Ambrose Gwinnett Bierce, o mais jovem de nove irmãos, nasceu em Ohio, EUA, em 1842. Sua infância foi traumática, a julgar pelo ódio que nutriu pela família e pela humanidade em geral; impressão que foi solidificada após combater na Guerra da Secessão, de 1861 a 1865. Seu inconsolável ceticismo o levou a uma carreira bastante apropriada: o jornalismo. Bierce fez carreira na cadeia de jornais do magnata William Randolph Hearst, o mesmo que inspirou o Cidadão Kane de Orson Welles, e que, além de Bierce, empregou outros escritores renomados como Stephen Crane e Jack London.
Sua vida pessoal foi um desastre. Um de seus filhos cometeu suicídio, outro morreu alcoólatra, e Bierce viveu às turras com a esposa mais de 20 anos antes de se divorciar. Perdida a família, Bierce partiu em busca de aventura, e viajou ao México para se incorporar às tropas de Pancho Villa. Desapareceu para nunca mais reaparecer, no ano de 1913. Como legado, deixou uma obra literária amarga como poucos, mas impregnada da mais brilhante veia satírica.
Eis algumas de suas melhores tiradas:
A VELA VERMELHA Um Homem à morte chamou a Mulher e disse:
"Estou para deixar-te de vez; dá-me, pois, a última prova de afeto e fidelidade. Em minha mesa encontrarás uma vela vermelha, que foi abençoada pelo sumo sacerdote. Jura-me que, enquanto ela existir, não te casarás de novo".
A Mulher jurou e o Homem morreu. No enterro, a Mulher, à cabeceira do caixão, empulhava uma vela, acesa, que se consumiu totalmente. (Fábulas Fantásticas)
OS DOIS REIS Um Velho, aflito com a prole desunida, juntou um maço de varas e pediu aos rapazes que o partissem. Depois de repetidos esforços, confessaram que não era possível. "Eis a vantagem da união", explicou o Velho. "Enquanto as varas estiverem juntas, serão invencíveis; mas vede como são frágeis separadas". Pegando uma das varas, quebrou-a facilmente na cabeça do filho mais velho. Depois repetiu o gesto nos outros, até que todas foram partidas. (Esopo Corrigido)
ABSURDO: Declaração ou crença manifestamente discordante da nossa opinião.
ERUDIÇÃO: Poeira sacudida de um livro para dentro de um crânio vazio.
FIDELIDADE: Virtude própria dos que estão prestes a serem traídos.
IDIOTA: Membro de uma grande e poderosa confraria cuja influência nos assuntos humanos foi sempre dominante.
MARIDO: Alguém que, tendo jantado, fica encarregado de lavar os pratos.
NOIVA: Mulher com belas perspectivas de felicidade atrás de si.
ORAR: Pedir que as leis do universo sejam anuladas em prol de um peticionário isolado confessadamente imerecedor.
PRESSÁGIO: Aviso de que algo acontecerá se nada acontecer. (Dicionário do Diabo)
As músicas de Roy Orbison combinam com tardes chuvosas de outono e noites de lua cheia no céu. São canções que amalgamam influências de blues, country e rock. E falam, invariavelmente, sobre amor, perdas e esperança. O som de cabeceira de toda uma gama de músicos desde Elvis Presley (vide, ou melhor, "ouvide" It's Now or Never) e Beatles (banda com quem excursionou em 1963 pela Inglaterra) até Bruce Springsteen, Elvis Costello e U2 (Bono Vox compôs She's a Mystery to Me especialmente para Roy, que a gravou no álbum "Mystery Girl", de 1989). Orbison fez parte, ainda, do supergrupo Travelling Wilburys, cuja formação também incluía os mestres Bob Dylan, George Harrison, Jeff Lynne e Tom Petty.
Todo esse reconhecimento não foi por acaso. A voz de Orbison é, provavelmente, a mais bela e a mais dramática de toda a história do rock n'roll. Suas interpretações são de uma emotividade impressionante, e, reforçadas por rasgantes intervenções de cordas, dão a canções como Falling e Running Scared finais apoteóticos, assemelhados às melhores árias operísticas. Prova da capacidade de Orbison em captar e transmitir emoções está na freqüência com que suas músicas participam de trilhas sonoras de filmes, vide Oh Pretty Woman (de "Uma Linda Mulher") ou In Dreams (de "Veludo Azul").
Talvez a chave de tanta emoção esteja na vida que Roy Orbison levou, marcada constantemente por tragédias, quedas e ressurreições artísticas. Nascido em 1936, no Texas, Orbison gravou seu primeiro single, Ooby Dooby, em 1956, ficando 8 semanas na parada da Billboard. Consolida seu sucesso com Only the Lonely, número 2 do hit-parade de 1960, e a partir daí grava uma série de sucessos que o consagram mundialmente. Entretanto, várias tragédias abalam a carreira de Orbison. Em 1966, sua esposa Claudette morre em um acidente de motocicleta. Em 1968, um incêndio em sua casa mata dois de seus filhos, enquanto excursionava pela Inglaterra. Abalado, Orbison grava vários álbuns mal-sucedidos, e deixa de fazer shows.
