial, Barros de Alencar, Raul Gil e Alberto Brizola. E dá-lhe "Tô fazendo amor com outra pessoa/ Mas meu coração/ Vai ser pra sempre seeeeeeeeeeu...".

Também não sei tocar instrumentos musicais, a não ser que falemos em reco-reco, triângulo ou campainha. Hummm, se bem que eu até que me viro na bateria. Brasileiro é um povo muito percussivo, e eu nasci com um pouco disso. Quando vejo uma escola de samba na TV, batuco junto com eles. Quando ouço Rush ou Led Zeppelin, piro com o domínio técnico e a criatividade de um Neil Peart e de um John Bonham. Assim, tive algumas aulas de batera, suficientes para que eu me arriscasse a tocar em uma banda.

Foi na época em que eu trabalhava como gerente da Blockbuster. Juntei algumas ovelhas desgarradas e formamos um grupo, com o infame nome de "New Kids on the Block". Bem, é claro que não fomos para a frente. Ensaiamos duas ou três vezes, e chegamos à conclusão de que já existe banda ruim suficiente neste mundo.

Contudo, às vezes me arrependo de ter largado a carreira musical. Principalmente quando ouço as porcarias que assolam as FM's de hoje em dia. Afinal de contas, éramos tão ruins quanto esses caras. Mas ainda sonho com o mundo dos Top Ten. E penso em reunir alguns amigos, pintar nossos cabelos de loiro e formar uma banda de pagode. Já tenho até o nome do grupo: Japagode (sugestão de meu colega de banco Ricardo).

Julgo estar preparado para o mundo do show-business. Já reservei algumas sungas para o dia em que conhecerei a Ilha de Caras. Encararei numa boa os processos de paternidade movidos por ex-capas da Playboy. Penso em gravar dois ou três álbuns com meu grupo, e depois fazer carreira-solo. E, principalmente, mal posso esperar pelo dia em que serei convidado a entrar na Banheira do Gugu.



2.9.02
The killing moon/ Will come to soon

Bem-aventurados sejam aqueles que apreciam sonhos lúcidos, justaposições abusrdas, o som das ondas batendo na praia, música com as luzes apagadas, céus estrelados, o prazer de uma nova descoberta, navegar em uma baía numa noite de lua cheia, comer apenas os M&M's marrons, discutir o formato das nuvens numa manhã indecisa de sábado.

Alea jacta est.



As garras da felina me marcaram o coração/ Mas as besteiras de menina que ela disse não

Quando é que a paixão vira amor? Casais não confundem amor com acomodação? A paixão seria um tigre que amansa com o tempo, para depois ronronar confortavelmente no colchão de um relacionamento estável? Casais que assistem ao Telecine no sofá da sala comendo pipoca com Coca light, e depois conversam enquanto lavam pratos, merecem minha pena ou inveja? Perguntas, perguntas, perguntas. Alguma resposta?