Roy volta à cena nos anos 80, com o lançamento de uma coletânea de seus sucessos, e a inclusão de seu nome, em 1987, no Rock and Roll Hall of Fame. No mesmo ano, grava um álbum ao vivo, "A Black and White Night", na companhia de admiradores de seu trabalho, como Bruce Springsteen, Tom Waits, Elvis Costello e K.D. Lang. Em 1988 grava um CD com os Traveling Wilburys, além de seu primeiro álbum de músicas inéditas em 10 anos, "Mystery Girl". Mas não chega a presenciar o lançamento deste disco: pouco depois de encerradas as gravações, este romântico incurável morre, ironicamente, de um ataque fulminante do coração, em 6 de dezembro de 1988, aos 52 anos.
Sou fascinado pelas atrizes francesas. Imagino Isabelle Adjani dando um peteleco em minha orelha, sussurrando, maviosamente: "zinedine zidane". Julie Delpy, só de calcinha em minha casa, ajoelhada para cortar as unhas do meu pé, balbuciando com um sorriso malicioso nos lábios: "foie gras et crepe suzette". Sophie Marceau, fazendo cosquinhas em minha barriga de três meses de grávido, depois de fritar uma omelete para o meu café da manhã, cantarolando: "voyage voyage joe le taxi". Emmanuele Béart, tentadoramente estendida no tanque, lavando minhas cuecas enquanto puxa um papo-cabeça comigo: "echarpe lingerie renault champagne".
Um dos aspectos menos comentados no rompimento da parceria entre Xuxa e Marlene Mattos foi o desemprego repentino de todas as paquitas. Chacretes pós-modernas, essas assistentes de palco de dona Maria da Graça Meneghel representaram por muito tempo o emprego dos sonhos de toda ninfeta desocupada, e a tara secreta que alimentava a porção Humbert Humbert de todo chefe de família.
As paquitas surgiram em 1984, junto com o primeiro programa capitaneado pela parceria Xuxa-Marlene Mattos, o Clube da Criança, na finada TV Manchete. A origem do vernáculo "paquita" veio de um bicho de estimação da ex do Pelé, um papagaio bobviamente chamado de Paquito. Andréa Veiga, a primeira de todas, herdou o apelido e até hoje é chamada carinhosamente pelos amigos de "paca". Trajava uma roupa semelhante à de um soldadinho de chumbo, só que com shorts minúsculos, para o deleite dos altinhos. Sua principal tarefa: ajudar a ex do Ayrton a controlar a pentelhada enquanto rolavam as brincadeiras do programa. Foi capa da Playboy em 1989.
À semelhança das chacretes, que recebiam do Velho Guerreiro Abelardo Barbosa alcunhas esdrúxulas como Sueli Pingo de Ouro, Soninha Toda Pura e Ester Bem-Me-Quer, as paquitas subseqüentes começaram a ganhar apelidos, hum, originais. A começar por Andréa Faria, vulgo "Xiquita Sorvetão", primeira paquita da era Globo, quando a ex do Szafir passou a apresentar o Xou da Xuxa, em 1986. Esta também faturou alguns cobres posando nua: Playboy em 1995, e Sexy em 2002.
"Pituxa Pastel" foi outra que se deu bem: trata-se de Letícia Spiller, intérprete da Babalu na novela Quatro por Quatro, e da vilã Maria Regina, em Suave Veneno. Bianca Ranaldi, a.k.a. Xiquita Bibi, também garantiu seu ganha-pão: fez o papel-título da novela do SBT Pícara Sonhadora, e apareceu nua na revista Sex Way em 2000.
Merecem menção ainda: Ana Paula Almeida, a "Pituxita Bonequinha", por ter namorado o Romário em 1995; Juliana Baroni, a "Catuxa Jujuba", que atuou em obras inolvidáveis do cinema nacional como Gaúcho Negro e Sonho de Verão; e Luciana Vendramini, que nem paquita foi, a despeito da chamada de capa da Playboy em 1987 (ela fez apenas testes para o programa da Xuxa). Mesmo assim, reinou por muito tempo como musa das poluções noturnas de muito pivete nos anos 80, até se casar com o vocalista do RPM Paulo Ricardo e sumir feito Neuzinha Brizola, Lidia Brondi, Alice Pink Punk, Shigueaki Uéki e outras figuras sui generis da época.
Como você pôde viver sem saber destas coisas? Ok, não tem de quê...
Cá estou, ocupando meu terreno antes que alguém o tomasse por usucapião, sacumé. Contatos para este incauto podem ser feitos através do meu e-mail, ou pela minha abandonada página pessoal. Ou então, visite o Spam Zine, que você ganha mais.